Mercearia 130

NOTA GERAL: 3.1/5

Rua Ivaí, 130 – Serra – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3658-3395

Localização e Ambiente: 3/5

Despojado e bem informal, o espaço da Mercearia 130 lembra um estande um pouco mais estiloso do mercado central, sem perder as características de vendinha misturadas com o modelo típico de um buteco belo horizontino. Sua decoração é simples e funcional, e seu cardápio fica exposto em quadros negros instalados no alto da parede da cozinha semi-aberta, sendo frequentemente modificado. As mesas externas são semelhantes àquelas de clubes, com cadeiras relativamente confortáveis e ombrellones simpáticos (obviamente essenciais para o horário de almoço). Ainda na parte exterior, uma mesa de espera improvisada com caixotes permite um descanso para os clientes que vão chegando. Sua localização é estratégica, colada no Minas II, em uma área residencial bem vasta e muitíssimo agradável.

Atendimento: 3/5

Visitamos a casa num domingo e durante todos os minutos de nossa visita as mesas da casa estavam completamente preenchidas. Com um contato inicial muito agradável e atencioso, nosso garçom, um pouco desesperado com a infinidade de mãos acenando por sua atenção, conseguia amarrar bem aquela enxurrada de pedidos. Se de um lado nosso principal atendente conseguia, até certo ponto, satisfazer a enorme demanda, de outro, a extremamente reduzida cozinha não dava conta do movimento. Servindo não mais que um punhado aceitável de pratos, muito bem elaborados para atenderem todos os gostos, mas deixando claro que a casa tem o intuito de focar num numero não muito grande de opções, o estabelecimento falhava em imprimir um ritmo condizente com seu número de mesas, demorando por demais em servir suas refeições e transformando aquela agradável tarde de domingo numa por demais arrastada espera.

Gastronomia: 3.3/5

A mercearia serve de um tudo um pouco, entre carnes, massas, risotos e frutos do mar. Todas as carnes – em teoria – são acompanhadas de uma saladinha e uma porção bem brasileira de arroz e feijão. No nosso caso, as guarnições nem sequer chegaram a existir, causando no mínimo uma indagação e uma quebra de expectativa nos clientes. Apesar de tudo na casa ser muito bem feito, poucos itens deram realmente aquele passinho a frente, que atravessa a linha tênue do gostoso para chegar ao sublime. Por fim, a decepção também se encontrava na extrema demora já citada de todos os pratos e em seu infeliz volume certamente incapaz de alimentar bem o número de pessoas proposto pela casa.

Entrada:

Panelinha de polvo: 3/5

Aquela que cativava pelo simpático nome nada mais era que uma pequena entrada, composta de um cozido de polvo, batatas, cebolas e tomates. Não que a entrada fosse exatamente ruim, ela era na verdade gostosinha, porém, sem nenhum destaque, como se fosse um ensopadinho normal feito, no entanto, com uma carne incomum. Ainda assim nosso reduzido cozido tinha pontos positivos que merecem ser ressaltados, temperado de maneira abrasiva com uma agradável páprica, a combinação adquiria uma elegante tonalidade e um sabor muito presente, sua carne muito bem feita utilizava primordialmente a base dos braços do animal, mantendo uma capa de gordura muito mais presente na iguaria. Todo o sabor era elegantemente amenizado pelas batatas que, evitando um exagerado tom picante, conseguiam completar formidavelmente o prato. Seu porém no entanto era muito mais simples, somente esse sabor exótico não era suficiente para suprir a pouca criatividade da minúscula panela, tornando o prato nada surpreendente e substancialmente sem graça.

Pratos principais:

Prime rib com batatas salteadas e cogumelos: 5/5

Composto de um elegante corte, o prato mostrava a verdadeira qualidade gastronômica da casa. Ainda que este reforçasse certo padrão de uma desnecessária economia nos volumes oferecidos pelo estabelecimento (já que a prime rib, primordialmente composta do lombo do boi extraído entre a quinta e a décima segunda costela do animal, é um tradicional corte individual perfeito para alimentar bem uma única pessoa, era descrita como uma porção “para dois”), a casa conseguia aqui imprimir um paladar soberano na iguaria. Composto de uma costela extremamente saborosa, no ponto correto e deliciosamente macia, o já excelente prato era “Oh Meu Deus” absurdamente bem acompanhado. A prime rib vinha de mãos dadas com uma generosa porção de batatinhas salteadas com cogumelos. O ponto das batatas, desmanchando ao menor toque do garfo, assim como dos cogumelos, macios e bem temperados, era de enlouquecer, fazendo o cliente praticamente esquecer a existência da protagonista do prato, a carne. A combinação então de uma carne firme com a textura única da batata se portando perfeitamente na linha do excepcional, tendo seus sabores muito bem compostos e idealmente complementares. Ah, sim, o potinho suplementar de azeite temperado no vinagrete, talvez o chimichurri da casa, era igualmente sensacional, combinando de uma maneira inesperada com as já formidáveis batatinhas.

Pintado com batata recheada de gorgonzola: 3/5

O peixe estava muito bom, perfeitamente feito com uma crosta crocante porém nada exagerada. Optamos pelo acompanhamento da batata recheada com gorgonzola, que também de mostrava extremamente bem feita. Ainda que a nomenclatura “recheada” não faça jus à iguaria cortada pela metade e temperada com um simpático creme de queijo, o prato se mostrava um sucesso de paladares combinados. Tudo era acompanhado de alcaparras muito bem picadas, compondo magnificamente uma combinação clássica com o peixe. Até então um excelente prato, bem feito e visualmente agradável que, infelizmente, tropeçava muito pela desorganização do estabelecimento. O prato que, teoricamente, viria acompanhado de uma salada, um arroz e um feijão, como descrito no cardápio, veio à mesa apenas como descrito acima, resultando num volume por demais escasso, certamente insuficiente para se alimentar uma pessoa já sem fome.

Risoto mineiro: 2/5

Um prato complicado até mesmo de se explicar. Aguado demais, macio além da conta e ridiculamente perfumado, o risoto era a verdadeira ovelha negra da refeição. Seu preparo simples e a opção por pedaços demasiadamente exagerados da linguiça eram incapazes de compor bem o conjunto, o arroz dissolvia exageradamente, seu padrão sem cores deixava o prato digno de pena, e, ainda que sua couve distribuída pelo arroz levantasse sutilmente o conjunto, a atribuição desta crocante sobre o arroz era completamente desnecessária. Porém o que matava este que já não conseguia se sustentar como um bom prato era o extremo, extremo, extremo, e novamente, extremo, tom perfumado. Seu cheiro conseguia ser sentido a um par de mesas de distância, tendo seu sabor completamente massacrado pelo forte perfume.

Custo Benefício: 3/5

A Mercearia é conhecida como exemplo de “valor justo”, porém isso não é uma regra. Realmente, alguns pratos são exemplares e custam valores módicos, assim como outros não tão surpreendentes custam caro. A prime rib, por exemplo, custava R$70 e ainda que fosse o destaque da refeição, passou longe de ser suficiente para duas pessoas. Os demais pratos variavam de R$20 a R$40, dependendo de seus ingredientes, compondo um ticket médio de R$40 por pessoa, sem é claro, qualquer bebida alcoólica. Um valor normal, muito distante de todo aquele sensacionalismo atribuído à casa no quesito.

Dicas:

Ótimo para descontrair e beliscar muito, perfeito para ir com amigos e bater papo sem hora pra sair. Ah, e cheguem cedo, ou sem fome, evitando certo mau humorado oriundo de uma possível fila.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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2 Respostas para “Mercearia 130

  1. Bom dia, antes de mais nada, não tenho ligação nenhuma com o bar além de ser cliente. Gostaria de dar minha opinião sobre a sua opinião.
    Achei o seu texto muito exagerado e cheio de floreios excessivos, que, ao meu ver, parecem forçados como se tentasse parecer com um crítico de renome.
    Você não explorou todo o potencial do lugar, deixando o texto cheio de buracos. Não provou o tartare de salmão que é o melhor que já comi em toda minha vida e a entrada que corresponde a 40% (pelo que eu vejo) de todos os pedidos. Como um crítico não prova a entrada com maior saída da casa?

    Não citou as caipvodkas sensacionais e completamente diferentes do que se vê por ai como opção de bebida. Não falou também do chopp backer ou das cervejas oferecidas.

    Enfim, não me leve a mal. Não estou desmerecendo a sua crítica, estou apenas fazendo uma crítica construtiva.

    Abraço.

    • Bom dia Bernardo, tudo bem?

      Primeiramente, agradecemos a crítica e contribuição com o nosso blog!
      Respondendo aos seus comentários, não é a toa que os críticos de renome, como você mencionou, usem de tantos floreios, principalmente quando tratamos de algo tão sinestésico quanto uma degustação. É necessário transmitir através de um texto sensações obtidas, resultados de aromas, sabores e texturas, afinal quase nunca algo de fácil associação sensorial é simples de se expressar dentro do mundo da escrita.
      Sobre nossas visitas, são todas feitas por profissionais com experiência no setor gastronômico, garantindo sempre que estes tenham completo domínio do tema. Elas também são sempre realizadas num sistema de cliente oculto e propositalmente não falam a respeito de drinks e bebidas (a não ser que estes possam ser enquadrados como sobremesas), afinal isto não faz parte do foco nem do know-how do site e de seus integrantes.
      É bom notar que nossa visita se deu em setembro de 2012, quando a casa poderia ser considerada um bebê comparando com os três anos de existência de hoje, portanto é importante ressaltarmos que certamente a Mercearia 130 daquela época não é mais a mesma da atualidade (o que é ótimo e mostra a evolução do estabelecimento). É bom também notar que sempre damos abertura e perguntamos com frequência aos membros da equipe do estabelecimento se eles indicam pratos, entradas e sobremesas, dando oportunidade para a casa de propor para nós aquilo que ela mesma considera “o melhor de sua cozinha”. O tartare ao qual você se refere não foi sugerido em momento algum, e nem estava em destaque nos quadros do estabelecimento, então possivelmente nem existia na época, mas pode ser uma boa dica para qualquer pessoa que passar por aqui e se sentir curioso para conhecer a casa!
      Finalmente também achamos importante tocar no ponto de que o menu da casa está lá para ser pedido, e acreditamos fortemente que se o prato não for bom o bastante, ele não deveria fazer parte do cardápio. Essa é a simples e única medida que garante a inexistente oportunidade de um cliente optar por uma refeição aquém do nível proposto pelo restaurante.

      Atenciosamente,
      Equipe ONDEcomo.

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