D’anjou

NOTA GERAL: 2.6/5

www.danjou.com.br
Rua do Ouro, 1381 – Serra – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 2535-3231

Localização e Ambiente: 3/5

Em uma casinha simpática da Serra, o D’anjou é um internacional relativamente novo na cidade, com uma fachada antiga, porém muito conservada, e um espaço interno bastante aconchegante. Suas paredes claras foram recentemente pintadas, e a mobília nova é bastante confortável. Internamente encontramos algumas mesas para 4 pessoas, uma grande mesa e uma varanda lateral que pode ser fechada para eventos e grandes reservas. Aos fundos, mais uma pequena varanda, essa bem arejada, e, pelo caminho de um lado ao outro da casa, é possível ver a cozinha aberta e a simpática chef Marcela preparando delícias que cheiram por todo o quarteirão. As alas são bem adornadas com quadros vivos, que, com o retoque retrô da casa, resultam em uma combinação formidavelmente caseira. O local é bem fácil de encontrar, e, ao menos nos finais de semana, estacionar não deverá ser uma dificuldade.

Atendimento: 3/5

Haviam dois garçons no salão do dia de nossa visita, que eram completamente capazes de atender o movimento do dia. Nosso garçom, na verdade, não era muito simpático, e se manteve sério e fechado durante toda sua superficial interação conosco. Seu passo era ágil e preciso, porém faltava (o que não cansamos de repetir) o toque quente que todos os mineiros estão tão (bem) acostumados a receber. Admitimos que sua frieza era ainda mais nítida quando contrastada pelo pico de simpatia e extroversão da outra garçonete, que não poupava graças e sorrisos com todos os clientes com quem interagia, deixando a experiência cada vez mais leve e agradável.

Gastronomia: 2.6/5

O D’anjou é um restaurante de culinária mista, entitulada aqui culinária internacional. Dessa forma, são misturadas várias vertentes de culinária, sendo servidos pratos de todas as nacionalidades, entre massas, risotos, peixes e outros frutos do mar, carnes vermelhas e até mesmo alguns nuances mineiros e abrasileirados por entre os ingredientes.

Cesta de pães variados com antepastos do dia: 3/5

Cesta de pães variados com antepastos do dia

Uma cesta bastante farta com pães quentinhos, frescos e variados. Dentre nossos exemplares haviam torradas e fatias de pães australianos, bem acompanhadas pelos antepastos do dia: creme de gorgonzola e canard, além de uma tradicional manteiga. O descrito como creme de gorgonzola estava delicioso, porém a casa tinha razão em chamá-lo de creme, ao invés de pasta ou patê, já que sua consistência nada firme exigia que os pães fossem mergulhados e degustados muito rapidamente, evitando causar uma grande bagunça pela mesa. Ainda assim, o descrito merecia certo destaque, deixando seu ingrediente principal ser dosado praticamente à perfeição e consequentemente, evitando que este se tornasse enjoativo ou ignorável. Mantendo o padrão da casa, o canard, pato desfiado e servido no caldo de seu preparo, também era uma tentação, compondo bem os canapés montados pelos clientes, e trazendo um gosto forte e temperado da carne que o pão suavizava lentamente. Para os pães uma combinação um pouco decepcionante, nem um pouco artesanal e batida, formando uma combinação um pouco questionável com seus molhos e nos fazendo perguntar se de fato não era melhor simplesmente mistura-los com a opção igualmente pouco criativa da manteiga.

Risoto de cordeiro: 3/5

Risoto de cordeiro

A promessa desse prato nos chamou a atenção desde a primeira vez que folheamos o cardápio, então não houve como resistir quando chegou a hora de fazer os pedidos. O prato era bem servido e bem apresentado, com quantidades bem dosadas tanto do arroz quando da carne. Seu cordeiro estava bem desfiado, em um ponto excelente e tempero não tão forte quanto a expectativa criada por uma carne tão forte. Para completar o conjunto um arroz que questiono ser ou não especial para o prato em questão, pecando tanto na clássica liga obtida por um bom risoto, quanto em seu ponto muito distante do ideal grano duro. Ainda assim, sua combinação com o cordeiro era muito bem sucedida e o prato era mais do que satisfatório.

Camarões flambados no whisky com risoto de laranja: 3/5

Camarões flambados no whisky com risoto de laranja

Um belo prato, bastante bem servido, com uma generosa porção de camarõezinhos rosados e deliciosos. Os pequenos crustáceos vinham inteiros e estavam realmente deliciosos, com toque leve do whisky e a casquinha crocante e dourada pelo seu preparo. Para completar um risoto igualmente decepcionante àquele supracitado, de sabor suave e com um perfume quase invisível de laranja. Ainda assim, e, junto de seu arroz, aquilo que decepcionava um pouco no prato (especialmente visualmente) era o quão demasiadamente este vinha, digamos, ensopado, deixando tudo mais relativamente enjoativo e de textura invariável.

Magret de Canard Grelhado ao molho de jabuticaba com risoto de queijo Minas: 2/5

Um belo prato, com filetes de pato contornando a porção de risoto, e contaminando o arroz com seu tempero inebriante. A carne, no entanto, não estava no ponto que esperávamos do magret, ficando um pouco além do praticamente cru ideal e obtendo uma textura enrijecida e pouco agradável de se degustar. Algo muito distante daquele tom gelatinoso perfeito da carne contraposto com sua capa de gordura praticamente crocante. Seu risoto mantinha o padrão digno de suspiros de decepção dos demais exemplares experimentados, com uma neutralidade até exagerada. Ainda assim, uma companhia boa para o molho adocicado e para uma carne presente como a empregada aqui.

Creme catalana: 2/5

Creme catalana

O tradicional creme muito semelhante ã seu irmão, o Crème brûlée, simplesmente não conseguia atingir o nível esperado. A começar por sua muito pequena crosta crocante, que, diferente do ideal, não adicionava uma variação de sabor nem de textura relevante à sobremesa, passando por sua textura por demais gelatinosa, muito distante da expectativa de um nomeado creme e, finalmente, finalizando pelo seu sabor, muito, muito distante da expectativa de laranja e canela tradicionais de um creme catalana. Um prato realmente decepcionante, fraco e muito, muito enjoativo em seu gosto insosso e linear.

Custo Benefício: 2/5

O restaurante é um novato que colocou as asinhas de fora na hora de precificar o cardápio, criando uma clientela que ouso dizer ser muito derivada dos sócios do próximo Minas Tênis Clube. Seus valores são, para não se dizer mais, exagerados, com pratos – fora as massas, sempre mais econômicas – se mantendo na média dos R$65. Um valor muito acima de sua execução, que, mesmo justificado por seus teóricos ingredientes selecionados, não condiz com um ambiente apenas ok e sua cozinha passível de falhas. A casa é questionável de um sério reajuste de posicionamento ou de valores, pois apesar da comida ser em suma deliciosa, a sensação de se investir R$300 numa refeição digna de um restaurante de clube é, bom, entristecedora.

Dicas:

A casa tem um ambiente familiar muito avantajado e é ideal para uma refeição de domingo. Aproveitem os frequentes descontos oferecidos em sites especializados, já que a casa busca sempre opções para transformar sua precificação exagerada em algo menos intragável.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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