Café de la Musique

NOTA GERAL: 3.9/5

www.cafedelamusiquebh.com.br
Rua Bárbara Heliodora, 123 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2512-3852

 Localização e Ambiente: 5/5

Seu ambiente é sem dúvidas lindo, mas devemos admitir que é um pouco destoante. Mantida num tom de meia luz, a casa tem de um dos lados belíssimas cortinas que cobrem todo o pé direito duplo do local, e maravilhosos lustres dignos do Titanic realmente esbanja seu charme. Detalhes que conferem uma nobreza sem igual ao lugar e deixam claro para todos ali as intenções da casa. Ponto reforçado pelas imponentes mesas que são dividas em dois estilos, as fixas, satélites à área central que recordam o estilo “lounge” da casa, e as centrais, que num estilo mais elegante de salão, são removidas após o intervalo de jantar para darem espaço à uma glamourosa pista de dança. Os problemas são realmente encontrados do outro lado desta excepcional área, onde temos um prático balcão de bebidas, sobre o qual se encontra uma deslocada bandeira do Brasil, aparentemente feita de fuxico, e que, para piorar ainda mais, leva um doentio sorriso desenhado em seu grande globo azul. Não leve a mal, não nos falta patriotismo, mas convenhamos que tal decoração não condiz com um ambiente tão sofisticado, deixando aquela ponta de sensação que se tem ao adentrar num bar, geralmente copo sujo, quando vamos assistir aos jogos da seleção em época de copa do mundo.

Atendimento: 4/5

À primeira vista, inconstante. Chegamos e fomos levados até a mesa. E foi isso. Nada de cardápios, de sugestões, não foram oferecidas bebidas, entradas, nada. Ficamos aguardando até que alguém notasse nossa humilde existência por alguns minutos, detalhe que simplesmente não aconteceu tão cedo. Um atendimento inicial displicente e digno de um bar cheio durante o festival de comida de buteco; associação que considero extremamente infeliz de ser feita, ainda mais quando estamos dentro de uma casa de ticket médio elevado durante um horário de baixo movimento.

O que surpreendeu então foi a evolução do atendimento, de garçons esquecidos e displicentes (muitas vezes checando pedidos mais de uma vez, e nos fazendo até mesmo repetir algumas coisas) a atendentes extremamente bem humorados e capazes de socializar e conversar com os clientes. Ainda que estranho, na medida em que a casa ia enchendo, os garçons pareciam se animar e se atentar melhor ao seu trabalho e às necessidades de seus clientes, se mostrando então super simpáticos, perfeitamente capazes de explicarem todo o cardápio e fazerem incríveis sugestões, opinando nos vinhos e nos mais distintos pratos, interagindo de maneira extremamente adequada para o nível do lugar. Uma mudança súbita, mas que sem sombra de dúvidas deixou uma excelente última impressão do atendimento.

Gastronomia: 3.8/5

O lugar é uma casa noturna que também funciona como um elaborado restaurante até por volta das 0:30h, hora que as mesas do salão são retiradas e o volume da música eletrônica aumenta. Existem, portanto, mil opções de drinques e alcoólicos em geral, e ótimos petiscos e vinhos. Para a comida, nossa verdadeira área de interesse, o simpaticíssimo Bruno Faro, uma das estrelas dessa nova geração de chefs, busca dar toques mais exóticos e menos constantes nos pratos, fazendo combinações ousadas e muito atraentes. Os pratos, portanto, são poucos, com focos distintos, passando por risotos, massas, peixes, carnes vermelhas, dentre outras, sem muito mais de três variedades de cada uma das opções.

Entrada:

Arancine de gorgonzola e molho de tomate fresco e pimenta: 5/5

A unidade do Arancine era tão deliciosa quanto ingrata. Ainda que alarmados pelo garçom, devido ao tamanho desta, pedimos o prato mais com o intuito de experimentarmos algo extra em nossa visita do que para nos satisfazermos. O resultado então foi um estrondoso gosto de quero mais, e uma vontade quase incontrolável e pedirmos um adicional de alguns pares da iguaria. Servido bem quente, o bolinho tinha seu arroz no ponto certo, e ingredientes bem presentes. Seus sabores, extremamente misturados, se diluíam num gosto único agradável, transformando toda a pequena bolinha numa homogênea experiência. Uma excelente combinação, ainda mais quando contido por uma fina e extremamente crocante capa de fritura que combinava com maestria com o molhinho, servido em maior quantidade à parte, de tomates e pimentas.

Pratos principais:

Gnocchi de semolino com molho de cogumelos, tomate fresco e avelã: 5/5

Começamos realmente com o pé direito. O prato era incrivelmente bom, e, confesso, bem diferente do que esperávamos. O gnocchi, em formato de pequenas bolas de massa, tinha uma textura perfeita, com um suave gratinado externo e um cerne extremamente macio que dissolvia ao menor toque. Seus cogumelos, que acredito terem sidos salteados na manteiga trufada, eram fatiados na espessura perfeita para executarem a textura correta junto da massa, e despendiam no molho o sabor ideal das trufas sem que este se tornasse extremamente enjoativo ou perfumado. Para finalizar então, temos o molho, de sabor presente, que não era subjugado pelo já descrito trufado, os igualmente sensacionais tomates em pedaços que permitiam um charme extra e uma presença maior nas mordidas, e, é claro, as estonteantes avelãs que davam o crocante final e o sabor único desta incomum, porém maravilhosa, semente. Um prato sem pontas soltas que definitivamente é recomendado para qualquer pessoa.

Lombo de vitela ao molho de mostarda Dijon e legumes grelhados: 3/5

Ainda que seus ingredientes combinassem entre si, o conjunto era sem graça. Extremamente bem montado, o prato permitia que em cada uma de suas garfadas, imaginássemos os passos para se chegar até o sabor planejado pelo chef, mas suas proporções lutavam contra aquele que tinha abertura para se tornar tão sensacional quanto o previamente descrito gnocchi. A se começar pelo molho, que tinha sabor suave da mostarda e um toque a mais ideal para combinar com a carne de gosto apagado do lombo, mas que não vinha presente em quantidade suficiente para metade do prato, passando pelos legumes que, grelhados à perfeição e secos de maneira maravilhosamente exótica, proporcionavam a textura perfeita e um sabor amargo, doce ou simplesmente diferenciado, dependendo do legume em questão, à carne, mas se esgotavam muito antes do final previsto para o prato, novamente, sobrando bastante do lombo para a quantidade servida da guarnição. Um prato reduzido em volume que definitivamente era sensacional até sua metade, mas que se tornava apenas uma carne ok, sem muito gosto daí em diante.

Sobremesa:

Desvio para o vermelho: 2/5

O prato homenageia a instalação do Inhotim, colocando vários tons de vermelho e derivados, criando um prato visualmente artístico. O prato era simples, feito de um mix de frutas vermelhas acompanhadas do merengue da casa e uma mini-bola de sorvete. O sucesso deste se encontra então nos detalhes, no morango levemente queimado para despender um gosto agradável de sua casca queimada, na calda de goiabada que aparentava ter sido derretida na hora, nas melancias perfeitamente partidas (que pessoalmente acredito poderiam terem sido curtidas em alguma bebida alcoólica para proporcionar um quê extra ao prato), e, especialmente, no merengue, que mesmo distante do cremoso aveludado dos merengues que tanto me agrada, era capaz de arrematar o sabor individual de cada uma das frutas e completar uma sobremesa leve e agradável. Então, porque uma nota tão baixa? Um prato simples e com pontos realmente maravilhosos pecava em economizar, e muito, na quantidade daquilo que era seu maior destaque, o merengue, ponto principal e aglutinado dos sabores, além de único ponto verdadeiramente feito pela casa, esgotando este em poucas colheradas e sobrando apenas um amontoado de frutas picadas que, convenhamos, não oferecem diferencial algum.

Custo Benefício: 3/5

O lugar é, como já descrito, de ticket médio elevado, valor que vem agregado à localização, ao ambiente, ao chef, e, claro, ao público esperado. Os pratos variam de R$45 a valores que superam a centena de reais, dependendo dos ingredientes e da complexidade de preparo. As entradas ficavam na faixa dos R$40, exceto por algumas porções individuais (como o arancine, R$4 a unidade), e as sobremesas mantinham os clássicos R$20. Tudo vale, como falamos, a experiência, de sabores, de músicas, de ambiente, de atendimento.

Dicas:

Se você gosta de massas, vale experimentar o gnocchi. Por mais simples que ele pareça ser, é um prato com uma execução magnífica, que deve ser provado, ao menos, uma vez. Escolha um vinho para acompanhar a refeição, e arremate com uma linda sobremesa. Aproveite para uma noite elegante, com amigos e parceiros. Ah! Caso queira jantar, reserve e chegue cedo, antes que tudo vire uma boate e você perca as deliciosas experiências gastronômicas, mas se for de seu interesse, aproveite e continue na casa para fechar sua noite dançando e se divertindo.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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2 Respostas para “Café de la Musique

  1. Caro Eduardo,
    Primeiramente gostaríamos de agradecer pelos comentários. Os elogios e também as críticas são importantes para nosso trabalho. Temos a certeza de que estamos no caminho certo, mas ainda existem pontos a aprimorar. Somos a primeira casa em formato dining club da cidade e nosso objetivo é oferecer um serviço de primeira para o público belo-horizontino.

    Bem, cada detalhe do Cafe de La Musique de BH foi pensado para manter o estilo sofisticado e informal em que moda, música e gastronomia andam de mãos dadas. A casa de dois andares tem projeto arquitetônico de Paulo Orsini e conta com pé direito alto, mezanino diferenciado, onde são combinados sofás e mesas, camarote e sushibar.

    Assim como acontece com as demais filiais do Cafe de La Musique pelo Brasil, a casa estampa uma bandeira do Brasil em seu bar. Em Belo Horizonte, a bandeira foi confeccionada por Zilando Freitas, um dos maiores artistas da atualidade. Freitas tem obras espalhadas pelo mundo inteiro e entre seus clientes estão personalidades mundiais como Nelson Mandela, Bono Voz, Naomi Campbel, Madona e o time de futebol Manchester City. O bar é de mármore espanhol raro, milimetricamente planejado e funcional.
    A parceria celebrada com os estilistas tem os mesmos moldes de São Paulo. O lounge de entrada e o do Sushibar seguem o estilo de Valdemar Iodice. Na entrada, Valdemar optou por cores vibrantes e tecidos estampados, com a predominância do verde e do amarelo. No Sushibar, Iodice optou pelo requinte do preto e branco.

    O mezanino é assinado por João Foltran, que utilizou os seus maravilhosos jeans John John Denin nos estofados, finalizando com cores e texturas diferentes nas almofadas. O salão central e os lounges centrais foram decorados por Érika dos Mares Guia.

    Cafe de La Musique BH

    • Olá Cíntia, ficamos felizes pela resposta!
      Obrigado pelas suas explicações mas ainda assim mantemos nossa opinião sobre a área interna da casa: Ela é uma simpatia em sua maioria, porém destoante e heterogênea em algumas partes.

      Vale então colocarmos aqui um reforço extra, e uma verdade que muitas pessoas tendem a esquecer. Não são os nomes por detrás de obras que as fazem verdadeiramente boas, mas são sim as obras verdadeiramente boas que criam os nomes de sucesso.
      Ainda que eu concorde ser menos provável de nomes conhecidos criarem obras não tão interessantes assim, todos somos passíveis de gerar algo aquém de seus feitos anteriores. Além disso, para piorar ainda mais a situação, pessoas tendem a dar um status não merecido de equivalência aos seus antecessores, tendo a obra alavancada a tal nível desmerecido por um já consolidado nome de mercado.

      Deixando de lado tais detalhes, é bom relembrar que o que realmente importa aqui, e tem maior peso para nós, é a cozinha. E tanto neste, como em muitos outros quesitos, o Café de La Musique brilha, merecendo todo o destaque já reforçado em nossa publicação.
      Todos da equipe estão de parabéns.

      Obrigado,
      equipe ONDEcomo.

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