MeetMe at the Yard

NOTA GERAL: 2.9/5

Rua Curitiba, 2578 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3297-0909

Localização e Ambiente: 5/5

Num ponto muito central de Lourdes, em uma rua paralela àquela onde fica o pólo gastronômico do bairro, o MeetMe é um espaço grande e muito vistoso. Ainda que sua posição não tenha tanta visibilidade e nem metade do fluxo de outras partes do bairro, ela é próxima à tudo de mais luxuoso por ali, deixando claro o posicionamento do local. Essa proximidade leva bastante status e, devido a um mínimo afastamento da grande avenida do bairro, até existe uma pequena facilidade para se estacionamento. A decoração da enorme casa fica então dividida em dois níveis, mantendo um visual extremamente chique e estiloso em ambos. O nível por onde entramos – e o principal da casa – tem mesas de lounge, pontos de abastecimento (geladeiras com bebidas para descentralizar o movimento dos garçons) e até mesmo máquinas de fliperama, além da longuíssima cozinha que ocupa todo o lado direito do lugar. Na parte inferior, mesas maiores e – o mais empolgante – uma enorme projeção na parede do prédio adjacente, que se torna nada menos que uma imensa tela de cinema às terças-feiras e uma excelente opção para se ver todos os tipos de esportes.

Atendimento: 1/5

Um bar iniciante cometendo erros iniciantes de forma realmente alarmante. A extrema desorientação dos garçons chega a irritar, seu poucos funcionários corriam pelo salão como bombeiros apagando um incêndio, não hesitando em ignorar 1, 2, ou todos os clientes que, sem sucesso, tentavam solicitar qualquer coisa do cardápio para qualquer pessoa portadora de uma bandeja. O resultado não era menos que catastrófico, pedidos eram completamente ou parcialmente esquecidos, pratos vinham sem talheres, bebidas sem copos, e as mesas nunca eram retiradas. O problema até então, apesar de grave, poderia ser resolvido apenas relembrando aos garçons do – tanto – que faltava, mas a demora do serviço era tanta que, por vezes, o cliente deveria optar por beber sua bebida direto da lata ou esperar durante os belos vinte e cinco minutos – e notem que esse tempo não é exagerado, ele de fato foi cronometrado – para que seu atendente lhe servisse um copo para sua bebida, agora quente. Portador então do que já posso eleger de antemão o pior atendimento de todas as casas visitadas em 2013, e possivelmente de todos os quase 300 estabelecimentos visitados durante a existência deste site, o MeetMe é, neste quesito, uma vergonha.

Gastronomia: 3.3/5

O MeetMe é um grande mix de restaurante e ambiente artístico-cultural, com algumas pitadas descontraídas de um bar. Seu cardápio é exótico e curto, mantendo opções muito distintas e sempre muito criativas, numa mistura de tendências ao redor do mundo. São, portanto, vários petiscos, sandubas e pratos para jantar, sempre com uma boa dose de ousadia.

Entrada:

Roast beef saam (sashimis de roast beef ao vinagrete koreano, acompanhados de Gohan, wraps de acelga e kimchi): 5/5

Roast beef saam (sashimis de roast beef ao vinagrete koreano, acompanhados de Gohan, wraps de acelga e kimchi)

A  carne era deliciosa, bem temperada e bem feita. Tinha de fato gosto de rosbife e estava devidamente vermelhinha e mal passada, com uma textura macia e tenra muito característica do corte de um sashimi. Para acompanhar uma simpática bola de gohan muitíssimo bem feita e bem temperada, com o toque adocicado perfeito e uma sutil sensação de vinagre. O arroz japonês era o par perfeito para a carne e a liga ideal para o conjunto se manter unido dentro de suas folhas. Finalizando o prato, uma avantajada porção de kimichi, um clássico koreano de vegetais fermentados que temperava, ainda mais, os demais integrantes do conjunto. Tudo isso era agradavelmente levado à mesa de forma individual, deixando para seus degustadores a missão de montar cada um de seus ingredientes nas simpáticas folhas de acelga servidas à parte. Apesar de todos os merecedores elogios, o prato ainda assim tinha seus defeitos, começando pelo seu escasso volume, que certamente poderia ser um pouco maior, e a montagem de seu arroz, que, compensado em exagero, desestruturava seus simpáticos grão e os transformava num não muito agradável acumulado de massa.

Chi lee dog (hot dog aberto com salsicha coreana da casa, queijo gouda gratinado, chilli de feijao com carne ao molho char siu, guacaioli e katsuobushi no pão australiano): 3/5

Chi lee dog (hot dog aberto com salsicha coreana da casa, queijo gouda gratinado, chilli de feijao com carne ao molho char siu, guacaioli e katsuobushi no pão australiano)

Um sanduíche muito bom, com uma lingüiça agradável e um pequeno gosto de conserva. O suposto “hot dog” era dotado de uma saborosa e mínima lingüiça, não muito mais espessa que um lápis, que certamente seria melhor aproveitada e conseguiria melhor relevância perante a todos os demais ingredientes se seu volume não fosse tão ignorável quanto equiparado aos demais membros da peça. A carne era então completada, ou devo dizer, subjugada, por um excelente creme de abacate que, talvez acertadamente, retinha muito pouco do clássico gosto da fruta. Para finalizar o prato um pouquíssimo temperado feijão e uma carne moída adocicada pra lá de blasé. Ah, sim! E não vamos nos esquecer de seu pão australiano, que era realmente bom! Uma pena que, neste exato momento do prato, não bastaria apenas um pão para salvar a experiência.

Malt blast (hambúrguer de fraldinha e panceta ao murro, bacon, queijo gouda, shitake e bourbonion soy sauce, prensados no pão de batata com gergelim preto): 3/5

Malt blast (hambúrguer de fraldinha e panceta ao murro, bacon, queijo gouda, shitake e bourbonion soy sauce, prensados no pão de batata com gergelim preto)

Uma simples e agradável perdição! O hambúrguer era extremamente macio, com uma carne suculenta e até um pouco crua, temperada com bastante bacon que, apesar de incrivelmente gostoso, servia também como um bom coringa para esconder o fato da casa encher a boca em dizer que seu hambúrguer é feito de fraldinha, uma carne que, convenhamos, é de segunda. Ainda assim, seu gosto não era menos que satisfatório e sua farta porção de shitake trazia uma textura e um sabor inigualáveis ao conjunto. Um sanduíche que certamente foi bolado para agradar aqueles que são enjoados com a comida, podendo ser até estabelecido como um “menu kids” de um bar com um cardápio tão diferenciado. O resultado não era menos que excelente, saindo de uma carne agradável, passando por um cogumelo talvez exagerado e sendo finalizando numa excelente fatia de queijo gouda devidamente temperada numa redução de shoyu.

Louisiana prime rib (corte prime Rib especial grelhado, acompanhado de risoto americano de queijos e noz pecan ao tempero cajun): 2/5

Louisiana prime rib (corte prime Rib especial grelhado, acompanhado de risoto americano de queijos e noz pecan ao tempero cajun)

O teórico prato para dois custou para vir, mas chegou bonito e muito, muito cheiroso. Seu corte de costela estava um pouco bem passado demais, deixando a carne dura e MUITO difícil de se partir. Após certo esforço, alguns pedaços da prometida se descolaram do osso dando espaço para uma carne apenas satisfatória. Para completar o prato um risoto num ponto perfeito, com o grão sensível à boca e textura cremosa. Seu porém ficava apenas por conta de seu tempero que, apesar de interessante, passando por picos de sabor entre o adocicado e o ardido, que infelizmente eram todos massacrados por um estranho exagero de canela, canela e mais canela. O resultado então não poderia ser surpreendente, uma carne aquém do teórico corte fino prometido e um risoto de canela.

Custo Benefício: 2/5

Já imaginávamos que, pelo estilo do lugar, o preço seria algo próximo do desespero. E realmente foi! O estabelecimento, que normalmente cobra consumação, não tem qualquer pudor em criar uma carta de comidas e bebidas onde praticamente qualquer pedido já é suficiente para estourar (e muito) seu suposto valor mínimo. Os pratos, apesar de criativos e diferenciados do padrão “filé ao molho de gorgonzola” estabelecido na capital mineira, são mínimos, uma verdadeira piada da casa, que certamente mostra seus dentes deixando claro quão pretensioso é o MeetMe e quão completamente leviano eles acreditam ser seus clientes. Seu ticket médio para um bate papo com comida não fica abaixo dos R$80, isso sem qualquer bebidas alcóolicas. Para se comer e beber, reserve uns bons R$150, isso apenas para começar bem a noite.

Dicas:

O cardápio realmente vale a pena ser provado, ao menos uma vez, apesar de seus valores abusivos. A criatividade dos chefs e digníssima escolha de ingredientes surpreende como poucos lugares em BH. A dica é ir sem se preocupar com o bolso, chegando bem cedo e, de preferência, aproveitando os inúmeros eventos que a casa cria durante seus dias.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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2 Respostas para “MeetMe at the Yard

  1. Em setembro de 2012, um vídeo com o bartender Filipe Brasil pipocou na internet. Ele percorria as ruas da cidade a bordo de um carrão fazendo drinques. Depois, apareceu fantasiado de Darth Vader preparando coquetéis para a cantora Fernanda Takai. Eram virais anunciando um bar. Demorou, mas aconteceu, e o MeetMe At The Yard começou a funcionar no início deste mês. O lugar já merece entrar para a lista dos mais interessantes de BH. Em um casarão em Lourdes, o bartender e seus três sócios conseguiram reunir excelente coquetelaria e atendimento cuidadoso em um ambiente confortável e despretensioso. Prove os drinques tiorba margarita (tequila, pimenta calabresa, suco de maracujá, licor Grand Marnier e suco de limão-siciliano; R$ 20,00) e red tea manhattan (uísque, chá de baunilha vermelha, licor Grand Marnier, hortelã e angustura; R$ 35,00).

    Rua Curitiba, 2578, Lourdes, ☎ 3297-0909 (180 lugares). 19h/1h (fecha dom. e seg.). Cc: todos. Cd: todos. Consumação mínima: R$ 25,00 a R$ 30,00. Aberto em 2013.

    *Espaço disputado: *o quintal funciona como lounge e recebe DJs – ou pode virar um cinema com imagens projetadas no paredão do prédio vizinho

    • 2.9 é nota generosa em 2.8 pontos.

      O lugar é como se fosse um país cheio de guerras, pessoas mortas pelas ruas, cidades cheias de bandidos mas com um cidadão gente fina. O cidadão seria a comida boa e “diferente” (diferente porque ainda existem em BH restaurantes que fogem do padrão belorizontino de homogeneizar absolutamente tudo). Não importa quão gente fina seja o cidadão, ninguém em sã mente gostaria de ir em um lugar assim.

      O preço exorbitante, o atendimento que pode ser classificado como ofensivo e um atentado à sua dignidade como pessoa, o descaso e desrespeito dos donos (exceto um pobre coitado preso ao lugar por qualquer convenção assumida) fazem com que esse seja definitivamente o PIOR lugar para comer em Belo Horizonte.

      O lugar é tão ruim que eu posso seguramente dizer que quem repetiu a dose carece de qualquer inteligência e ama postar foto da comida no instagram. “Search your feelings, you know it’s true”.

      Agora deixo uma consideração: Na porta de entrada da casa deveria estar escrito como na porta do purgatório o seguinte aviso:”Abandone a esperança aquele que aqui entrar”.

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