Floriano

NOTA GERAL: 3.0/5

Av. Cônsul Antônio Cadar, 147 – São Bento – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2526-4180
 

Localização e Ambiente: 4/5

O Floriano é um café e livraria posicionado numa avenida coletora dentro do pólo gastronômico do bairro. Por isso, dependendo do horário, estacionar pode se tornar uma tarefa lenta, porém nada impossível. O movimento da região é grande graças aos diversos bares e restaurantes que a compõem, tornando o ponto da cafeteria um pouco boêmio demais para um negócio não tão alcóolico e nem baseado em petiscos. O estabelecimento então (que inicialmente intencionava servir apenas café da manhã e chá da tarde) acabou se adaptando ao estilo belohorizontino de ser, tornando-se um bar-bistrô, com pedidas leves para um lanchinho e mais consistentes para um almoço ou jantar. Colocando o posicionamento da casa de lado, vale dizer que sua decoração é simplesmente encantadora. O espaço, apesar de muito aberto para ser um simples café, tem elementos muito simpáticos, como suas paredes em pedra, suas plantas bem distribuídas e é claro, sua extensa livraria ao fundo. Para fechar com chave de outro, existe também uma área especial para músicas ao vivo, ou, no caso de nossa visita, uma mesa de dj, que, para nossa felicidade, soube integrar formidavelmente bem o restaurante com excelentes músicas durante toda a noite.

Atendimento: 4/5

Estreantes, os garçons pareciam levemente tímidos ou inseguros, o que era esperado em uma casa tão recente. Na verdade eles pouco sabiam sobre os pratos, recorrendo com frequencia à cozinha, o que – apesar de lento – é excelente, garantindo que não existam falsas expectativas e erros de informação. O atendimento, assim como a cozinha, era relativamente rápido e bastante fluido, gerenciando os acontecimentos com excelência e atribuindo um agradável ritmo aos pedidos.

Gastronomia: 2.6/5

Como mencionamos, o cardápio vai do brunch ao lunch, dispondo de muitas opções de petiscos e quitutes matutinos além de pratos bem montados, diversas sobremesas e variados cafés. Existem alguns sanduíches, pratos executivos, entradas e aperitivos para serem compartilhados, além de algumas opções de salgados ideais para acompanhar um corriqueiro café da tarde.

Mix de bruschetas (fatias de pão cobertas com tomate e manjericão e queijo brie, mel e amêndoas): 2/5

As finissimas camadas do pão não se assemelhavam em nada as esperadas torradas de uma boa brusqueta, sendo provavelmente oriundas do mesmo pão utilizado pela casa em seus sanduíches, e, consequentemente, resultando numa base com características pouco acertivas para a iguaria em questão. Seu exemplar de queijo brie com lâminas de amêndoa e mel era gostosinho, retendo consideravelmente o paladar do queijo devidamente adoçado pelo mel, e sendo completada pelas amêndoas que, convenhamos, estavam lá apenas para compor uma textura crocante que o pão falhara em ter. Já as brusquetas tradicionais eram, no mínimo, sem graça, com o gosto bastante relevante ao contexto de todos os ingredientes que, infelizmente, aparentavam apenas terem sido disposto sobre um pão que, como já foi dito, não surpreendia nem um refém de guerra após o holocausto. Seus tomates eram mínimos, o gosto do manjericão praticamente inexistente e seu queijo decorativo – com certeza – nem ao menos havia sido ralado na hora. Ah sim, além da insatisfação com o sabor – ou a falta do mesmo -, as seis mínimas fatias beiravam os R$30, valor que, convenhamos, transformava o prato numa piada extremamente sem graça.

Sanduíche de rosbife e mostarda: 3/5

Com pouca mostarda e uma carne picada na ponta da faca o sanduíche agradava mas não surpreendia. Servida num ponto bom, a carne bastante avermelhada tinha o preparo digno de um rosbife num agradável corte de iscas. Seu tempero no entanto se tornava irrelevante, a pequena quantidade de mostarda utilizada no sanduíche se mostrava ignorável perante as quantidades dos demais ingredientes e ao sabor forte da rucúla. Para finalizar, seu pão, um ciabatta muito semelhante àquela utilizada nas bruschetas, se mostrava deveras quebradiço e ressecado. Definitivamente uma infeliz combinação de detalhes que transformaram aquela que poderia ter sido uma excepcional pedida em apenas um bom sanduíche.

Escalope de filet ao molho de cogumelos e risoto de espinafre: 2/5

Um prato bonito no papel que pecava, e muito, em sua execução. Servido numa temperatura morna, deveras próxima ao que já poderia ser considerado frio, o prato abria a noite com o pé esquerdo. Seu risoto, para nossa infeliz surpresa, não parecia nem de perto um risoto, não tendo a consistência, o toque ou o gosto esperado do teórico arroz arbóreo prometido pelo dono. Na verdade o exemplar lembrava, e muito, um arroz padrão com um preparo blasê de piamontês numa versão de espinafre. Ainda assim, e apesar de todos os pés esquerdos vivenciados até então, certo crédido ao escalope é merecido, afinal este estava num ponto perfeito, com seu cerne bastante vermelho e sua textura tenra. Certamente um prato que, se servido quente e com um risoto de verdade, agradaria muito a qualquer pessoa.

Salmão com risoto de limão siciliano: 2/5

Com uma linda crosta dourada e certa textura crocante o belo filé de peixe, inicialmente, agradava. Digo inicialmente porque, contrapondo a este previamente descrito visual crocante, seu miolo, quando cortado, assinalava uma infeliz realidade: o peixe ainda estava cru, e seu cerne com uma relativa e não tão agradável textura gelatinosa. Além disto, e reprisando o episódio anterior, seu risoto, que concordo ter maravilhosos picos azedos, se mostrava igualmente distante do esperado em um bom exemplar da iguaria.

Misto Nutella: 4/5

Um belo e redondo pão com nutella, levemente polvilhado com açúcar de confeiteiro. Uma combinação simples e com pequenos defeitos, mas perfeitamente capaz de arrancar belos suspiros. Para a infelicidade dos mais aficcionados com o famoso creme de avelã, sua quantidade era deveras economizada e seu pão consideravelmente salgado para o conjunto, porém, ainda assim, sua combinação continuava acertadíssima e extremamente saborosa. Combinação inclusive que brilhava justamente pela escolha da casa em utilizar o açucar de confeiteiro, completando o turbilhão de sabores com maestria e adicionando um toque exótico ao pão idealmente tostado. Certamente uma excelente opção de sobremesa ou até como complemento de seu café da manhã diferenciado.

Custo Benefício: 2/5

O lugar é por demais informal para o ticket médio que cobra. Os pratos custam entre R$30 e R$40, as sobremesas vão até R$15, como é de costume, e os petiscos vão desde R$10 até R$40, assim como os sandubas. Para se comer bem, já que seu volume é por demais reduzido, o montante ultrapassa facil a meia centena de reais, o que, sinceramente, pode ser melhor aproveitado numa casa mais elaborada e até mais barata.

Dicas:

Uma estabelecimento para se ir sozinho, a dois ou acompanhado de um pequeno grupo de amigos, não se esquecendo de escolher um dos variados dias onde este oferece uma bela música ao vivo. Gastronomicamente a dica fica com as opções de café da manhã ou de chá da tarde, originalmente pensados como único cardápio da casa e, certamente, melhores desenvolvidos.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
photos by Bruno Oliveira
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