Taste Vin

NOTA GERAL: 4.2/5

www.tastevin-bh.com.br
Rua Curitiba, 2105 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3292-5423

Localização e Ambiente: 5/5

O Taste Vin é muitíssimo bem localizado, em uma das regiões mais caras do bairro de Lourdes. Cercado por estabelecimentos de todos os estilos (bares, choperias, costelarias, contemporâneos, etc), ele se destaca por sua simplicidade e discrição, frente a todas as fachadas exuberantes e pomposas que o pólo abriga. A simpaticíssima casinha parece um pedacinho do interior da França que foi recortado e colado em Belo Horizonte, com um jardim maravilhoso, mesas e cadeiras com seu estilo bem romântico e paredes recheadas dos mais diversos rótulos servidos pela casa. Sua nobreza de ambiente não ostenta, muito diferente dos restaurantes chiques e modernos que vemos por aí, com lustres gigantescos e garçons tão limpos e indiferentes que chegam a intimidar a clientela. A casa é simples e eficiente, um verdadeiro exemplo de bom gosto, com uma prataria elegante, mesas confortáveis e um cardápio pequeno de revirar os olhos de emoção.

Atendimento: 5/5

Desde a anfitriã que nos recebeu, passando por cada um dos garçons até a simpática gerente/maitre, o atendimento do Taste Vin foi impecável. Fomos recebidos com uma simpatia que, em meio a tanta França, era bem Brasil, repleta de sorrisos e muita prontidão. Os atendentes eram bem informados e sabiam com muita delicadeza sugerir e opinar a respeito dos pratos e vinhos, sempre muito sutis e agradáveis. Um atendimento para não tirar nem por, que por si só já justifica a razão de todas as mesas de seu ambiente estarem abarrotadas de clientes.

Gastronomia: 4.0/5

O francês é famoso por seus suflês e seus vinhos (dizem até que é a carta de vinhos mais completa da cidade). Serve vários pratos típicos, com alguns toques mais abrasileirados que trazem uma deliciosa nuance exótica em cada um dos pratos. São peixes, frutos do mar e carnes com acompanhamentos variados, compondo um excelente conjunto de opções. As sobremesas são várias, todas, claro, super atraentes.

Entrada:

Soufflé gruyère (queijo tipo gruyere, nacional): 5/5

Soufflé gruyère (queijo tipo gruyere, nacional)

Um prato para se comer com os olhos. O belíssimo suflê era, além de bonito, grande e saboroso. Sua massa era demasiadamente aerada, redentora de uma textura maravilhosa e de um volume cautelosamente medido para potinho. Uma preciosidade digna de ser degustada de joelhos que certamente justifica todo o destaque adquirido pela casa ao longo dos anos. Seu único porém é simples e fácil de ser resolvido, afinal, apesar de divino, o suflê se tornavam enjoativo à medida que as garfadas ocorriam, fazendo do charmoso prato um problema para ser finalizado. Para tal nossa dica é simples, basta dividir o prato com um par e transforma-lo numa simpática entrada, ou até num avantajado entre cursos. Sem mais delongas, o carro chefe da casa era soberbo, seu gosto de queijo era presente e marcante enquanto seu sabor de ovo, infelizmente, era sensível demais.

Pratos principais:

Pintade rôtie avec sa sauce (galinha d’angola grelhada, em seu próprio molho, batata dauphinoise): 4/5

A ave era muito boa, sua casca estava ótima e seu surpreendente molho mantinha o paladar forte desta, aparentando apenas uma leve abertura para um tempero que acredito ter base de shoyu e mel. Seu único e muito mais complicado porém se dava pelo sutil – mas ainda assim excessivo – ressecamento da carne, que certamente devido à normal desidratação desta durante seu preparo, a tornava levemente enrijecida e menos suculenta que o perfeito. Para completar, o prato era acompanhado de batatas gratinadas, todas devidamente laminadas e besuntadas em um excelente bechamel, criando uma combinação simples, assertiva e gostosa, que apesar de tudo, decepcionava um pouco em sua monotonia gustativa.

Cherne aux noix macadamia, banane et ketchup de poivron (cherne em crosta de macadâmia, banana da terra e ketchup de pimentão): 4/5

Cherne aux noix macadamia, banane et ketchup de poivron (cherne em crosta de macadâmia, banana da terra e ketchup de pimentão)

O prato é composto por um peixe extremamente saboroso, muito bem acompanhado das finas fatias de banana e de um ótimo pesto de pimentão. Sua crosta, a pequena decepção do prato, não tinha a textura esperada, e seu sabor era, digamos, um pouco ignorável demais. Sua presença então atribuía uma quase invisível neutralidade ao conjunto, passando longe da infinidade de paladares e texturas diferenciadas que a combinação poderia fornecer ao prato. O peixe, por outro lado, era um primor, literalmente derretendo na boca e desfiando ao menor toque do garfo. Para acompanhar, deliciosas fatias de banana traziam um toque adocicado que ia bem contra a carne branca, reforçada pela nuance divina do “ketchup”, ou, como eu diria, pesto de pimentão vermelho e pelo muito bem posicionado enfeite esverdeado do prato.

Sobremesas:

Crème brûlée de baunilha, queimado com açúcar mascavo: 5/5

Uma sobremesa deliciosa, muito bem servida, com a casca perfeitamente tostada e uma proporção de creme e crosta ideal. O prato simples reforçava o excessivo tradicionalismo da casa não apresentando nenhuma diferenciação extra do creme. Ele era, de fato, o clássico dos clássicos em se tratando de sobremesas francesas, quase se tornando (e aqui seria novamente) entediante. Ainda assim, e seja pela simples inexistência de um exemplar bem feito na capital minera, ou por sua execução não menos que perfeita, a sobremesa é mandatória para aqueles que desejam degustar do verdadeiro crème brûlée.

Soufflé banane/chocolat com praliné de amêndoas: 2/5

Soufflé banane chocolat com praliné de amêndoas

Diferentemente do exemplar de queijo, aqui, a banana e o chocolate falhavam em esconder e harmonizar o gosto forte de ovo do prato, deixando a sobremesa ridiculamente enjoativa. O prato, especialmente depois de tamanha surpresa para com os exemplares salgados da casa, era desapontante, enorme e até, depois de algumas garfadas, intragável. O resultado então era uma sobremesa de gosto inicialmente aceitável, de ponto perfeito e volume exagerado, que após algumas poucas garfadas fazia com que seu degustador desistisse do serviço e iniciasse uma busca por alguém em sua mesa disposto à continuar aquilo que ele não mais conseguiria, finalizar o doce.

Custo Beneficio: 3/5

Um restaurante que, como esperávamos, cobra por suas estrelas. Os suflês partem dos R$50 e chegam a beirar a casa da centena, enquanto os pratos ficavam entre R$70 e R$90, dependendo da seleção de ingredientes. Suas sobremesas atingem até os R$20, e o ticket médio ficava na casa dos R$120 para um menu completo, sem vinho. Um valor justo – talvez um pouco elevado demais – pela gastronomia excelente – porém pouco inovadora -, atendimento perfeito e localização soberba do estabelecimento.

Dicas:

Um excelente lugar para um encontro a dois ou uma pequena comemoração entre família. Elimine a entrada e dê inicio à sua refeição com um ótimo suflê dividido entre as partes, ou opte por uma entrada e use da especialidade da casa como um elegante entre cursos. Escolham um bom vinho e aproveitem uma noite sensacional em um dos pontos mais românticos e simpáticos da cidade. Ah! E tentem reservar com um ou dois dias de antecedência, porque o lugar é bem movimentado e uma espera é, quase, inevitável.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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