Casa Infinita

NOTA GERAL: 2.6/5

www.casainfinita.com.br
Rua Ceará, 1118 – Funcionários – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2531-3888

Localização e Ambiente: 3/5

A Casa Infinita enfeita uma esquina movimentada, com vários estabelecimentos próximos, não necessariamente de foco gastronômico. Estacionar é normalmente tranquilo, porém em horário comercial é um pouco demorado, e te custará uma folha de faixa azul, ou bons trocados aos “tomadores de conta”. O ambiente da padaria e empório é lindo, bem decorado, minimalista e muito bem organizado. A vitrine de doces e salgadinhos tira qualquer um do regime, e tudo no lugar é de dar água na boca. No restaurante, as mesas são bem sóbrias e as paredes de vidro lhe permitem contemplar o movimento das ruas ou de dentro da própria padaria, com todos seus quitutes deliciosos expostos.

Atendimento: 3/5

O atendimento foi bom e ágil, porém não tem o mesmo perfil vip do outro estabelecimento de Ivo Faria (o tradicionalíssimo italiano Vecchio Sogno, comentado aqui). Faltou na verdade um pouco de entrosamento e de simpatia (problema que vem se tornando frequente nas casas da cidade), porém os garçons e garçonetes esbanjavam cordialidade e atenção. Por mais que o ambiente seja reto e reduzido, as vezes ainda há dificuldade em chamar um atendente, mas, quando atendido seus pedidos são sempre rápidos e acertados. Um detalhe infeliz foram os talheres que, dos quatro pares servidos, dois vieram sujos.

Gastronomia: 2.5/5

A Casa Infinita cai no mal do restaurante que tem de tudo um pouco. Das várias opções de entradas (contando com uma padaria inteira de abastecimento), passando pelas opções de pratos (com várias opções de guarnição), pelas massas e carnes, e ainda pizzas, suflês, e qualquer coisa mais que não me recordo agora. Portanto, para aqueles que gostam de muitas opções, mesmo sabendo dos perigos que elas acarretam, ótimo, a Infinita é o seu lugar! As sobremesas também são muitas, e ficam lindamente exibidas no empório para apetecer ainda mais seus inocentes clientes. Vale a pena salientar que não só nos doces a apresentação da Infinita é muito cuidadosa, sempre bem pensada e executada, deixando os pratos muito atraentes.

Salmão grelhado ao molho de wasabi com risoto de tomates: 3/5

O salmão era muito bom. Bastante macio, saboroso, e com uma crostinha crocante e bem temperada. Cada garfada desfiava todo o peixe, deixando um lindo cerne rosa aparecer e tentar os que, como eu, são amantes dessa carne. Infelizmente, e diferente do volume total do prato, o pedaço era pequeno quando comparado com o volume de risoto. O aqui chamado de molho de wasabi nada mais era que um molho de creme de leite, com gosto de creme de leite puro e uma leve tonalidade esverdeada. O risoto, acompanhamento escolhido por nós, estava mole, passando muito do ponto. Seu sabor no entanto era carregado de tomate, presente na medida ideal onde se mantinha o gosto do fruto sem que esse chegasse a azedar no final de cada mordida. Seu leve adocicado combinava muito bem com o tempero mais salgadinho do salmão, e o conjunto do prato era uma perdição.

Medalhão de filé em crosta de ervas com risoto à milanesa e caponata de legumes: 1/5

A carne estava pra bem passada, o que perde um pouco do sabor dos temperos e da suculência, mas tinha gosto forte e molho sensacional! A crosta de ervas era um estilo de massa de pão crocante e suave que lembrava uma casca de suflê, um tanto quanto complicada de se explicar, mas ainda assim uma experiência única e inovadora que misturava formidavelmente sabores e texturas. O risoto estava mole demais, novamente, com gosto de açafrão presente, mas realmente por demais mole – mais ainda que o de tomates citado acima. Uma vergonha! A padaria que tem como sócio o chef do Vecchio Sogno – casa onde se vende o possível melhor risoto à milanesa da cidade – deveria pensar duas vezes antes de ter a coragem de servir aquela papa de nenê sem graça aos seus clientes. Para completar os tropeços do prato, os legumes servidos eram todos banhados em conserva, tiravam o gosto dos demais ingredientes, e por vezes dificultavam a degustação dos demais sabores, em especial da crosta de ervas da carne, único destaque positivo do prato.

Crème Brûlée: 3/5

Lindo de se ver, porém, quebrada a crosta, via-se que estava cremoso demais, parecendo um sorvete de creme derretido. Na verdade, o gosto também remetia ao sorvete de creme, distanciando um pouco do sabor do creme original e do creme “padrão”, empobrecendo um pouco a sobremesa. Ainda assim aqui se tem muitos pontos positivos, como a massa não leva maisena como na receita original – fator que pode ter ajudado a deixa-la mole demais, mas ainda assim, sem maisena -, ou o açúcar queimado no maçarico, que estava perfeito, com pouco gosto (mas ainda assim com um gosto residual agradável) do queimado, e dava ao líquido um toque mais doce perfeito.

Tartelete de maçã com nozes: 3/5

Boa, porém seca demais. O contraponto entre a massa, a maçã e as nozes era ideal, ainda que seu gosto de maçã estivesse em desvantagem com os demais. O prato, que podia vir acompanhado de um sorvete ou (idealmente) de uma espuma, ganharia não apenas uma maneira positiva de diferenciação da quitute servida na padaria imediatamente do outro lado do vidro, mas também uma solução para a secura do tartelete.

Custo Benefício: 2/5

A casa é cara, e muito. Não no padrão Vecchio Sogno, mas ainda assim extremamente cara. Os pratos são bem servidos e existe sim uma qualidade dos ingredientes e um cuidado no preparo de tudo aquilo que nos foi servido, mas ainda assim os valores que chegam à R$50 num prato individual são abusivos para uma PADARIA. Porque por mais que tentem me provar do contrário, aquilo que me foi servido era, em todos os padrões, uma comida regular de uma padaria. Ah! As sobremesas tem o mesmo preço que teriam na padaria, variando de R$6 a R$12.

Dicas:

A casa é uma melhor (para não dizer estrondosamente melhor) padaria do que restaurante. Portanto comece bem com os maravilhosos pães do lugar, aproveitando o que o empório tem a lhe oferecer. As pizzas provavelmente são maravilhosas – julgando a partir das pizzas congeladas que são possivelmente as melhores opções de pizzas congeladas da cidade – e os pratos também são gostosinhos. Finalize sua visita com as madeleines da casa, vendidas apenas na padaria, uma experiência única para aqueles que nunca comeram ou que já são fã de carteirinha do quitude, acreditem.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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Uma resposta para “Casa Infinita

  1. Eu não esperava ter tido um atendimento tão decepcionante na “Casa Infinita”. Estou acostumada a frequentar vários restaurantes em BH e eu realmente fiquei surpresa com o atendimento aos clientes do lugar. E se vocês lerem o “Foursquare”, irão ver que o número de reclamações é enorme com relação a isso.

    O lugar tinha tudo para ser realmente fantástico na proposta de “empório e padaria”. E, embora seja do renomado Ivo Faria, o atendimento foi ridiculamente péssimo (garçons e caixa).

    As comidas são excelentes, mas não adianta apenas investir no “modus faciendi” e se esquecer da excelência no atendimento. Nos dias atuais, aqueles que trabalham com esse ramo precisam se preocupar continuamente com isso.

    Ninguém quer pagar (muito ou pouco) para ter um atendimento ruim. Eu estive na Casa Infinita agora em janeiro (2013) e considerei uma decepção. Não vale pagar por uma comida boa se o atendimento é ruim. Isso foi embaraçoso e constrangedor. Você sentar em uma mesa para degustar e comer e receber um atendimento péssimo? Realmente, não dá.

    Cordialmente,

    Cris.

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