Marília Pizzeria – RW 2012, 2ª edição

Teve início o maravilhoso festival de origem nova iorquina que tanto apreciamos: o Restaurant Week. Nessa edição (que vai de 27 de agosto a 09 de setembro de 2012) teremos 66 restaurantes participantes, com algumas novidades no cenário belo horizontino que mal podemos esperar para conhecer. Portanto, nas próximas semanas voltaremos ao nosso modelo mais frequente de postagens, colocando os estabelecimentos no site à medida que são visitados, para que vocês tenham a oportunidade de experimentarem os melhores menus que estão sendo servidos. Claro, se você tiver alguma sugestão de visita para o ONDEcomo, deixe seu comentário, mande um e-mail no ondecomo@gmail.com ou ainda entre em contato pelo Facebook ou Twitter especificando a casa que você sugere e o menu (almoço ou jantar). O valor dos menus é o mesmo da última edição: R$31,90 no almoço e R$43,90 no jantar, incluindo entrada, prato principal e sobremesa.

NOTA GERAL: 3.3/5

Menu JANTAR

Sobre a Marília:

A Marília já pode ser considerada uma das tradicionais pizzarias da capital mineira. A casa se localiza na famosíssima rua Marília de Dirceu, um dos pontos mais nobres da cidade, com uma fachada bastante requintada. Seu espaço recuado, com algumas mesas externas e três longos ambientes internos, distintos e bem separados, deixa de lado o conservadorismo esperado de uma casa mineira e transforma a pizzaria num moderno e atualizado exemplar. Sua decoração é impecável, porém com o passar do tempo e nenhuma atualização, ela se tornou nada inovadora, apenas com um toque de alto luxo que agrega conforto e nobreza. Por outro lado, devemos concordar que seu atendimento se encontrava num ponto distante daquele exibido pela decoração da casa. Não foram raras as vezes que acenamos em vão enquanto a equipe batia papo, ou que pedimos coisas que simplesmente não vieram. Presenciamos também as caretas realizadas quando perguntávamos a respeito de um preparo, geralmente seguidas de uma resposta completamente errônea. E isso tudo ocorreu durante um momento onde a maioria das mesas do estabelecimento ainda se encontravam vazias, deixando clara uma elevada desorientação da casa que, mesmo abarrotada de garçons, não conseguia nada além de um disperso e certamente despreparado atendimento para o festival.

Gastronomia:

A especialidade da casa, as pizzas, são servidas em vários tamanhos e sabores, sendo uma gama tão variada que é difícil decidir. Além disso, a Marília também serve risotos e outras massas, atendendo o padrão italiano muito frequente nos estabelecimentos em questão. O ritmo da casa se mostrou completamente descompassado, servindo os passos do menu em intervalos irregulares e até chegando a servir alguns pratos antes dos outros, ocasionando aquela desagradável situação onde algumas pessoas são obrigadas a comer enquanto outras ainda aguardam seus pratos. Uma imperdoável falta de sincronia, principalmente durante um menu degustação.

Entradas:

Scalinata Scalinata de sol (Rolinho da massa de Pizza, recheado de mussarela, carne de sol desfiada e requeijão cremoso): 4/5

A gostosa entrada era, basicamente, um mini calzone muito bem temperado e recheado. Com a carne de sol no ponto perfeito, bem desfiada, quentinha e idealmente salgada, a fina massa brilhava de maneira elegante. Seu requeijão cremoso e sua suave mussarela traziam uma agradável leveza ao conjunto, dando toques mais neutros a uma reforçada opção de carne, resultando uma batida porém harmônica combinação de recheio. A tristeza – e também o suave diferencial – era a simpática decoração de raspas de limão, que davam um perfume agradável ao prato quando bem medidas e, proporcionalmente, quando em demasia, infectavam significativamente o sabor final do prato. O toque exótico então preocupava, afinal, este se mostrava muito bem pontuado em uma das unidades do quitute, e exageradamente disposto noutra, deixando aquele sutil questionamento da verdadeira habilidade da casa em conseguir manter um padrão.

Lasanha crocante (massa envolvida com presunto e mussarela, recheada de ricota e Chancliche): 3/5

Recheada de um forte chancliche, que ouso dizer ainda ser de ovelha, o prato fornecia à ricota apenas a atribuição de fornecer uma sutil, e quase imperceptível, textura ao final das mordidas. Com um bom resultado, mas nada além disso, o prato tropeçava em seu sabor forte do derivado de leite que massacrava os demais componentes do conjunto, fornecendo um amontoado de sabores desconexos e pouco complementares. Ainda assim, fica o destaque para o crocante de seu empanado, e para a bela, porém não tão felizmente executada, composição.

Pratos principais:

Risoto de abóbora com carne de sol: 4/5

Um risoto no ponto certo, com um sabor excelente e um presente, porém nem um pouco exagerado, toque de abóbora. O prato brilhava em seu paladar, e o exagero de queijo adicionado a este era capaz de transformar qualquer mineiro em um animal faminto. O resultado então era, claro, um agradabilíssimo risoto, acompanhado de uma completamente dispensável e exageradamente ressecada carne seca, que felizmente se encontrava presente apenas numa muito reduzida porção. Seu tamanho, no entanto, compensava o pequeno sucesso do prato no quesito paladar. A iguaria era na realidade uma verdadeira piada de mal gosto, sendo apenas um não muito digno acompanhamento, que infelizmente para o festival, não tinha nada para acompanhar. Outra infelicidade era a disparidade do que foi servido quando comparado com a foto promocional do prato, exibida pela organização do festival, gerando aquela mesma sensação de se abrir, olhando para a foto, uma caixa de hambúrguer de qualquer rede fast-food.

Pizza Marguerita: 2/5

A segunda opção de prato da casa é a escolha de qualquer pizza dentre as descritas na carta como tradicionais. Nossa escolha então foi um dos clássicos italianos, a geralmente excepcional marguerita. Aquilo que no entanto, após muitos minutos, chegou à mesa, não passava de uma deslocada, pouco criativa e muito decepcionante pizza. Seu preparo era digno de bocejos, o disco abarrotado apenas de mussarela era levado ao forno para, somente após assar, ter adicionado ao conjunto seus já fatiados tomates-cereja e suas mal distribuídas folhas de manjericão. Se por um lado é clara a opção da casa em evitar que as folhas se queimem dentro do forno, por outro é imperdoável a escolha de não assar os tomates com o conjunto, perdendo toda aquela sensacional textura de um tomate preparado numa bela temperatura, e seu residual gosto desprendido no queijo durante o processo. O resultado então era uma pizza verdadeiramente chata, que desagradava consideravelmente em praticamente todas as arestas.

Sobremesas:

Mousse de chocolate trufada: 3/5

Servida num prato consideravelmente irrelevante a mousse era simpaticamente acompanhada de uma calda de chocolate artesanal. Com um sabor forte de chocolate amargo o prato evitava aquela sensação enjoativa do exagero de doces, criando um belo e diferente desenvolvimento para sua degustação. Sua textura era boa e aceitavelmente aerada, com uma cremosidade deliciosa e uma sensação de suavidade agradavelmente conflitante com seu paladar pesado. Ao final era uma deliciosa combinação, que pedia um algo a mais, uma variação de texturas, um brilho, qualquer coisa para transformar o encerramento do dia numa excepcional experiência.

Búlgaro Marília (Bolo Búlgaro de chocolate, acompanhado de sorvete de creme): 4/5

O bolo búlgaro, que já foi provado por nós no Dirceu, é excepcional. Com um sabor bem pontuado e uma textura que varia do brownie ao brigadeiro, muito concentrado, puxento e forte, o bolo não poderia ser nada além de uma verdadeira tentação. Sua base, bem crocante como um biscoito, dava a abertura perfeita para o cremoso brigadeiro fornecendo aquela mesma sensacional explosão de texturas de nosso primeiro encontro. O porém, novamente, fica por conta de seu reduzido tamanho, semelhante a uma unidade de Bis, e sua igualmente desnecessária combinação com uma questionável bola de sorvete.

Dicas:

O tradicional que deitou-se em berço de ouro. Ou seja, após se tornar uma estrela, o restaurante automaticamente se desligou para detalhes essenciais, tornando-se só mais uma pizzaria com um não tão bom atendimento. Para o festival, o detalhe fica por conta dos reduzidos volumes servidos, praticamente obrigando seus clientes a optarem pela pizza como prato principal e forçando-os, infelizmente, a evitar seu até agradável risoto. O resultado então é uma opção pouco atraente que, provavelmente, será melhor aproveitada ao se optar pelo menu tradicional da casa.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Tôrres

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