Atlântico

NOTA GERAL: 3.3/5

www.restauranteatlantico.com.br
Rua São Paulo, 1984 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3275-3384

Localização e Ambiente: 5/5

Num ponto excelente, porém de fachada um pouco discreta demais, o Atlântico faz parte do pólo gastronômico do Lourdes, sendo um restaurante requintado, bem frequentado e, nos finais de semana, relativamente movimentado. Seu público é um pouco mais, digamos, experiente do que a média dos estabelecimentos próximos, mas ainda assim frequentado por pessoas jovens – especialmente durantes festivais feitos na casa, como a noite do jazz – que frequentemente animam o lugar. Montado em uma elegante casa de esquina, o estabelecimento tem decoração predominantemente em tons escuros, sua ampla área externa é completamente coberta por uma charmosa estrutura metálica e um belo toldo, enquanto internamente seu mais privado ambiente se destaca por um simpático desnível, um pouco acima da rua, com suas poucas porém muito mais aconchegantes mesas.

Atendimento: 3/5

O atendimento é bom, mas não é tão 5 estrelas como o esperado. Inicialmente, o cliente será julgado por seus trajes e porte, como é de costume em lojas de alto luxo, gerando sempre uma antipatia imediata dos fregueses menos pomposos que frequentam o local. Um breve olhar de cima a baixo oferecido pelo garçom define, parcialmente, como deverá ser seu atendimento durante noite, porém não é apenas nas impressões que são decididas a qualidade deste, a resposta definitiva vem no momento da negação de uma possível garrafa de vinho, ou, no pedido de uma opção economicamente insatisfatória deste, selando definitivamente o nível de simpatia e atenção oferecidas pela casa aos seus clientes. O destaque fica mesmo com a cozinha que consegue manter certa agilidade sem se tornar em nada inconveniente.

Gastronomia: 3.2/5

A especialidade da casa são os frutos do mar, todos com a possibilidade de virem devidamente acompanhados de um excelente vinho para harmonizar suas deliciosas combinações. Para os não tão fãs da iguaria existem algumas opções divergentes do padrão, geralmente num volume suficiente para suprir a demanda dos mais carnívoros, mas ainda não tão satisfatória para aqueles que são vegetarianos convictos.

Frito misto (camarão, lula e peixe branco empanados): 3/5

O simpático cone de papel veio recheado de iguarias empanadas, acompanhadas de um satisfatório potinho de molho. Seu camarão estava um pouco passado do ponto, perdendo aquela textura al dente única que o crustáceo consegue obter, detalhe que fere um pouco as expectativas quando se está em uma casa supostamente especializada em frutos do mar, mas que não atrapalha muito o panorama do prato que, afinal de contas, tinha tal iguaria empanada. Empanado inclusive que completava sensacionalmente o peixe e os camarões, escondendo qualquer possível defeito e temperando-os sensacionalmente bem. A exceção fica para os finíssimos anéis de lula que, numa proporção desbalanceada de empanado e carne, acabavam por ter todo seu sabor sobreposto pelo excesso de sal de seu revestimento. Para finalizar, seu molho não era dos melhores, tendo o paladar forçado demais de uma simples maionese e, infelizmente, foi levado à mesa numa temperatura exacerbadamente resfriada. No geral, um ótimo prato para acompanhar um chopp gelado, como são intencionados os petiscos de buteco, foco deveras distante daquele procurado pela casa.

Camarões VG a provencal (com arroz revolto em seu próprio molho): 2/5

Com uma satisfatória quantidade para a iguaria, composta de cinco enormes camarões e uma panelinha de arroz à parte, o prato mais agradava pelo seu volume que pelo seu teórico paladar diferenciado. Seus camarões, reprisando o episódio da entrada, estavam fora do ponto. Um detalhe que admito não afetar a entrada de maneira exagerada, mas que influenciava estrondosamente o prato principal em questão. Os famosos camarões VG são perfeitos para serem degustados no ponto correto, sua elevada quantidade de carne é a peça chave para criar uma combinações de texturas maravilhosas entre o crustáceo e qualquer acompanhamento, reforçando a qualidade (e o porquê do valor) desta tão bem vista iguaria. O destaque dessa vez ficou por conta do arroz, que, apesar de carregar pouco do paladar do crustáceo, tinha um toque picante sensacional, que, felizmente, combinava lindamente bem com os belos animais.

Atum semi-grelhado (com Spaguetti nero ao alho e óleo e tomatinhos uva): 3/5

O atum selado, e não muito quente, vinha agradavelmente temperado com bem posicionados flocos de flor de sal. A carne então ganhava todo um apelo curioso e um paladar diferenciado, que conseguia elevar suas muitas vezes ignoradas características ao ponto desta ser bem vista mesmo quando servida sem nenhum acompanhamento. Seu spaguetti, por outro lado, era apenas ok, tendo a tinta de lula adicionada durante a fabricação da massa, e não em seu preparo, perdendo completamente a possibilidade de uma dosagem diferenciada desta, além de seu toque e suas texturas tão especiais. No geral o prato se formava bem, mas com pouca sinergia entre a massa, muito bem pontuada com seus adocicados tomatinhos uva, e sua carne fora de contexto.

Bife ancho na brasa (com chimichurri, com fritas rústicas e farofinha de alho): 4/5

Por incrível que pareça, o melhor prato da noite não fazia parte do rol de especialidades da casa. A carne era enorme, porém sua capa de gordura era também avantajada, diminuindo a parte proveitosa do bife. Pedimos ao ponto, e, apesar de termos sido alertados pelo garçom (que fez questão de frisar que a carne viria bem vermelha) não recebemos um exemplar tão perfeito, beirando o bem passado. Ainda assim, seu cerne levemente rosado ainda mantinha a peça extremamente suculenta e seu paladar à tona. O bife se misturava tão bem com o conjunto que sua textura macia e presente transformava as garfadas em verdadeiros momentos de prazer. Isto tudo ia extremamente bem com o INCRÍVEL molho chimichurri e a maravilhosa farofa de alho. Não podemos esquecer, claro, das simpáticas batatinhas rústicas que nada mais eram que destroçadas batatinhas fritas devidamente temperadas.

Banana assada na brasa com Nutella: 4/5

A banana foi servida ainda parcialmente na casca, permitindo que seu formato fosse mantido intacto e conferindo um acertado acabamento rústico ao belo prato. Seu preparo, apesar de simples, tornou o exemplar algo sensacional, com o ponto da fruta perfeito, macio, leve, doce… uma delícia! É claro que a banana na brasa com Nutella seria, e foi, uma combinação logicamente infalível! A deliciosa fruta combinava primorosamente com o creme de avelãs, sendo ainda pontuada pelo crocante das castanhas dispostas no prato. A bola de sorvete, sinceramente, era dispensável, mas nada que atrapalhasse, atribuindo apenas algum volume extra à já diminuta sobremesa.

Custo Benefício: 2/5

O lugar é caro, principalmente na sua especialidade. A entradinha que pedimos, por mais petisco que fosse, era deveras super valorizada para seu tão pequeno tamanho. Em geral, os petiscos e entradas custam de R$30 para cima, enquanto os pratos vão de R$50 a R$150 por pessoa, dependendo do tamanho e da raridade de seus ingredientes. As sobremesas beiram os R$20, como de costume, e o ticket médio chega sem esforços ou bebidas a R$100.

Dicas:

A dica é seguir seu gosto e escolher o peixe ou fruto do mar que mais lhe agrada. Porém a casa se mostrou uma ótima parrilla, com uma carne ideal, batatinhas deliciosas e um chimichurri inigualável. Sendo assim, se existir dúvidas, prove o bife ancho.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s