Parrilla Urbana

NOTA GERAL: 4.0/5

www.parrillaurbana.com
Rua Curitiba, 2102 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2512-7714

Localização e Ambiente: 5/5

No ponto mais movimentado do Lourdes, o local não é exclusivista, mas com certeza é badalado. Creio que as esquinas do bairro sejam ótimos lugares para inaugurações, devido ao movimento constante, e, é claro, ao alto poder aquisitivo dos vizinhos. Aproveitando dessa deixa, a Parrilla Urbana é um recém inaugurado restaurante argentino, bem nobre e, logicamente, especializado em carnes. A fachada recuada deixa espaço para uma escada e mesas externas, muito bem organizadas e preparadas, sem perder o ar de uma fina casa de carnes. Parece, de fora, um restaurante de hotel, pelo recuo já citado, por sua estrutura em vidro, os tons escuros e o pé direito duplo, mas, por dentro, a casa é mais aconchegante do que se imagina. A decoração sóbria é extremamente cuidadosa e muito elegante e, graças à madeira escura e aos elementos decorativos (inclusive as simpáticas ovelhas que recepcionam o lugar), recorda uma bela casa de inverno.

Atendimento: 5/5

Logicamente, vip. Com certeza, um restaurante que ostenta de tal forma teria de ter o atendimento exemplar, e a Parrilla Urbana é mestre no quesito. Os copos nunca ficam vazios e raramente o cliente se serve, sutilezas que mostram presença, preocupação, e extrema atenção dos garçons em todas as mesas. Os atendentes do salão trajavam chapéus de palha, detalhe que condizia um pouco com o lado interiorano da parrilla, apesar de fugir levemente do padrão de preços do lugar e da idéia “urbana” do nome. Conceitos e uniformes à parte, todos os garçons – e inclusive o gerente, que nos atendeu pessoalmente – foram educadíssimos e muito solícitos, fazendo com que nossa estadia fosse verdadeiramente confortável. Um primor que ouso dizer nunca ter recebido em qualquer outra casa belo horizontina! Várias, no entanto, tentam e chegam perto, mas a atenção e o foco no cliente que a Parrilla demonstrou possuir, até hoje se mantém únicos.

Gastronomia: 3.4/5

A Parrilla opta por servir o que sabe, e fazê-lo com maestria. As várias opções de carne podem ser muito bem acompanhadas pela enorme lista de guarnições, e existem ainda petiscos que podem introduzir muito bem uma refeição. Ah, e é bom lembrar que, quando um argentino diz ao ponto, significa realmente vermelha, ainda mais quando comparado ao gosto dos brasileiros.

Entrada:

Provoleta uno: 5/5

O prato foi muito bem apresentado, e deixava o cliente salivar. As cores bem combinadas dos ingredientes faziam dele visivelmente atraente, causando inveja nas mesas vizinhas. Era uma pequena torre de queijo tostado, coberto por jámon (presunto especial espanhol, semelhante ao “parma”), e sobreposto por um enorme tomate também grelhado. Quando levado à boca, seu gosto fica um pouco distante do esperado sabor forte do provolone, que acaba sendo encoberto pelo presunto levemente assado e pelo maravilhoso tomate. Esses detalhes mostram um acerto na escolha do queijo que, mais presente, acaba sendo apenas amenizado e não completamente escondido por detrás dos demais ingredientes.

Pratos principais:

Bife de chorizo: 4/5

Bom, no ponto correto e com uma fina camada de gordura perfeita. Uma carne no estilo argentino, ou seja, sem tempero algum – ou quase algum -, no ponto ideal para se deliciar o sabor do bife e apenas ele. A carne era grande, e, se acompanhada de uma ou duas guarnições, poderia servir duas pessoas que tivessem se alimentado de alguma entrada. Para aqueles com os viés brasileiros mais fortes, ou seja, viciados em temperos, a casa dispõe seletos aparatos à mesa para que os próprios clientes cheguem ao ponto desejado do sabor. Assim, pode-se abusar do sal grosso que, moído na hora, acompanha realmente bem carnes mais altas.

Risoto à parmegiana: 1/5

Quando chegou à mesa, o risotto causou um suspiro de desapontamento. Por quê? Pelo simples motivo de parecer uma panelinha de sopa. Parecia que ele estava mole demais, cozido demais, ensopado demais. Tudo que você não quer em um risotto. A surpresa foi agradável quando fomos servir do acompanhamento e vimos a bela liga do queijo e a notável presença do arroz. Admito que realmente estava longe do esperado grano duro al dente, que tanto fascina os apaixonados por risotto, mas ainda assim estava num ponto suportável. No entanto, ainda que num ponto aceitável, ele acabava pecando numa área que dificilmente se vê um risoto pecar, o gosto. Impregnado com um sabor residual de fundo de panela forte, o gosto do arroz era bastante estranho, ainda mais com um toque levemente forçado de manteiga e talvez, de fondor? Fondor? Céus, eu acredito que sim, e espero que não, ainda mais para uma casa que praticamente não oferece tempero algum em suas carnes, temperar seus acompanhamentos de forma tão terrível é realmente uma infelicidade máxima.

Papas souflê: 3/5

Amavelmente diferentes, as simpáticas batatinhas encantavam aos olhos. Não é um souflê, como poderia se esperar, e o acompanhamento só leva tal nome por apresentar batatas estufadas, que se enchem de ar e ficam alegremente ocas e com uma casquinha dourada deliciosa. Estavam no ponto crocante perfeito, maravilhoso para se acompanhar a carne, e trazer o salgadinho e a mordida mais durinha que faltava. O problema aqui é a finalização, ou a disposição na simpática cumbuquinha. Já que as batatas inferiores se encontravam em constante contato com a gordura de todas as outras, elas acabavam, infelizmente, encharcadas de óleo, tornando-se algo um pouco complicado de se comer. Uma pena não disporem tal prato de forma mais aberta, possibilitando que todas elas possam ser degustadas da mesma maneira agradável que as primeiras.

Farofa com bacon: 4/5

Todo mineiro tem sua influência do estado ao norte, e acaba não fugindo da boa e velha farofa quando busca acompanhar uma bela carne. O exemplar da parrilla era gostoso, crocante e ideal para acompanhar o bife de chorizo, mais alto e bem vermelho, e ainda assim sem tempero suficiente. A farofa com bacon, trazendo todo seu salgadinho e crocante, completava a carne e mostrava que nada como um toque brasileiro, numa casa tão voltada para um padrão gastronomicamente argentino, para facilitar as pessoas a se adaptarem a uma nova cultura.

Custo Benefício: 3/5

A fachada recuada já diz: é caro. As carnes variavam de R$40 a R$90, em porções para uma ou duas pessoas. As entradas da parrilla eram um pouco mais em conta, diferente das abusivas entradas de fora desta, e os acompanhamentos poderiam ser considerados apenas ok, se mantendo numa faixa de R$18 para suas visivelmente reduzidas porções. Uma casa abusivamente cara para permitir à mim qualquer oportunidade para que eu fale mal de sua comida e, como já viram, ainda que pontualmente negativadas, ela permite.

Dicas:

O volume das refeições é ideal. Saímos de lá satisfeitos sem estarmos com a sensação de ter comido demais. O aconselhado então é pedir, para 4 pessoas, duas carnes e 3 acompanhamentos, com uma singela entrada. Experimente as carnes típicas (como o chorizo e o vacio), e prove guarnições variadas e inovadoras. Aproveite o conforto e atendimento do lugar com amigos, familiares e colegas, para comer bem e sair satisfeito.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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Uma resposta para “Parrilla Urbana

  1. Parabéns pela critica, por esta e por todas que vcs fazem. Realmente a Parrilla Urbana é incrivel, mas fiquei na duvida: pq vcs nao provaram os miúdos??rs A molleja e outros? Acho q é un diferencial incrivel da casa.
    Grande abs e sucesso sempre!!

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