O Conde

NOTA GERAL: 4.6/5

Rua Conde de Linhares,  345 – Cidade Jardim – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2531-6964 

Localização e Ambiente:  5/5

O restaurante é situado numa das gigantescas (e agora tombadas) casas da rua. Com um projeto arquitetônico avantajado e uma minimalista decoração, a casa surpreende até aos mais desavisados que apenas passeiam pela rua. Sua iluminação externa é extremamente bem planejada, atribuindo destaque à casa e valorizando sua imponência, enquanto internamente esta é proveniente de grandes lustres imperiais que, muito majestosos, dão todo um charme extra em seu alto pé direito. Completando os reformados cômodos existem algumas cristaleiras com vários rótulos de whisky, um bar com um longo balcão escuro, cortinas translúcidas, espelhos, mesas redondas, cadeiras com estofado em linho dentre muitos outros bem pontuados detalhes que são de tirar o fôlego. Externamente a nobreza permanece num estilo um pouco mais Malibu, com grandes mesas em madeira, enormes ombrellones, um jardim de entrada e alguns banquinhos que formam uma estilosa e agradável praça para espera. Definitivamente uma casa onde não há pecado em decoração ou arquitetura, mantendo os elementos do Conde em harmonia perfeita e criando um ambiente mais do que agradável para uma bela refeição.

Atendimento:  5/5

O atendimento foi impecável como o esperado, porém ainda assim conseguiu nos surpreender. Do maitre, que nos atendeu maravilhosamente bem, sendo atencioso, educado, cortez e ainda muito bem humorado, aos variados garçons e garçonetes que se mantinham sempre atentos e próximos às mesas, atendendo prontamente à menor suspeita de um aceno. Além disso, apesar da casa ser recém inaugurada, todos os seus colaboradores estavam perfeitamente integrados à respeito dos serviços e pratos, motivo pelo qual alugamos o maitre para customizar nosso menu, pedindo recomendações e opiniões à respeito de – quase – tudo. Ser tão bem atendido hoje em dia já rende valiosos pontos para a casa, agora, conseguir manter tal nível de atendimento num horário abarrotado de clientes, como o durante a visita, é algo digno de aplaudir de pé.

Gastronomia: 4.4/5

O Conde é especializado em cozinha contemporânea, oferecendo várias opções de combinações de carnes vermelhas, frango, massas e frutos do mar. Várias combinações eram bem exóticas e ousadas, tornando o lugar uma deliciosa exceção ao tradicionalismo mineiro. Para os mais conservadores, haviam ainda pedidas mais simples, que felizmente eram igualmente bem executadas.

Couvert: 3/5

A cestinha de pães vinha guarnecida de três cremes: fígado, berinjela e manteiga temperada. Todos eles eram bem suaves, porém ainda assim suficientemente temperados para agregarem um sabor único da iguaria nas fatias de seus pães. Esses últimos, por outro lado, não eram tão surpreendentes assim, aparentando certa idade ou até um possível congelamento em seu preparo. Provavelmente estes são feitos uma vez por semana e congelados até o dia específico de seu consumo, uma válida opção para a casa, mas que acaba ferindo um poco o nível de frescor atingido pela massa. Vale dizer que o couvert, apesar de ser apenas a “banda de abertura”, é a primeira oportunidade do estabelecimento de causar uma boa impressão. Ele é a grande estréia das mãos da casa no paladar do cliente, o que deve, sempre, ser uma agradável surpresa. Apesar de tudo aqui posto, o prato era um bom couvert (talvez levemente deslocado pelo conceito ilustre da casa), e seu verdadeiro destaque fica por conta do pão com amêndoas e da pasta de beringela, simplesmente sensacionais.

Linguine Dourado (molho de moranga, carne desfiada e banana da terra): 4/5

Uma acertada, e um pouco mais exótica, combinação de ingredientes. Seu linguine estava no ponto perfeito, deixando a textura al dente deveras evidente em cada uma das mordidas, sem que este esteja em nada exageradamente duro. Seu creme de moranga era suave o bastante para não se tornar enjoativo, mas também não era robusto ao ponto de se tornar indispensável. A verdade aqui era que este poderia ainda assim ser um pouco mais carregado na moranga, atribuindo um gosto exótico ainda mais acentuado ao prato. O resultado então era um macarrão maravilhosamente tratado e devidamente temperado pelas bem colocadas bananas que, feitas com muito esmero, mantinham uma textura agradável sem jamais se sobressairem em paladar. Para fechar com chave de ouro, sua extremamente bem temperada carne era capaz de prover prazer até aos mais gastronomicamente frígidos, atribuindo um acertado gosto mais salgado ao parcialmente adocicado conjunto de massa, molho e banana. Seu único e verdadeiro porém, já que o sabor acentuado de moranga é uma infelicidade extremamente pessoal, eram as proporções exageradas de massa e molho para a pequena quantidade de carne, resultando num conjunto que, durante o desenvolvimento do prato, se transformava em algo deveras mais disforme e menos agradável.

Filé de robalo ao molho de ervas finas e limão (file de robalo assado ao molho de azeite, aspargos e tortinha de batatas): 5/5

O peixe estava assombroso (e isso é um elogio), seu tempero perfeito e sua combinação com os aspargos era de comer de joelhos. Tudo era ainda completado pela aqui nomeada tortinha de batatas que, pelos deuses, como era boa! Seu molho era simplesmente sensacional e o ponto mais duro das batatas, muito utilizado na escola do Senac  (uma das escolas que, juntamente com o IGA, compõe o portfólio de empresas em que o Chef da casa já trabalhou), formavam uma parceria inigualável para o já absolutamente perfeito peixe. Um prato deveras simples de se executar que, quando feito à perfeição, se tornava algo por demais complicado de se explicar, mas que certamente deixaria qualquer um que o pedisse no mínimo, estupefato.

Pato ao molho de especiarias (peito de pato grelhado, molho de especiarias, risoto de queijo e cebolas caramelizadas): 5/5

A casa, definitivamente, coloca as asinhas de fora em seus pratos principais. Surpreendeu na massa, no peixe e agora na carne. O prato era um tutorial de como um verdadeiro pato deve ser servido. Desde sua carne basicamente crua até a crocante capa de gordura que relembrava um acabamento à pururuca. O animal dissolvia na boca e seu sabor era agudo a um ponto tal que, admito, jamais ter provado num pato antes. Ele relembrava uma escola de alta gastronomia, onde aquele objeto, perfeitamente preparado, era capaz de ensinar como a perfeição é capaz de atravessar as barreiras das restrições do público. Não existem aqui preferências que possam modificar a sensação de qualquer detalhe no prato, seu ponto, praticamente cru e muito distante da preferência brasileira, gerava uma textura gelatinosa na carne que combinava tão bem com sua suave casquinha crocante que me faz, ao escrever tais palavras, ter vontade de voltar à casa e abraçar seu chef. Bom, sem muitas delongas agora, o prato era acompanhado por um risoto também sensacional, no ponto perfeito e sabor à tona, porém com um volume aquém de queijo. Um pedido mandatório para qualquer um que queira degustar, e aprender, como é um verdadeiro pato.

Torta mousse de laranja (bolo especial de amêndoas recheado com mousse de laranja): 5/5

O bolo era muito suave e muito gostoso e dava o crocante que a mousse não tinha. Na verdade, as amêndoas estavam formando apenas uma finíssima decoração e base para a aeradíssima mousse. Mousse inclusive que levava seu gosto de laranja apenas ao fundo, tendo o sabor forte da fruta proveniente mesmo da calda delicadamente disposta sobre o conjunto. Uma sobremesa extremamente boa e leve, em nada enjoativa ou forte demais, que era equilibrada em suas texturas e sabores.

Custo Benefício: 4/5

Os pratos variam de R$40 a R$70, exceto por aqueles temperados com frutos do mar, que podem atingir o excelentíssimo valor de R$110,00. São todos bem servidos e completos em texturas e ingredientes. O ticket médio é de R$80, com bebidas não alcóolicas e entradas compartilhadas.

Dicas:

Opte por um menu completo, dividindo uma entrada e posteriormente uma sobremesa. Para seu prato principal, confira se o chef está na casa, diga que você adoraria experimentar o “famoso” pato preparado por ele (e somente por ele). Se a resposta for positiva, e você aventureiro suficiente, escolha então o pato, se não, pegue um dentre os variados pratos que for de sua preferência. Ah sim, é claro, em caso de duvidas use e abuse da ajuda do maitre.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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10 Respostas para “O Conde

    • Olá pessoal! Fui ao Conde recentemente comemorar um aniversário de uma amiga e concordo com a Patty. Foram 10 amigos e destes 10, somente 2 pratos estavam saborosos. Eu pedi um risoto de camarão e estava completamente fora do ponto. O risoto estava cru!!! Comparando com de uma amiga que pediu a mesma coisa, o dela veio muito mais camarão…. Em um bom restaurante, os pratos são iguais em tudo. Inclusive na quantidade. Para os que pediram bacalhau, ele estava com osso. Como assim??? Fora que demorou mais de uma hora para sairem os pratos. A sobremesa também não era das melhores. Quanto ao atendimento, isto sim foi excelente. Não volto mais a este restaurante. Belo Horizonte tem ótimos lugares e porque vou perder tempo indo a um lugar que já tive péssimas referências. Outras pessoas também já reclamaram de lá. Há muito mais críticas negativas do que positivas. Isto é horrível já que o lugar é lindo e ponto super nobre….

    • Paty, acho que você estava de TPM quando escreveu esta página no seu blog!
      Eu e minhas amigas fomos SUPER BEM ATENDIDAS no O Conde na última sexta. Os pratos foram muito bem servidos e estavam deliciosos!!!
      Toda casa quando abre têm seus tropeços mesmo…
      Volte lá e reveja seus conceitos!!

    • Olá Patty!

      Tudo bem? Nós já havíamos lido seu comentário a respeito do Conde e ficamos bastante perplexos com o resultado! Nossa experiência com a casa foi tão boa (inclusive uma das melhores dentro destes quase 200 estabelecimentos visitados pelo ONDEcomo) que fica difícil imaginar um atendimento ou prato que se distancie do excepcional. De qualquer forma, nós pretendemos visitar a casa novamente – para formar a lista dos estabelecimentos que mais se destacaram no ano -, porém agora com um foco diferente, não apenas buscando uma boa comida, mas sim um padrão satisfatório de qualidade que minimize ao máximo este possível “azar” que você teve (ou ainda para descobrirmos se fomos nós os sortudos da história).

      Ainda assim é importante saber que todo serviço é passível de falhas, especialmente os tão intimamente relacionados com pessoas como é o caso dos restaurantes. Por enquanto, podemos ser otimistas acreditando que – no período entre a sua e a nossa visita – a casa entrou nos eixos e se tornou um exemplo de excelência em BH, até que se prove o contrário.

      Conte-nos caso faça uma segunda visita ao Conde para reavaliar, ok?

      Agradecemos por seu comentário, suas visitas e sua recomendações para o ONDEcomo.

      Cordialmente,

      Equipe ONDEcomo

      • Ei pessoal!

        Obrigada pela resposta! Realmente admiro pessoas que conseguem respeitar uma outra opinião, argumentar e manter um diálogo sem ofensas! O que é muito raro na internet nos dias de hoje.

        Com certeza, uma segunda visita ao O Conde está nos meus planos, principalmente por esse post de vcs!

        Eu realmente espero poder sair de lá com uma outra impressão!

        Grande abraço para vcs e mais uma vez, parabéns pelo belíssimo trabalho!

        Patty Lyca

  1. Simplesmente um despreparo total. Estou aqui aguardando o meu prato a 1:40h. O atendimento na altura do campeonato ja nao existe mais. Estou decepiciona com o lugar. Muito bonito! Agora nao sei o porque de tantas mesas, se quando cheias eles nao dao conta de atender… (amadorismo total).

  2. Esse restaurante foi de longe a pior experiência que tive no restaurante week e acho que foi a pior comida que experimentei (tentei) nos últimos anos. Atendimento cordial, mas não adianta ser cordial se não tem equipe suficiente para atender a mesa qdo o lugar está mais cheio. Devolvi meu prato (um peixe incomível, as demais pessoas que pediram na mesa deixaram no prato) e com um relativo mau humor o maitre perguntou se queria a outra opção. Ok, mas demorou quase uma hora! Desagradável para mim e muito mais para o resto da mesa que ficou esperando para comer a sobremesa. Mais uma enganação em BH. Preço de vechio sogno e qualidade de fast food.

  3. Infelizmente, vou precisar concordar com os que estão tecendo críticas ao restaurante.

    Nossa experiência lá ontem, para o Restaurant Week, foi a pior que já tivemos em um restaurante.

    Para começar, não localizaram nossa reserva, mas ainda havia mesas disponíveis, então não protestamos.

    Demoraram 1 hora para trazer as entradas, que estavam decepcionantes, para dizer o mínimo: alguns fiapos de alface com meia dúzia de croutons + um consomê de abóbora frio. Protestamos com a garçonete pela demora no atendimento, e ela se desculpou educadamente, alegando que naquele dia alguns garçons não haviam comparecido.

    Meia hora depois, nada de chegar o prato principal. Resolvi ir ao toilette e entrei no reservado a cadeirantes (meu caso). Alguém havia urinado no piso, e o cheiro estava insuportável. Descobri a origem do odor que há tempos estava atingindo nossa mesa… Reclamei com a garçonete, que novamente, sem graça, se desculpou, mas revelou surpresa por ainda não terem tomado uma providência, uma vez que outra cadeirante já havia reclamado.

    Bem, como nosso prato principal não chegava, e temendo nova decepção, resolvemos ir embora. Procuramos o hostess e manifestamos nossa insatisfação. Pela terceira vez, ouvimos um pedido de desculpas. E, felizmente, um atendimento correto; junto com o pedido de desculpas, ele nos ofereceu um agrado: não nos cobrou pela água mineral consumida, nem pelos fiapos de alface.

    Não sei se vamos voltar. Como já disseram acima, há muitos restaurantes bons em BH e região para que corramos o risco de nos decepcionar novamente.

    Um abraço a vcs e, mais uma vez e sempre, parabéns pelo blog!

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