Verde Gaio

NOTA GERAL: 4.1/5

www.verdegaio.com.br
Rua Santa Catarina, 778 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3275-4122

Localização e Ambiente: 3/5

O tradicional português da capital fica numa das regiões antigas da cidade, mantendo em sua construção detalhes históricos muito simpáticos e agradáveis. Há de se convir que os mineiros hão de ficar mais confortáveis em um restaurante que é tão conservador, e gosta de evidenciá-lo desde sua fachada até sua decoração. Suas longas mesas têm um suporte para apoio de pratos logo ao lado, com toalhas simples e claras e tons bem distribuídos de verde e vermelho, ressaltando a nacionalidade da culinária do Verde Gaio. As cadeiras acolchoadas são confortabilíssimas e o lugar ainda dispõe de uma simpática e romântica varanda para as noites mais agradáveis. Seu funcionamento, noturno e aos finais de semana, assim como sua posição mais distante das partes mais badaladas do bairro, facilitam, e muito, a ação de estacionar o carro num raio bem próximo ao estabelecimento, podendo até, conseguir uma vaga à porta.

Atendimento: 5/5

E-X-E-M-P-L-A-R! Um atendimento que sinceramente deveria ser estudado e copiado por toda casa que deseja fidelizar seu público. Os garçons são presentes, simpáticos, educadíssimos, delicados e muito, mas muito atenciosos. É um atendimento onde você vê que as pessoas cuidam do cliente, e isso, infelizmente, vem cada vez se tornando cada vez mais raro. Tivemos ótimas sugestões, opiniões, flexibilidade, cuidado e muita agilidade. A cozinha também não deixou por menos, trabalhando com eficiência e mantendo tudo num ritmo perfeitamente ideal.

Gastronomia: 4.3/5

O Verde Gaio é especializado em comida portuguesa, portanto são várias as opções de bacalhau, frito, grelhado, cozido, e até mesmo envolvido em seus famosos bolinhos.  Entre os clássicos, temos também o filé a parmegiana e o strogonoff, um pouco mais adaptados pela culinária brasileira, mas ainda assim mantendo o toque todo especial da casa.

Couvert (pão, torrada, manteiga, azeitona, beringela marinada e 2 bolinhos de bacalhau): 3/5

O couvert era bom, composto de pãezinhos com manteiga, azeitonas e uma beringela marinada com muito, muito, mas muito gosto de conserva e alho. Além disso, claro, tínhamos os bolinhos de bacalhau, dando a pitada aportuguesada e retratando uma das especialidades da casa que não poderiam faltar à entrada. E por falar neles, que bolinhos! Com um paladar maravilhoso, sua textura aveludada e sua liga de mandioca perfeita saltavam à boca como poucos exemplares da iguaria, o quitute era uma perfeita amostra de perdição, tendo suas já magníficas texturas completadas pela casquinha crocante e por uma considerável e ainda assim não exagerada parcela de massa. Vale dizer também que não eram bolinhos tão pequenos, trazendo quantidade suficiente do peixe e da massa para ser degustada lentamente, sem se tornarem tão volumosos ao ponto de perderem o status de petisco, nem tendo suas proporções negativamente influenciadas pelo seu tamanho.

Linguado grelhado c/ arroz de tomate ou purê (para 2 pessoas): 5/5

Não seria exagero dizer que o enorme prato era capaz de servir muito mais que duas pessoas. Composto de um maravilhoso peixe e uma generosa porção de arroz avermelhado o prato era aquela recordação, agora palpável, de infância. Um ponto muito discutido e muito procurado por chefs de todo o mundo, é a habilidade de atingir através do paladar agradáveis lembrança de épocas passadas, que remetam aos seus clientes suas antigas e aconchegantes experiências. Um efeito simples na teoria, mas consideravelmente complicado em sua execução, que a casa consegue realizar com tamanha facilidade que assombra. Bastava uma garfada, uma simples e agradável garfada, para se sentir novamente com oito anos de idade, balançando as pernas que ainda não tocavam o chão naquela antiga cadeira de madeira da sala de estar, e segurando de forma desengonçada aquele grande garfo utilizado apenas durante ocasiões especiais. Um prato, ou melhor, uma experiência simplesmente formidável.

Seu peixe era gostoso, com uma suave capa crocante e um sabor perfeito para ser completado por algumas gotas do limão servido à parte. Seu arroz, com um gosto fraco de tomate, agradava pelo resultado um pouco fora do compasso que este criava com a carne, e pelos bem distribuídos exemplares do fruto que criavam sabores heterogêneos por cada uma de suas garfadas. Sem sombra de dúvidas uma saborosa harmonização de ingredientes perfeita para qualquer, qualquer pessoa.

Bacalhau à Gomes de Sá (desfiado com cebola, batata, ovo ralado e azeitona): 5/5

O prato, listado como especial do dia, era realmente um primor! Com o sabor presente do peixe, dessalgado na medida, as porções saltavam à boca como uma combinação de sabores bastante dissolvidos entre si. Suas batatas serviam de base para o gosto forte do peixe, e se misturavam muito bem com os pedaços destroçados dos ovos cozidos que, assim como as batatas, combinavam extremamente bem sua ausência de tempero com a exagerada quantidade de paladar oriunda do bacalhau e das bem pontuadas azeitonas. Assim como o exemplar supracitado, a sensação de infância ainda brilhava à mente durante cada uma das garfadas, detalhe que quando unido com sabores e texturas perfeitos não poderia resultar em menos do que um maravilhoso e portuguezissímo prato. Além disso, foi delicioso constatar que  aqui a especialidade da casa é realmente o melhor da cozinha!

Strogonoff de frango: 4/5

Um clássico da casa que, diferente to esperado de um restaurante português, não tem listado em seus ingredientes algum peixe. Originalmente acompanhado de batatas e arroz, o prato servido em três recipientes distintos era, novamente, um exagero! Seu molho acompanhava formidavelmente o frango, temperando-o de maneira elegante e removendo-o do padrão de um strogonoff qualquer. Sem ultrapassar o limite do bom senso no creme de leite, e acrescido de tradicionalíssimos e deliciosos cogumelos paris, o molho, com um gostinho de ervas bem ao fundo, era o par perfeito para os muitíssimos bem desfiados fios de frango. Para finalizar, seus acompanhamentos, coadjuvantes perto do maravilhoso protagonista, completavam com elegância a combinação que, novamente, agradaria qualquer pessoa.

Custo Benefício: 4/5

Os pratos listados como para duas pessoas custam aproximadamente R$80, enquanto suas versões individuais variam de R$30 aos R$55. A vantagem aqui é seu volume, muito exagerado, que transforma as opções para duas pessoas em fartas refeições para quatro, podendo ainda, e por via das dúvidas, serem apenas completadas por algum acompanhamento adicional. O ticket médio pode então variar dos R$60, para aqueles que não dividirem suas porções, até R$35, para aqueles que partilharem seus pratos incrivelmente bem servidos.

Dicas:

Vá com família ou muitos amigos, o Verde Gaio é perfeito para grandes grupos de pessoas. Prove algum dos tradicionais peixes da casa, com indicações especiais para o bacalhau. Caso sua preferência passe longe dos pescados, não se preocupe, a casa é recheada de clássicos que atendem perfeitamente qualquer tipo de gosto, mas não se esqueça de, ao menos, experimentar os famosos bolinhos de bacalhau, vendidos por unidade. Aproveite a aconchegante ambientação e o excepcional atendimento dos garçons, e desfrute de uma belíssima refeição num dos mais tradicionais estabelecimentos de Belo Horizonte que, felizmente (e diferente de muitos outros), merece todo o prestígio que tem.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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