Mes Amis

NOTA GERAL: 3.6/5

www.restaurantemesamis.com.br
Rua Rio de Janeiro, 1973 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2526-4888

Localização e Ambiente: 5/5

A grande árvore de vidro sabe como chamar a atenção! Na esquina de duas movimentadas ruas do Lourdes, a casa de dois andares é lindíssima, enorme, moderna, e definitivamente atrai olhares de todos aqueles que por ali passam. Internamente o ambiente é extremamente elegante, principalmente no primeiro piso, composto por um longo sofá claro, e elementos decorativos muito bem pontuados. O segundo andar é igualmente bonito, porém não passa a sensação de aconchego do térreo, além de exagerar um pouco na decoração dos vidros. Diferentemente da sensação passada pela vista da rua, de dentro os adesivos em forma de galhos e folhas tiram, consideravelmente, a nobreza do ponto.

Atendimento: 4/5

Os garçons são acostumados com o perfil de cliente AA. Ou seja, são educadíssimos, porém são orientados a manter certa distância quando em atendimento. Essa distância física e emocional se evidencia quando se compara com o atendimento de bares próximos, em que os atendentes são educados e também intimistas, puxando conversa e ousando sugerir e fazer comentários. No Mes Amis não existe esse lado, existe sim uma extrema formalidade e quase frieza no atendimento, que acaba sendo muito ágil, porém pouco amigável. Concordo que o público alvo pode preferir dessa forma, mas admito que sou fã daquele bom humor – sem é claro que este se torne inconveniente – que anima qualquer noite.

Gastronomia: 3.5/5

O Mes Amis tem um cardápio variado e bem exótico. As combinações são ousadas e as opções são muito diversificadas. Os ingredientes são raros e caros, e uma pessoa mais tradicionalista pode ficar perdida. Para os adoradores da experiência da degustação, o lugar é um delírio.

Entrada:

Couvert: 2/5

Com um começo torto para um lugar aparentemente tão alinhado, o couvert estava bem, me desculpem o termo, “nhé”. Sem condizer em nada com a imponência da casa, a qualidade dos pães e pastas eram inferiores ao nível esperado do restaurante, e a validade dos itens da panificadora chegava até a causar certa dúvida! Resumindo, eram pães velhos, duros, secos, frios, nada especiais. Poderiam ao menos, com o intuito de disfarçarem um pouco sua contestável data de fabricação, ser aquecidos, para assim possibilitar uma sensação mais macia e cheirosa. Com exceção dos palitos, os demais pães lembravam muito aqueles servidos em qualquer padaria da cidade, em especial destaque para os pães de queijo que para piorar tudo pareciam ter sido feitos nas fornadas da manhã (e já eram quase 22:00h).

Pratos principais:

Ravióli de presunto de parma no molho veloute de trufas: 3/5

A parte boa da noite foi ver um prato trufado de verdade! Por quantas vezes lemos a palavra “trufado” e não há vestígio de trufas no preparo.  Infelizmente, essa surpresa não foi tão feliz assim. O molho era uma real poça de trufas, contaminando todo o ambiente com seu cheiro e, por vezes, apagando outros sabores do conjunto. Seu teórico recheio de parma parecia ser misturado com alguma outra coisa de sabor excessivamente leve para ter oportunidade de se destacar nessa luta, dando abertura apenas à carne. Carne que, de gosto forte, não se parecia muito com o prometido parma, chegando até a lembrar mais os sabores clássicos daquele tradicional salaminho italiano. Veracidade daquilo que é contido no recheio à parte, o gosto forte deste conseguia felizmente aparecer em meio ao sabor trufado perturbadoramente elevado do molho. Por fim, um prato excessivamente forte que poderia se tornar, eventualmente, enjoativo.

Risoto de açafrão com lagostins e lascas de pecorino: 4/5

Um pouco fora do ponto, o exemplar do risoto não tinha tanta sinergia entre seus ingredientes. O prato parecia um cabo de guerra no qual por vezes a elevada quantidade de ervilhas encobria os sabores mais fortes, noutras apenas suavizava o queijo pecorino de forma elegante, e ainda num terceiro momento, apagava o esperado sabor do açafrão completamente. Para se unir à guerra existiam também os lagostins que, puxando o conjunto para seu lado, encobriam o queijo mas não as ervilhas. Um prato satisfatório que não tinha o esperado diferencial, deixando cada um dos ingredientes soltos e eternamente disputantes.

Sobremesa:

Creme brûlée de pistache: 5/5

A casquinha mais espessa estava perfeita para aqueles que, como eu, consideram um dos prazeres da vida quebrar com a colher sua camada mais crocante. O pistache escondia um pouco o gosto de baunilha, mas também dava um toque diferenciado ao conjunto que era notável e, mais importante, suave. O tamanho era bom, e esse foi possivelmente o melhor creme brûlée, ainda que diferente do tradicional, que já comi numa casa regular da cidade. Um quitute definitivamente indicado para se experimentar em Belo Horizonte!

Custo Benefício: 2/5

Uau. Um ótimo restaurante para negativar seu saldo bancário. Confesso que o lugar é uma delícia, muitíssimo nobre, extremamente bem localizado e com ingredientes realmente selecionados, porém nada que justifique tamanho valor agregado na conta. Uma casa então boa para ocasiões realmente especiais, como reuniões profissionais onde, além de não ser você quem paga, se procura encantar um cliente.

Dicas:

Nenhum dos pratos surpreendeu tanto quanto a sobremesa, por isso ela será nossa primeira recomendação. Escolha opções exóticas mas nem tanto, como o Jarret de Cordeiro (veja a foto) que não foi citado aqui, mas que tinha uma carne divina e um ponto garantido nas recomendações. Aproveite para harmonizar sua refeição com um bom vinho, desfrutando da enorme carta da casa. É uma boa opção também para almoço, com preços mais aceitáveis – leiam, ainda caros para um almoço – para o menu executivo.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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