Gomide

NOTA GERAL: 4.0/5

www.gomiderestaurants.com/gomide/
Rua Tomaz Gonzaga, 189 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3292-4928

Localização e Ambiente: 5/5

A casa recuada abriga um simpático deck com algumas mesas à brisa da noite. Sua entrada é composta por um elegante arco central com portas em madeira e vidro levando as iniciais do lugar, enquanto ao seu redor duas portas em formato de ogivas, fechadas durante a noite, compõem esta bem formada fachada. Sua parte interna se mantém nobre como um transatlântico de luxo, tendo o teto decorado em molduras de bordas douradas, luminárias baixas sobre o balcão do bar, belos quadros e uma grande adega em uma cristaleira ao fundo. A verdade é simples, todo o Gomide exala requinte, desde um magnífico design e arquitetura até uma bela prataria. Sua localização é estratégica, em um lugar mais calmo, mas ainda em Lourdes, mantendo a elegância e o aspecto chique do lugar. Uma vez afastado das caóticas ruas do bairro estacionar durante a noite jamais será um problema, porém ainda assim a casa oferece manobristas simpaticíssimos para guardar seu carro enquanto você aproveita a noite regada a vinho.

Atendimento: 5/5

Correspondendo ao posicionamento e decoração da casa, o Gomide tinha atendentes cordiais compondo cada um de seus ambientes. Não havia um momento em que o cliente ficasse desatendido ou não pudesse fazer contato visual com um dos garçons, garçonetes, ou mesmo o simpaticíssimo maitre. É o tipo de lugar para ser tratado como rei, com todas as regalias, sorrisos e polidez que se tem direito. Mesmo assim, não foram feitas muitas sugestões, dando certa privacidade e liberdade ao cliente para seguir suas preferências ou até evitar um possível desconforto para aqueles menos abertos a novas experiências.

Gastronomia: 4.0/5

Com um cardápio enxuto porém bem composto, o que acreditamos ser um francês era na verdade um franco-italiano, misturando duas das mais deliciosas gastronomias do cenário belo horizontino. Eram diversas opções de carnes vermelhas, aves e peixes, com uma variedade realmente estupenda de frutos do mar. As entradas variam da mais simplificada burrata ao relativamente elaborado salmão defumado, redigindo um menu suave e muito bem bolado.

Couvert: 4/5

O prato nada mais era que uma cesta de pães acompanhada de pastas. Ainda que seus pães fossem verdadeiramente bons, esses não pareciam muito novos e fresquinhos (exceto o de figo), adquirindo uma textura emborrachada e deveras infeliz. O resultado então, apesar de bom, não era o suficiente para estupefar ninguém, mesmo quando acompanhados de formidáveis pastas, uma de tomate seco, simples, temperada no azeite com um pouco de parmesão, e outra de bacalhau com azeitonas, mais elaborada porém com uma pequena porção de seu peixe principal. No geral uma formidável entrada que, mesmo passível de melhorias, dificilmente seria capaz de decepcionar alguém.

Camarões VG com linguini ao pomodoro: 3/5

Servindo um linguini um pouco além do ponto ideal o lindíssimo prato começava aos tropeços. Temperado com um elegante e muito bem feito molho de tomate, que aparentava utilizar tanto da versão tradicional da fruta quanto de seu modelo cereja, o brilho do prato retomava seu caminho através de um saborosíssimo e muito pouco azedo tempero. Uma pena que, talvez pela pressa ou pelo descuido, seu molho de tomate não tenha tido tempo suficiente para envelhecer na panela e ganhar aquela textura terrosa maravilhosa que a fruta possibilita, fazendo com que, apesar de saboroso, o molho ficasse ralo além da conta. Seus camarões inteiros vinham em boa quantidade e servidos num ponto muito bom, o deslize aqui era novamente na opção da casa de não se utilizar no preparo da massa o líquido desprendido pelo pescado, perdendo um pouco o paladar forte do lagostim tão especial nessas receitas. O resultado era uma massa suave demais, aguada demais e com gosto de camarão sensível apenas quando uma parcela deste era realente presente na garfada, mas ainda assim uma massa com sabor requintado e ingrediente muito bem selecionado.

Carrê de cordeiro em crosta de ervas, com risotto de zafferano: 4/5

Composto por um cordeiro, forte e macio como poucas outras carnes, a combinação um pouco batida estava simplesmente estupenda. Com o carrê no ponto perfeito, glaceado e muito bem cortado se desprendendo do osso com uma facilidade incrível, o destaque do prato se voltava imediatamente para sua bem feita carne. Sua crosta de ervas, que infelizmente não passava de um tempero, perdia a oportunidade de se brincar com texturas, adicionando apenas um sutil perfume verde à combinação. Ainda assim a já aclamada combinação tinha todo o sucesso esperado, harmonizando elegantemente uma carne forte e sutilmente adocicada com um charmoso risoto de textura ideal.

Torta de banana com sorvete de pistache e farofa de nozes: 5/5

Feita a partir de uma simpática massa coberta por lâminas de banana, a sobremesa era simplesmente sensacional. As finas fatias da fruta eram elegantemente dispostas sobre a base formando um belo amontoado de pétalas da iguaria, desprendendo seu paladar de maneira forte porém não exagerada e mostrando a todos que ainda existem casas de altíssima gastronomia na capital que se importam com a última etapa de suas refeições. Sobre o bolinho havia então uma bola de sorvete de pistache simplesmente deliciosa, suave, bem texturizada e com um paladar que variava do creme até a semente. Felizmente a opção da casa não passava por todo aquele clássico tom refrescante atribuído aos sorvetes “verdes”, tendo seu gosto seco combinando minimalisticamente com a torta. Para decorar o prato uma simpática farofa de nozes e sementes, além de um elegante creme inglês, que agregavam sutilmente ao prato algumas variações do sabor da fruta e do sorvete, tornando este formidável exemplar numa nada enjoativa sobremesa.

Custo Benefício: 2/5

Um restaurante que condiz com sua fama e seu primor: bom e caro. Seus pratos variavam de R$60 a R$90, aproximadamente, enquanto suas entradas menos elaboradas fica na faixa dos R$30. As sobremesas beiravam os R$20, e o ticket médio, sem o querido vinho, ficava em R$100 por pessoa. Um valor consideravelmente elevado para uma casa que se dá ao luxo de errar, mas ainda assim um valor completamente compreensível pelo nível de atendimento, localização e qualidade dos ingredientes.

Dicas:

Vá para uma noite romântica, aproveitando o frescor do deck, ou para uma comemoração com amigos afortunados, na parte interna. Lembrem-se de reservar, afinal nada mais inconveniente que perder a viagem, e aproveitem a glamourosa noite que certamente agradará a todos.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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