Dorival Bar & Parrilla

NOTA GERAL: 3.9/5

Alameda da Serra, 891 – Vila da Serra – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3643-4311

Localização e Ambiente: 5/5

O Dorival muito se assemelha a seu primo, o Djalma, localizado no bairro Belvedere. Porém o estilo mercearia/salumeria aqui é substituído por uma parrilla uruguaia, provendo estilos mais gaúchos ao lugar. O agrupamento de quadros e painéis caóticos e das paredes de azulejo dá uma característica bem palpável dos hermanos, decorando muito bem o ambiente pouco tradicional. As sugestões e pratos do dia são escritos nos quadros negros distribuídos por todo o salão, conferindo um quê de armazém que combina, e muito, com a proposta. O ambiente é bem amplo, tanto externa quanto internamente, dando um agradável espaço entre as mesas e diferenciando bastante do tradicional boteco mineiro (em que todas as pessoas parecem compartilhar uma única grande e desordenada mesa). Seu ponto é ideal, garantindo certo exclusivismo (o Vila da Serra é um bairro jovem, com moradores de classe média alta, que ainda não tem um pólo gastronômico formado) e destaque, além de ser relativamente tranquilo para se estacionar fora do horário comercial, já que as ruas permitem estacionamento de ambos os lados.

Atendimento: 4/5

Um primor. Aqui se mantém a boa prática do Djalma, em que cada mesa possui uma plaqueta que indica qual garçom é responsável por aquela área. Não só isso facilita para o garçom, que tem melhor controle de seus clientes, quanto para nós, degustadores, que sabemos logo de cada o nome de nosso atendente. Além disso, é muito simpático da casa perguntar na plaquinha como foi o atendimento, garantindo feedback para ela enquanto se gera certa satisfação aos clientes. De qualquer forma, todos os atendentes eram muito presentes, e você pode sim pedir para outro garçom que não o identificado em sua mesa, caso precise, sem prejudicar ninguém. A cozinha era rápida, os atendentes entendiam do cardápio e tudo se seguiu num passo mais que agradável.

Gastronomia: 3.8/5

Um pouco dos hermanos, um poucos dos brasileños. O cardápio não era muito extenso (graças a Deus) e continha opções de carne variadas em cortes também diversos. As entradas, porções e pratos fechados possuíam tanto os tradicionais do Brasil quanto os especiais da parrilla, passando até pelas inesquecíveis empanadas.

Empanada de carne com azeitonas (6 unidades de pasteis portenhos de carne bovina assados, tipicamente temperados com batatas, cebolas e azeitonas): 5/5

Uma excelente empanada, com uma massa muito mais fina que a tradicional, lembrando um pastelzinho de feira. Por mais que estivesse gostosa, crocante e bem fresquinha, o destaque real do prato era certamente a combinação de um elegante recheio, uma carne desfiada e bem temperada, acompanhada de mínimos pedaços de palmito quase imperceptíveis e saborosas fatias de azeitona. Seus sabores misturados mas não sobrepostos faziam da entradinha algo leve, macio e muito harmônico. A carne mais salgadinha dava as mãos para as azeitonas também no páreo pelo sabor mais forte, enquanto os discretos palmitos apenas traziam uma textura mais firme ao conjunto. Por fim, a combinação do recheio com a massa parcialmente queimada era soberba e o resultado, é claro, um primor.

Croquetas de jamón ibérico (6 unidades de bolinhos crocantes recheados com saboroso presunto espanhol): 4/5

Ou: “um creme conformado em bola empanado e frito”. Os enormes bolinhos causavam água na boca ao desfilar pelo salão, resultando num lindo efeito em cadeia que fazia com que todas as mesas próximas pedissem exatamente a mesma entrada para estrear o apetite. Com um recheio saboroso e no limite tênue do enjoativo, o creme de batatas e catupiry era saboroso e até se dava bem com o presunto, deixando, no entanto, os aplausos para a maestria de seu processo de fabricação, afinal empanar um creme e mantê-lo em formato de bola obviamente depende de certo trabalho. Uma pena que o prato era mantido congelado pela casa, prejudicando consideravelmente seu paladar profundo e nivelando os gostos de forma um pouco decepcionantes. Ainda assim, a combinação abismal de texturas deixa qualquer um enlouquecido ao cravar os dentes naquele finíssimo empanado e em seu cremosíssimo recheio.

Lingüiça parrileira (lingüiça de carne suína temperada a moda dos pampas): 3/5

Apesar de seu nome elegante o prato nada mais era que uma simples linguiça de supermercado. Um exemplar naturalmente apimentada, bem feita, de alta qualidade e com pouca gordura, mas ainda assim, uma linguiça simples. A carne combinava muito bem com limão espremido na hora e era o par romântico ideal para um chopp gelado. Uma pena a casa perder a oportunidade de combinar sua linguiça sem graça com algum molho artesanal soberbo, para aí sim criar uma combinação de destaque.

Baby beef (300g): 2/5

Eis a decepção de nossa visita. Ao começarmos com entradas fritas e assadas, que nos surpreenderam tão positivamente, esperávamos na verdade que o expertise da casa se sustentasse em sua defesa de parrilla. A verdade era que seu baby beef não passava do ok, servido num ponto extremamente mal passado e, consequentemente, distante do ao ponto esperado, a carne se mostrava um pouco rígida de mais e com muito pouco gosto de brasa. Um prato simples e um pouco decepcionante que se merecia algum destaque este era pelo seus agradáveis acompanhamentos clássicos, uma farofinha e um potinho de um muito bem pontuado chimichurri.

Arroz carretero (arroz branco com queijo minas ralado gratinado, ervilhas frescas, lingüiça parrillera e ovos caipira): 5/5

Sen-sa-cio-nal!! Um arroz completo, amontoado, caótico e acreditem, nada empapado. Com proporções muito bem definidas, sem exagerar nem faltar em nada, o grão durinho era muitíssimo bem acompanhado do queijo em cubos e suas ervilhas. Ervilha, inclusive, que esbanjavam frescor, servidas ainda dentro de seu invólucro natural e não em sua versão enlatada, as leguminosas formavam uma textura soberba com o restante de seus ingredientes. Acompanhado das mesmas linguiças supracitadas, que conferiam ao arroz um agradável paladar de carne mais salgadinho, o prato era muito bem finalizado com um enorme ovo frito caipira depositado sobre todo o conjunto.

Custo Benefício: 3/5

As porções não são muito baratas, mas temos que lembrar que esse não é apenas um ordinário boteco. Pelo contrário, é um bar e parrilla uruguaia com vários diferenciais, ingredientes extremamente selecionados e um público bem especial. Além disso, é um dos poucos bares do bairro. O ticket médio por pessoa sem bebidas fica próximo aos R$60.

Dicas:

Chegue cedo para poder escolher um lugar e não precisar esperar na fila. Preferencialmente desprenda um belo tempo de seu dia para curtir uma maravilhosa estadia, degustando de tudo um pouco e, é claro, harmonizando seu almoço ou jantar com formidáveis cervejas especiais.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres

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