C’est Si Bon!

NOTA GERAL: 3.8/5

www.cestsibon.com.br
Avenida Bandeirantes, 619 – Sion – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3223-7900

Localização e Ambiente: 5/5

O ambiente é muito bem decorado, todo em pé direito altíssimo, com um deck interno composto de várias mesinhas e seus estilosos e confortáveis sofás, tudo isso iluminado por enormes luminárias que pareciam grandes abajoures. Mais ao lado existe ainda uma longa prateleira onde ficam uma bicicleta, um carrinho e um quadro da torre Eiffel. Sejam pelos elementos vermelhos bem distribuídos, pela mobília confortável ou pelos espaços criados dentro do bistrô, como o canto de leitura por exemplo, o fato é que a defesa de uma casa que exala frança é seguida à risca. Ao fundo existem painéis luminosos de imagens de fauna e flora, como se fosse uma grande parede com nichos e janelas, enfeitadas com garrafas de Veuve Cliquot, livros e pratos pintados. A casa é de facílimo acesso, porém pode ser complicado para estacionar, afinal sua altura na Avenida Bandeirantes é desprovida de estacionamentos próximos, obrigando o cliente a andar um pouco mais, ou escolher a única, e igualmente ruim de se parar, ruazinha perpendicular.

Atendimento: 4/5

O bistrô não é muito antigo, e seus garçons ainda estão frescos do treinamento. O atendimento é muito bom, ágil e prestativo. Nossa visita se deu num dia bem vazio, portanto tivemos toda a atenção do mundo, mas como seu ambiente é pouco dividido e considerávelmente bem distribuido, é de se supor que não ocorram muitas diferenças do padrão oferecido em nossa visita para aquele obtido em seus momentos mais abarrotados. O gerente sabia explicar bem os pratos, recomendando e opinando em certas opções do menu, um dos garçons, mais especificamente o que nos atendeu, ainda estava um pouco cru, passando certa insegurança em suas falas, detalhe muito comum nos primeiros meses de casa, mas nada que o impedisse de explicar quando questionado qualquer possível perguntas de seus clientes. Fica o elogio especial para a atitude da casa, que diferente da tendência mercenária estabelecida na cidade, foi clara quando nos explicou que a sobremesa pedida – o creme brulée -, não seria uma das melhores opções da noite, já que ela havia sido feita no próprio dia, afetando negativamente sua textura final e consequentemente podendo gerar um desprazer ao seus clientes.

Gastronomia: 3.5/5

O C’est si bon é um bistrô francês que serve como especialidade o filet brulée, uma carne com uma crosta especial, típica do país da culinária do restaurante. Além dessa opção, temos medalhões, risotos, peixes e muitas entradas apetitosas, montando um cardápio completo que felizmente não se tornou por demais extenso.

Filet  com batatinhas ao murro e molho Bourguignone (Molho à base de vinho, ervas e bacon): 4/5

Uma das acatadas recomendações da casa que nos surpreendeu positivamente. A carne estava incrivelmente macia e tinha um sabor presente em todas as mordidas, seu molho era de fato gostoso, reforçando o paladar do filet e temperando-o suavemente com uma mistura de legumes, um pouco de funghi, as ervas e o bacon. Uma combinação simples, ditada sobre uma harmonia deliciosa que, em momento algum, tentava dissuadir os sabores daquela que era a presença que realmente importava no prato, a carne. Suas batatinhas, temperadas suavemente com alecrim, não eram ao murro, mas eram (Ó meu Deus!) gratinadas à perfeição. A iguaria, levada ao forno até sua casca ressecar e se tornar elegantemente enrugada, servia de cobertura perfeita para seu extremamente macio cerne. Para finalizar aquilo que até então estava perfeito, uma cesta de pães aceitáveis, composta de uma pequena parcela dos, ainda quentinhos, pãezinhos de sal integral, e de uma decepcionante, e enorme, parcela de torradas bauducco.

Medalhão com crosta de ervas ao molho de vinho do Porto e arroz de amêndoas: 5/5

O par de medalhões servidos no ponto perfeito assombrava, ainda mais quando acompanhadas de sua crosta de ervas, simplesmente sensacional, espessa, crocante e bem salgadinha que não se tornava em nada enjoativa. Definitivamente uma excelente opção de acompanhamento para a suculenta carne que, se por si só já esbanjava sabor, imaginem quando mesclada com uma crosta temperada e um molho de vinho do porto digno de arrancar suspiros. Para completar o prato, seu arroz de amêndoas fornecia uma textura a mais e um cheiro todo especial das sementes à mistura, conseguindo um considerável sucesso em seu papel de coadjuvante, completando graciosamente a dona dos holofotes, a carne.

Filet brulée ao molho madeira com risoto de queijos: 2/5

A carne alta e teórica especialidade da casa tinha sim sua crosta mais crocante e seu cerne bastante vermelho, mas seu dito “ao ponto” era alguns passos além do nível aceitável, se portando mais como um bom exemplar de mal passado do que aquilo que foi de fato acordado. Um exemplar que não se mostrava como prometido, não estando tão saboroso e nem tão crocante quanto o esperado. Sentimento ainda mais potencializado quando tal iguaria foi performaticamente apresentada pelo gerente da casa, que no momento quase em lágrimas, dava piruetas mentais de prazer sobre o descritivo do prato.

Ok, moedas demais depositadas no prato, o fato é que seu resultado não atingia o “bom”. Com uma carne apenas ok e um saboroso molho, em parte semelhante ao exemplar da entrada, o ápice do desprazer se dava mesmo por conta de seu risoto que, muito fora do ponto e da consistência esperada, simplesmente remetia a uma papinha de neném regurgitada. Não que este fosse exatamente ruim, na verdade ele até combinava com o molho da casa, mas ainda assim, seu arroz macio demais e sua excessiva cremosidade eram suficientes para desestimular qualquer um de se quer levar a iguaria à boca. O resultado então era um prato abaixo da média, principalmente quando comparado ao medalhão supracitado.

Risoto de hadoque com espinafre: 3/5

Completamente diferente do risoto servido em conjunto com o filet brulèe – citado logo acima -, o exemplar aqui se encontrava num ponto aceitável e numa consistência correta. O destaque do prato fica pelas quantidade bem escolhidas de seus ingredientes que, em perfeita harmonia, se completavam formidavelmente. Seu filet de hadoque em cubos fornecia um forte sabor de pescado ao prato e uma textura mais pontual ao arroz que, quando em conjunto com o espinafre picado, resultava numa agradabilíssima mistura de sabores não tão discrepantes assim.

Custo Benefício: 3/5

O bistrô, como imaginávamos, é considerávelmente salgado. Mas, diferente do estilo francês de se rechear os pratos, suas porções são bem servidas, removendo aquela sensação muitas vezes desprazerosa de se pagar caro e se comer realmente pouco. Os pratos vão de R$40 a R$70, enquanto as entradas talvez cheguem aos R$40. O ticket médio fica em torno de R$70, sem bebidas nem sobremesas.

Dicas:

Não vá na especialidade descrita pela casa. Sabemos que será o mais fortemente recomendado, mas a verdadeira percepção durante nossa visita foi diferente do pregado pelo restaurante, o sentimento aqui foi, na verdade, que a verdadeira especialidade da casa são os molhos, e seu maravilhoso casamento com uma boa carne. O lugar é uma delícia, serve como ambiente romântico, familiar ou entre amigos um pouco mais tranquilos, afim de um bom vinho e um fino jantar. Ah, e claro, casa também serve café da manhã aos domingos, que pode ser uma ótima opção para começar o dia bem alimentado.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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6 Respostas para “C’est Si Bon!

  1. Agradeço muitíssimo a atenção de vcs. Super interessante a observação do C’est Si Bon.

    Atenciosamente ,
    Márcia Macedo

  2. Se vc for na Itália e pedir um risoto, vão te perguntar o que vc quer que seja cozinhado com uma incrível quantidade de água. A idéia é cozinhar o alimento para que tenha a consistência de “uma papinha de neném regurgitada”. Pedir um risoto duro e seco é o mesmo que pedir um carpaccio carbonizado. Não entrarei no mérito de comparar o risoto -aparentemente como deve ser feito- a vômito.

    • Já pensamos sim Laura, e o melhor, pretendemos adicionar aos nossos posts uma fotografia da fachada da casa! O porque disso ainda não existir é simples, a qualidade de nossa câmera ainda é insatisfatória para tal investida (você pode notar a diferença das nossas fotos “normais” para as fotos especiais tiradas pelo fotógrafo Bruno Oliveira no post específico do Floriano. Já para o ambiente interno, além dos mesmos problemas de qualidade, temos também alguns poréns referentes à nossa logística (já que visitamos as casas num sistema de “cliente oculto”) e à frequente movimentação caótica dos restaurantes. Ainda assim, uma vez com uma câmera de qualidade, pode apostar que algumas modificações serão implementadas. Obrigada pela sugestão e continue colaborando com as opiniões no ONDEcomo!

  3. Infelizmente, tive uma péssima experiencia com o restaurante essa noite! Fizemos uma reserva que estaria garantida até as 23hr, chegamos as 22:45 e adivinha?! Não existia a reserva! Da hora que chegamos até o PRIMEIRO pedido ser feito, demorou uma hora. Ou seja, ficamos uma hora, uma parte em pé, aguardando uma mesa, e outra sentados sem beber NADA pois não tínhamos atendimento. Depois disso, fizemos os pedidos, além de um casal que estava com a gente ter desistido e cancelado o pedido por ter esperado mais de uma hora e não ter chegado, algumas coisas nos foram ofertadas que simplesmente não tinha, como a água de coco que eles queriam substituir por água tônica, e a sobremesa que pedimos uma coisa (que acabou durante a noite e nós não fomos informados) e eles substituíram por outra sem ao menos nos questionar se concordaríamos ou não com a troca. Ou seja, foi minha primeira e ultima experiencia muito desagradável e desgastante. Não voltaria sem me pagassem para isso! *Sem contar que eles desagradaram a todos os convidados do meu amigo que resolveu comemorar o aniversário dele lá.

  4. Estive ontem, domingo, com minha esposa e meu filho de dez meses para o almoço.
    Quero elogiar o ambiente, muito bonito e a qualidade dos pratos, tanto em apresentação quanto em sabor.
    Tive momentos de chateação com o atendimento, pois como estávamos com criança e não queríamos incomodar os demais clientes, escolhemos uma mesa à direita, mais escondida do salão principal. Porém isso fez com que ficássemos meio esquecidos. Mas nada que um braço levantado e uma mão abanando no sentido da entrada da cozinha não resolvesse, rsss.
    No mais, os garçons que nos atenderam foram muito simpáticos e agradáveis.
    Reitero que os pratos estavam ótimos, sem senões quanto ao sabor e apresentação, mas devo decepcionaram no que se refere ao tamanho das porções.
    Pedi os camarões à provençal com risoto de limão: vieram 3 camarões. Como minha esposa queria experimentar, sobraram-me apenas 2, rsss…
    O bife ancho da minha esposa também veio bem fininho. Bem diferente da imagem de bife ancho que povoa nossa imaginação.
    A porção dos risotos estava de acordo com o esperado para um prato individual.
    Ao final, o resultado foi positivo mas acho que se não tivéssemos pego o couvert antes, bom para os justos R$16 cobrados, não teríamos saídos satisfeitos de nossa refeição.
    Parabéns pelo blog.
    Um abraço.

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