Dirceu Botequim

NOTA GERAL: 3.8/5

Rua Montes Claros, 526 – Anchieta – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2551-4844

Localização e Ambiente: 4/5

O Dirceu fica na esquina da Montes Claros com Pium-í, ou seja, é mais um dos bares da longuíssima rua do Anchieta. E sim, ele é o antigo Marília de Dirceu, a pizzaria que recentemente se transformou num botequim, mas manteve todo o charme da decoração e ainda o local privilegiadíssimo. O toldo listrado que cobre o bar é puro estilo, dando um ar meio retrô, enquanto a decoração interna é mais moderna e um pouco menos estilosa, com TVs de plasma em todas as paredes e um banheiro em vidro escuro que parece parte de uma boate. As mesas são simples, porém confortáveis, e permitem uma funcional união para grupos maiores. Seu balcão de bebidas ao fundo ajuda no toque pub da casa, relembrando que mesmo num ambiente diferenciado na rua dos bares, ainda estamos dentro de um deles. Outro detalhe charmosíssimo, e que inicialmente pode soar meio estranho, são os pratos, recordando um pouco da composição de uma prataria dum presídio.

Atendimento: 4/5

O local é amplo e abarrotado de divisórias bem pontuadas feitas por paredes ou colunas. Tudo isso complica a vida daqueles designados para o atendimento, barrando sua visão e as vezes impedindo ávidos acenos de clientes em busca de mais um chopp. Mesmo com tal detalhe a casa consegue contornar os problemas, oferecendo um atendimento simpático e sem sombra de dúvidas diferenciado do experimentado em outras casas da rua. Outra conveniência, que ajuda a solucionar enormemente o problema de visualização, é a não há exclusividade de seus atendentes, permitindo que sua busca por alguém no salão seja, no mínimo, mais produtiva. Existem então sorrisos, risadas e sugestões de pratos, tudo na medida para deixar as atuais noites gélidas de Belo Horizonte muito, muito mais agradáveis.

Gastronomia: 3.5/5

Mantiveram-se algumas poucas pizzas da antiga Marília de Dirceu, num tamanho único de super-brotinho, capaz de quase encher um prato de sobremesas. Existem também, e agora são definitivamente o foco da casa, diversos tipos de petiscos, dentre os quais estão carnes com fritas, mandioca, tábuas, filés com torradas, costelas e etc, trazendo uma grande gama de boas opções para se comer com os amigos.

Moela “molhada”: 4/5

O estilo característico da carne e seu sabor presente de maneira bastante enfática, acabava tornando este um prato que provavelmente seria exclusivamente apreciado apenas pelos verdadeiros amantes da moela. Em contrapartida à carne que exagerava no sabor, seu molho estava delicioso e, agora sim, apenas com gosto residual daquela que tinha uma tendência de sobrepor os demais ingredientes. Sendo maravilhosamente bem dosado com sensacionais cebolas, cebolinhas, dentre outros temperos, o molho mantinha um gosto forte que não extrapolava, combinando extremamente bem com os pães. Inclusive, esses pães também estavam exemplares com seu sabor único e menos salgado, devidamente transformados em torradinhas excelentes, crocantes na bordas, macias no centro e bem quentinhas. Uma combinação simples que, se bem dosada nas proporções servidas com cada torradinha, certamente será capaz de agradar até mesmo gregos e troianos em sua forte, porém saborosamente agradável, mistura de paladares.

Picanha importada com fritas: 2/5

Servida bem quente numa chapa igualmente aquecida, a picanha pecava pelo seu preparo. Claramente, ela foi levada a uma panela/chapa não tão quente assim, perdendo em seu preparo inicial um pouco de seu caldo. Como a carne é servida ainda vermelha noutra chapa quente, esta não foi preparada nem unida de volta ao seu caldo perdido, sendo, antes disso, transferida para o novo recipiente e levada à mesa. Esse pequeno, porém grave detalhe, fez com que a carne desprendesse o caldo não recuperado na panela e perdesse ainda mais caldo graças à temperatura da chapa, dando um resultado simples e deveras infeliz: a picanha estava dura, pouco suculenta e sem muito sabor. Outro detalhe igualmente infeliz era o das digníssimas batatinhas congeladas, que provavelmente devido a um descuido de seu cozinheiro, não mantinham um padrão muito satisfatório de qualidade.

Feijão Tropeiro: 4/5

Enorme! Pedimos o prato esperando algo a mais para completar nossos petiscos e nos deparamos com uma grande pilha de ingredientes que, num dia normal, satisfaria facilmente 3 pessoas. Servido nas proporções ideais entre o feijão, a farinha e praticamente todos os demais ingredientes, o tropeiro brilhava pela variação de texturas e o ponto perfeito adquirido entre seu integrante principal, mais duro e seco, e um combinado de outros incrementos tradicionais que conseguiam saltar do molhadinho da farinha ao crocante do torresmo. Seu único defeito, e digo isso com certo pesar de um verdadeiro fã da iguaria, era o pouquíssimo gosto de linguiça atribuído ao prato, que, para piorar minha dor, não era um exemplar tão bom assim. O resultado então era de uma enorme torre de felicidade mineira, tendo disposta em seu entorno uma simpática, e igualmente deliciosa, couve crocante, além é claro do suculento ovo frito, jogado sobre o monte, que dava todo um charme artesanal ao prato.

Bolo búlgaro da Marília: 4/5

A sobremesa, para os que ainda não tiveram a oportunidade de experimentar, lembra um brigadeiro meio amargo feito em fogo baixo, levado à geladeira e enformado num padrão infelizmente pequeno para o desejo deixado por este nas pessoas. Sua textura era mais firme, puxenta, num estilo que lembrava até um caramelo de tonalidade extremamente escura. O bolo que, convenhamos, deveria ser chamado de qualquer coisa que não bolo, por si só já valia a sobremesa, transformando o sorvete num agregado completamente dispensável e, muitas vezes, capaz de arruinar o sabor do conjunto. Talvez o acompanhamento para tal iguaria devesse ser algum estilo de biscoito de castanhas artesanal, atribuindo além do sabor e das texturas maravilhosas do chocolate um crocante extra adocicado. Ainda assim um conjunto de sucesso que podemos recomendar para qualquer, qualquer pessoa não diabética.

Custo Benefício: 4/5

Os petiscos variavam de R$15 a R$50, sendo sempre servidos num tamanho justo comparado ao seu valor. As sobremesas variavam na faixa dos R$12, e no final o ticket médio deve se manter na faixa de R$40 por cabeça. Um valor mais que justo para a maioria dos pratos experimentados.

Dicas:

Comece bem com um petisco acompanhado de pãezinhos, fazendo uma boa entrada e dando abertura para um prato mais consistente. Caso gostem da iguaria, não deixem de provar a moela da casa. Também não se esqueçam do bolo búlgaro, uma obrigação antes de fechar a conta, e se preparem para uma textura maravilhosamente diferenciada. Ah, é claro, não se esqueçam de levar um bom grupo de amigos, tomar uma boa cerveja e escolher os petiscos que mais agradarem para se esbaldarem em uma noite no Dirceu.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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