Der Famous

NOTA GERAL: 2.3/5

Avenida do Contorno, 6399 – São Pedro  Belo Horizonte – MG 

Localização e Ambiente: 2/5

O Der Famous é uma pequena e nova sanduicheria do sócio e chef do Duke’n’Duke. Apesar de geograficamente próximas, as casa têm focos um pouco distintos: enquanto uma se especializa em refeições completas e sanduíches enormes e bem elaborados para um exemplar jantar, a outra opta por um petisco diferenciado e muito pouco explorado em Belo Horizonte, o pão com linguiça do fim de noite. Sendo assim, e tendo em vista seus horários de funcionamento, estacionar não se mostra um problema, podendo, no máximo, ocorrer uma curtíssima caminhada de poucos metros. Seu ambiente consegue ser ainda mais compacto de que seu, digamos, irmão, comportando apenas um balcão interno e uma meia dúzia de mesas exclusivamente externas. Sua cozinha é aberta ao público, não sendo raro um breve intervalo para observar e se inebriar com o cheiro maravilhoso dos pratos, enquanto sua decoração imprime certo estilo alemão (que combina com o apelido do chef) percebido pelo mimetismo da fachada, simulando uma pequena casa do país europeu, e de seu papel parede de terceira, que esboça a tentativa de imitar uma parede interna de tijolos.

Atendimento: 3/5

Só havia uma garçonete, que, apesar de novata, pareceu se adaptar bem ao movimento e às frequentes requisições dos clientes. Sempre muito simpática e cordial, a atendente tentou explicar bem os pratos e até fazer sugestões, recorrendo ao chef algumas vezes durante um possível momento de dúvida. Nossa visita ocorreu num horário de extremo movimento, com direito até a uma pequena fila de espera, nos servindo então para deixar claro que, apesar de abarrotada de clientes e de ser novata na casa, a filha única do estabelecimento conseguiu se sair muitíssimo bem. Se de um lado as demandas de bebidas e do atendimento da jovem garota conseguiam agradar, doutro, a demora do experiente cozinheiro em liberar pratos num ritmo que apoiasse o posicionamento “fim de noite” decepcionava, e até, ouso dizer, explicava o porquê da possível lotação e acúmulo de pessoas na porta.

Gastronomia: 2.3/5

Mantendo o estilo proposto pela fachada, o Der Famous serve sanduíches em baguetes de vários tipos, com várias linguiças e acompanhamentos diferentes, além de molhos à parte para compor uma boa refeição. Existem opções também de wraps e crepes (ou Kreck’s), saindo um pouco do esperado e atendendo àquele perfil de cliente que não é tão fã das compridinhas e apimentadas que protagonizam o cardápio. Ainda assim a casa não aproveita a oportunidade de oferecer algum acompanhamento para seus não tão grandes sanduíches, ou até de servir também suas linguiças fora do pão, abrindo o leque para uma degustação exclusivamente carnívora.

Franz Beckenbauer (Pão australiano com linguiça picante e molho da casa): 2/5

Franz Beckenbauer (Pão australiano com lingüiça picante e molho da casa)

Picante, enjoativo e mono-tom. Completamente embebido em seu molho apimentado, composto por hortelã, pimenta e tomates, o tempero prometia muito mais em seu descritivo que em sua execução, tendo em seu paladar um ritmo forte, presente, e suficientemente capaz de massacrar toda e qualquer presença da carne, e até, as vezes, do pão. O resultado então era negativamente avassalador, toda e qualquer minúcia das linguiças desaparecia apenas no cheiro forte do cremoso molho, qualquer semblante de qualidade atribuído à carne era completamente ignorado e o resultado era uma monótona, constante e muito questionável linearidade apimentada. Ok, admito que sua escolha de um pão mais adocicado era uma excelente maneira de se aliar uma linguiça provavelmente excelente com um toque de pimenta, e admito também que, para aqueles que buscam um tom alucinantemente apimentado, o prato poderia até se mostrar positivo, no entanto, tenho que questionar o preço elevado cobrado pela casa por um prato que, no final, teria um gosto exclusivamente oriundo de seu molho. Daí a opção então seria oferecer, num preço justo, seu molho separadamente, certamente agregando muito mais valor ao seu cardápio sem se perder o atrativo da pimenta.

Ludwig Van Beethoven (Pão de sal com linguiça fina na cebola caramelizada no Jack Daniel’s): 2/5

Ludwig Van Beethoven (Pão de sal com lingüiça fina na cebola caramelizada no Jack Daniel's)

Composto por um formidável pão e uma ótima porém não tão saborosa linguiça, o conjunto era muitíssimo bem acompanhado de uma quantidade até elevada das suas descritas cebolas caramelizadas no Jack Daniel’s. Começamos então pelo pão, muito semelhante – para não se dizer idêntico, do mesmo fornecedor ou feito da mesma maneira, porém com outro formato – ao pão de sal do Duke’n’Duke, que com uma textura macia e um toque suave dava abertura perfeita para seus ingredientes sem se portar de maneira ignorável na refeição. Passamos para sua linguiça, um pouco sem sabor, que se transformava numa entediante combinação para sua muito mais presente cebola. E, finalmente, terminamos com esta que deveria completar a carne, mas que tomava as rédeas do prato para si, sua cebola teoricamente caramelizada, que reforço o teoricamente porque o resultado obtido pela casa em seu processo, não deveria ser considerado nada mais que um banho numa redução batizada no Jack Daniel’s, faltando com o toque adocicado clássico do caramelizado e sua textura aveludada e extremamente elaborada de um engrossado e aí sim provedor de seu nome, caramelo.

Karl Marx (Pão de sal com linguiça calabresa e chucrute): 4/5

O destaque da noite! Mantendo o mesmo pão elogiado logo à cima, aqui o sanduíche brilha justamente onde as outras opções da casa falhavam. Sua linguiça calabresa mais do que bem preparada era firme em seu paladar e sua combinação com o tradicionalíssimo chucrute alemão era digna de lágrimas. Um sanduíche simples, direto e maravilhoso, que mantinha o principal padrão até agora esquecido pelo Der Famous: uma carne presente que arrematava o destaque principal para si, muito bem auxiliada por um tempero ou molho que atribuía valor ao conjunto, sem sobrepor os demais membros que eram, ambos, completados por um ótimo pão que conseguia não se tornar ignorável.

Crepe de cogumelo chileno funghi séc com requeijão: 1/5 

Crepe de cogumelo chileno funghi séc com requeijão

Para não falar que ficamos só no menu principal, desviamos um pouco da rota e fomos provar o que não era a especialidade da casa, numa ação abarrotada de arrependimentos. Com um sabor único, entediante, e ridiculamente enjoativo o crepe nada mais era que uma massa síria recheada de catupiry, catupiry, requeijão tipo catupiry e um pouco mais de, adivinhem, catupiry. Bastavam então duas pequenas garfadas para se empurrar o prato para longe com cara de basta, seu recheio exclusivamente de queijo com filetes daquilo que, pelo descritivo, deveriam ser cogumelos, tinha o gosto exclusivamente dominado pelo requeijão, conseguindo apenas ter tal monotonia insuportável impactada por outra igualmente nauseante porção, agora decorativa, de páprica. Um prato digno de lamentações que ouso premiar em antecipação, ainda que o ano não tenha acabado, como o PIOR prato degustado no ano de 2012, e olhem bem que este prêmio não é simples de se adquirir, afinal, nesta lista está incluso, dentre muitos outros terrores, até um exemplar estragado de tiramisu.

Custo Benefício: 2/5

Os sanduíches ficam na faixa dos R$17 enquanto os crepes galgam alguns pontos a mais nesta escada de preço passando até dos R$20. Uma precificação extremamente elevada para um pão com linguiça, especialmente um que, apesar de atribuído como gourmet, não consegue surpreender, podendo até ser considerado inferior à algumas daquelas opções servidas pelo terço do preço em lanchonetes no meio de uma estrada.

Dicas:

Sentem-se e peçam o Karl Marx, não pecam tempo ponderando alguma das mostardas batizadas da casa, acreditem quando digo que, provavelmente, as dispostas nas mesas são melhores que suas irmãs a la carte. Se possível, visitem o estabelecimento em números pares, pedindo três sanduíches para duas pessoas, e, para caso eu ainda não tenha deixado claro, evitem os crepes.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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