Vitelo’s

NOTA GERAL: 2.9/5

www.vitelos.com.br
Rua Carvalho de Almeida, 398 – Cidade Jardim – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3287-7802

Localização e Ambiente: 5/5

O Vitelo’s, que está de cara nova, fica agora em uma rua de pouco fluxo a pé, porém enorme fluxo de carros. Parar, portanto, pode se tornar uma demorada tarefa, exigindo algumas boas voltas ou ainda uma singela caminhada, mas nada que afete negativamente sua excelente localização. Com a reforma, a casa que saiu do Anchieta e mudou para o Cidade Jardim, adquiriu uma nova ambientação toda especial, além de um novo e visualmente bem estruturado posicionamento de marca. Seu ambiente interno ficou maravilhoso, com uma facção um pouco mais pomposa em sua entrada que, montada ainda dentro da casa, chega até a lembrar simpáticos restaurantes italianos e franceses da cidade. Mais ao fundo, em seu jardim interno, temos uma grande ilha semi-descoberta abarrotada de mesas mais rústicas, uma decoração mais singela e uma quantidade deveras mais elevada de lugares, além de grandes salamandras para transformar até as noites mais frias em uma aconchegante e confortável experiência.

Atendimento: 3/5

O atendimento dos garçons é digno de palmas. São todos extremamente solícitos, agradáveis, simpáticos e muito presentes. Perambulam pelos ambientes durante todo o tempo, sempre atentos aos acenos de seus clientes – que em raras ocasiões requereram certo vigor durante a atividade. A casa faz uso da não exclusividade de atendentes, fator que agiliza ainda mais o processo de atendimento e que, dependendo do estilo de remuneração da casa, pode gerar certa impaciência ou inimizade entre seus funcionários. Felizmente o Vitelo’s não foi um desses exemplos de má utilização do serviço, todos os garçons tratam cada um de seus clientes como iguais e se mostravam assombrosamente polidos durante cada uma de suas interações. Para finalizar, e por incrível que pareça, o suposto gerente da casa era justamente aquele que não dava o exemplo perfeito para seus funcionários, sendo pouco cordial ao lidar com pequenos problemas rotineiros e até levemente intolerante com sua clientela. Uma pena ver que justamente aquele em posição de servir como exemplo para uma já expecional equipe se mostrou, na verdade, incapaz até de lidar com seus próprios problemas.

Gastronomia: 2.7/5

O Vitelo’s é especializado em carnes, com suas várias opções de cortes de boi e porco, além de suas diferenciadas opções de aves e peixes. Para acompanhar sua carne, a casa oferece também tradicionais soluções muito vistas em churrascarias, como farofa, vinagrete, alguns tipos de arroz e de batatas dentre outras iguarias e molhos.

Salsichão tradicional acompanhado de pão de alho: 3/5

O salsichão vem inteiro à mesa, juntamente com os pães, e somente são partidos quando posicionados ao lado do cliente, deixando-o absolutamente inebriado com o visual e o cheiro das gostosuras. Diferentemente do salsichão padrão muito visto pela cidade, a iguaria da casa era uma alegre e temperada salsicha, servida não tão torrada e com um aspecto interno bem fresco, como se tivesse sido cozida e posteriormente levada à grelha. Ela vem devidamente acompanhada de um belo e alongado pão que, na verdade, nada mais era que uma baguete sutilmente temperada com manteiga, alho e ervas. Crocante por fora e macio por dentro, o pão que mais parecia uma torrada gourmet era sensacional, e combinava perfeitamente bem com a textura mais suave da igualmente bem temperada salsicha. O porém do prato fica por conta de sua temperatura, afinal, da maneira que foi servida, sua carne não permitia nem ao menos ser classificada como morna, se encontrando numa deplorável temperatura fria que, sem dúvidas, apunhalava suas boas características.

Linguiça Vitelo’s (servida na chapa com pimentão, tomate e cebola): 3/5

A opção que leva o nome da casa nada mais é que uma pouco criativa lingüiça fatiada agradavelmente temperada com pimentões, cebola e tomate. O curioso era que o destaque do prato ficava justamente por conta dos legumes, e não do ingrediente esperado de ser o objeto principal de desejo em uma churrascaria, a carne. A disposição dos elementos numa chapa permitia que seus ingredientes se mantivessem quentes durante toda a sua breve existência, ao passo que seus caldos se misturavam e formavam um cheiro coletivo muito agradável, além de um tempero perfeito para aqueles legumes que, depois de fritos juntos de uma bela linguiça, brilhavam de sabor sem perder sua maravilhosa textura. Uma entrada farta e bem composta, que carecia de algum toque criativo para se tornar minimamente memorável.

Bom Bom: 3/5

A carne que também veio inteira à mesa era a parte mais macia da alcatra, e – teoricamente – deveria ser servida “ao ponto”. Com um agradável paladar de defumado em toda sua simplória superfície os individuais pedaços saltavam a boca e retiravam um belo gemido de prazer de qualquer fã da iguaria. Prazer que, em seus menores pedaços, se mantinha constante em toda sua existência e reforçava a incrível suculência adquirida por um miolo de alcatra, porém, para aqueles exemplares mais altinhos, tal prazer titubeava na medida em que seus pedaços se aproximam de seu cerne. A verdade era simples e inegável, os exemplares mais avantajados estavam completamente crus, se tornando dificílimos até mesmo de se partir com o auxilio de uma faca. Uma pena que um prato tão bom não consiga manter dentro de seus próprio ingredientes um padrão satisfatório.

Fraldinha: 2/5

Descrita no cardápio como a especialidade da casa e a melhor carne feita no local, nosso pedido pela iguaria era mandatório, e ainda que simpática, aquela nomeada de menina dos olhos da casa, não conseguia sequer surpreender um carnívoro esfomeado.

Muito diferente de seu irmão supracitado, a fraldinha veio à mesa extremamente ressecada e, adivinhem só, fria. O primeiro corte da carne, que serve sua parte mais externa e mantém seu cerne para uma segunda rodada, decepcionava em todos os sentidos. O defumado esperado não existia como em sua irmã, sua casca se encontrava deveras ressecada e seu sabor completamente extinto era absolutamente dependente da escolha do cliente pelo molho que esta acompanhava. O prato era, na verdade, uma excelente escola de como não se servir uma fraldinha, e um maravilhoso questionamento de algum problema logístico da casa que, pela segunda vez na noite, trouxe à mesa um prato que parecia ter saido da churrasqueira há no mínimo vinte minutos. Seu cerne, servido posteriormente e um pouco mais suculento, não era razão alguma para a casa sequer manter o prato no cardápio, muito menos nomeá-lo a melhor carne do estabelecimento.

Fritas Vitelo’s: 2/5

As grandes batatas que levavam o nome da casa eram cozidas e depois fritas, adquirindo um artesanal e agradável toque que certamente se mostrava melhor do que o padrão das batatinhas congeladas servidas pela concorrência. O resultado era bom, mas novamente pouco criativo, o exemplar podia, assim como praticamente todos os pratos da casa, acompanhar de algum tempero específico, ou ter qualquer toque criativo que, no mínimo, surpreendesse algum cliente.

Farofa Vitelo’s: 2/5

Uma farofinha apenas ok, servida numa quantidade ideal para alimentar toda a torcida do Flamengo. Básica, gostosa, mas, como vários dos itens da casa, nada demais. O exemplar que simplesmente era uma combinação de farinha e ovos mostrava como a cozinha da casa é simplória, não se esforçando em momento algum para criar alguma combinação ou preparo que seja, no mínimo, diferente daqueles feitos em casa.

Banana assada com sorvete de doce de leite: 4/5

O coringa das churrasqueiras era, para variar, uma delícia! A banana preparada ainda com casca na brasa adquire uma textura indiscutivelmente sensacional. Desmanchando na boca a fruta atinge um paladar e um cheiro adocicado perfeitos para compor uma bela sobremesa, tudo isso ainda vinculado com a facilidade de preparo do prato em uma churrascaria (ou parrilla), formam aquele que é provavelmente um dos melhores itens do cardápio. Ainda que seu sorvete de doce de leite extremamente duro e de qualidade questionável não seja a melhor das opções como acompanhamento, o resultado do prato é sem sombra de dúvidas positivo.

Custo Benefício: 1/5

A pouca criatividade de seus pratos e sua completa ausência de tempero é, até certo ponto, compreensível, como quando, numa parrilla, onde suas carnes são preparadas com esmero, desde seu processo inicial ao se limpar a carne até sua finalização sobre a louça. O pequeno, ou melhor, o colossal problema do Vitelo’s é simples, diferente daquilo que a casa ostenta em valor, visual e atendimento (dos garçons), não existe qualquer esmero no preparo de seus pratos, a casa é um verdadeiro desleixo gastronômico, se tornando fortemente dependente de seus molhos (servidos à parte e igualmente incapazes de surpreender) e da pouca habilidade de seus clientes em julgarem a qualidade daquilo que estão ingerindo.

As carnes custam de R$40 a R$100, enquanto os petiscos contornam a média dos R$30. O ticket médio, portanto, bate a casa dos R$65, e isso sem qualquer bebida, alcóolica ou não.

Dicas:

Falta ousadia, falta criatividade e falta coragem para atingir o público de outro nível que a casa almeja. O Vitelo’s já é renomado e conhecido por suas carnes, e mantém-se deitada em berço de ouro, mudando o visual, a logomarca, mas não os princípios da casa que, aparentemente, não se conscientizou de seu próprio reposicionamento estratégico. Na verdade ela permanece com a mentalidade e o espírito de uma churrascaria de posto muito, mas muito mais compatível com sua unidade anterior, porém agora, com um valor que certamente poderia ser melhor aproveitado em outro lugar.

Ah, sim! A casa, diferente de qualquer semelhante, não é capaz dosar a medida na qual os pratos são servidos, portanto cabe a você pedir dosadamente as quantidades, evitando assim que os pratos fiquem ainda mais frios, e optando pela ordem em que você gostaria de degustá-los.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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