Pacífico Bar e Café

NOTA GERAL: 3.3/5

www.pacificobarcafe.com.br
Rua Pains, 33 – Sion – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3225-1558

Localização e Ambiente: 5/5

O simpático Bar Café na verdade não se parece nem com um bar e nem com um café. O ambiente intimista e escondido mais se assemelhava a um híbrido de bistrô e taverna, com suas paredes de tijolos aparentes, iluminação baixa e cortinas aveludadas. A localização pode ser considerada uma possível pegadinha, numa escada que desce para uma rua que, para qualquer um que não seja muito atento, praticamente não existe! Isso acaba dando um estilo ainda mais reservado ao ambiente que, durante à noite é silencioso e formidável. Talvez seja esse o motivo pelo qual o lugar é conhecido como um dos melhores para se ir a dois, pelo estilo “escondidinho” e, literalmente, pacífico.

Atendimento: 4/5

Os garçons eram simpáticos, conversados e sempre muito bem humorados. Diferente do padrão pomposo de um bistrô, aqui o atendimento se assemelhava muito ao de um excelente bar, com atendentes sempre muito solícitos, sorridentes e entrosados com o público. O destaque fica com sua habilidade em deixar seus clientes bem à vontade, tornando sua estadia e até sua possível espera – à noite o pequeno espaço enche muito, tornando frequente uma longa fila indiana no balcão – muito tranquila e amena. Os pedidos também foram ágeis e corretos, com sugestões bem pontuadas e boas explicações do cardápio.

Gastronomia: 2.8/5

Com um menu de petiscos e porções e outro de pratos individuais, a casa perde um pouco seu foco e acaba sendo levada pela maré da demanda, uma solução que para o Pacífico funcionou, mas que nem sempre é a melhor das escolhas. Nas quartas e quintas a casa também oferece opções de pratos para dois, como sua quase tradicional paella e seu fondue.

Filé de surubim à dorê e molho tártaro: 4/5

Filé de surubim à dorê e molho tártaro

Bem servida e muito cheirosa, a entradinha de simpáticas iscas era uma perdição. Sua casquinha espessa e muito crocante era deliciosa, bem sequinha, e, para os fãs, bem salgadinha. Acompanhava, claro, uma fatia de limão que combinava lindamente com o suave peixe branco, mas que em seu preparo havia sido cortada muito antes do prato ser servido, estando então com suas bordas ressecadas e, consequentemente, com um volume insuficiente de suco. Por outro lado, o ator principal era partido em formidáveis nacos do pescado que, servidos em tamanhos não menos que perfeitos, atribuíam certa excelência em sua proporção de carne e empanado. Tudo então era finalizado por um molho tártaro apenas ok, que, servido à parte, não passava de uma decepcionante, pouco criativa e digna de questionamentos – especialmente quando levamos em conta toda a ambientação da casa – maionese temperada.

Filé alto ao molho de mostarda e mel com risoto de funghi: 2/5

Depois da grande promessa da entrada, admito que estávamos um pouco empolgados para o restante da noite. O primeiro prato que provamos, infelizmente, teve uma frustrante quebra de expectativa, atingindo logo nosso ponto mais rígido: o risoto. Nesse caso, vamos apelidá-lo de purê. Afinal, não havia textura, não havia a sensação do grão duro e nem sequer o sentimento de grão, somente um grande creme com sabor de cogumelos, e, em algum lugar, arroz. Sua carne, bastante alta, se encontrava mais que bem passada, sem o cerne ao menos avermelhado, macio ou suculento, resultando apenas num pouco estimulante acompanhante para o “purê”. Para finalizar, e salvar minimamente o prato, seu molho de mostarda e mel era, no entanto, um farto pecado! Muito gostoso, bem temperado e com seu mel suprimindo um pouco a presença da mostarda, o molho conseguia vislumbrar até certa solução para nosso conjunto vacilante.

Fetuccine ao molho pomodoro com Filet: 2/5

Fetuccine ao molho pomodoro com Filet

Um prato excessivamente básico, relembrando algo próximo a um super valorizado PF. Diferente do exemplar supracitado, a carne aqui conseguia uma melhor, porém limitada, suculência. Com seu ponto próximo do bem passado, porém ainda não atingindo tal nível, a peça ganhava mais relevância dentro do mix de ingredientes utilizados no prato, pecando apenas em não ser acompanhada de qualquer molho, creme, ou outra combinação bem sucedida que indicasse alguma criatividade de seu criador. Seu fetuccine passava longe do satisfatório, num ponto além do ideal, a massa se encontrava sutilmente empapada e com um sabor por demais neutro, que era ainda mais potencializado por seu bom molho de tomates.

Raviolle recheado com carne de sol e abóbora ao molho pomodoro: 4/5

Com uma massa também além do ponto, ficando macia demais e perdendo sua textura típica, o prato de raviólis era gostoso, porém mal servido. Recheado por uma carne e uma abóbora por demais homogeneizadas, a mistura se fundia de uma forma tal que seu interior conseguia um tom constante e até um pouco entediante. Mesmo assim, se seus sabores montavam um padrão digno de bocejos, suas texturas eram elaboradas e diferentes, saltando do por demais cremoso da massa até o gelatinoso formidável das finas fatias de abóboras. Para finalizar e arrematar de vez esta combinação, um molho de tomate muito semelhante ao previamente descrito, porém neste caso, em sua versão ainda mais espessa. O resultado então era um retocado certeiro, forte e nada azedo, trazendo à tona todos os melhores aspectos da fruta e criando os picos diferenciados para a neutralidade de seu recheio.

Strudel de maçã com sorvete de creme: 2/5

Strudel de maçã com sorvete de creme

Muito diferente do novo tradicional, ou melhor, do mundialmente conhecido strudel de maçã, a iguaria aqui tropeçava enfaticamente em suas texturas. O prato era servido completamente empapado num molho de maçã enjoativo, tendo suas teóricas lâminas folhadas amolecidas e arruinadas pelo conjunto. Como recheio, e sutil vislumbre de salvação, agradáveis fatias de maçã, talvez espessas demais, traziam seu formidável gosto adocicado para uma massa desmerecedora de tal. Para acompanhar, uma deslocada calda de caramelo, que talvez pudesse se salvar de alguma forma se numa versão mais espessa e aquecida, e uma terrível bola de sorvete de creme Kibon.

Custo Benefício: 2/5

O ticket médio por pessoa sem bebidas fica próximo aos R$60. O que realmente não é barato nem para um bar e nem para um café. Talvez a defesa de ser um bar “romântico” induza seus clientes a um raciocínio muito mais assimilado ao prazer oferecido por sua companhia que pela gastronomia oferecida pela casa, possibilitando ao estabelecimento elevar ridiculamente seus preços sem se importar com a qualidade da comida oferecida, ou talvez, mas só talvez, as pessoas que frequentam seu ambiente simplesmente não se importam com o que vão comer durante sua estadia, uma vez que suas preocupações estão voltadas para a impressão passada ao seu par. Bom, o que conta aqui, no entanto, é que o Pacífico, apesar de belo e redentor de um excelente atendimento, não é nada, nada excepcional em sua cozinha, ou melhor, nada excepcional para o preço cobrado.

Dicas:

Talvez seja uma boa ideia apostar no lado “bar” do Pacífico e deixar a noite para conversar e petiscar com seu par, aproveitando pratos mais rápidos e de preparo extremamente mais simples. Como já foi dito antes, realmente a casa é ideal para uma visita acompanhada de seu par romântico, portanto, aproveite a oportunidade para se desfrutar uma excelente noite à dois. Ah, e lembre-se de chegar cedo ou reservar, já que a casa realmente enche!

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres

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