Haus München – RW 2013, 2ª edição

Em sua segunda edição nesse ano, o Restaurant Week traz 29 opções para almoço e 47 opções para jantar em uma seleção de variadas casas da cidade. O festival acontece entre os dias 26 de agosto e 8 de setembro, mantendo seu menu degustação (entrada, prato principal e sobremesa) com o preço de R$34,90 para a opção diurna e R$47,90 para a noite. Vale lembrar que esse ano, sabe-se Deus porque, existe um tema na Week: “Frutas e Flores”, portanto os menus deverão ter sua criatividade um pouco mais canalizada para cumprir este novo desafio. Durante o festival, nos manteremos dentro de um modelo mais simples de publicações para que vocês possam conferir o maior número possível de casas.

NOTA GERAL: 2.9/5

Menu ALMOÇO

Sobre o Haus München:

O restaurante alemão fica localizado no bairro Santo Agostinho, num ponto um pouco distante da concentração de bares da cidade, porém de fácil acesso e estacionamento relativamente tranquilo. Seu interior recentemente reformado e revitalizado se tornou uma combinação do simples e surpreendente, optando por tons mais claros, uma distribuição de mesas facilitada, além de uma decoração simpática muito semelhante à de uma descolada mercearia, com um punhado de quadros negros em suas paredes – desenhados e preenchidos com receitas – e prateleiras de livros, rótulos de cerveja e porquinhos adornando cada cantinho do estabelecimento.

Gastronomia:

A casa foi reinaugurada com uma nova chef e um novo cardápio, que, apesar de manter o clássico estilo “München” com as tradicionais salsichas, linguiças e a saladinha de batatas, ofereceu ao estabelecimento um novo, digamos, tempero. Para o week então, temos uma farta variedade de opções, com 3 opções de entrada, 3 opções de pratos principais e 2 sobremesas, contemplando um pouco de cada uma de suas especialidades.

Entradas:

Linguiça curada (petisco): 3/5

Linguiça curada (petisco)

O petisco era uma porção individual composta de uma linguiça de fato saborosa, levemente caramelizada, de um sabor simples e eficiente que, banhado num ótimo molho da própria carne, era apenas acompanhada do mais clássico dos clássicos mineiros. Simples e direta, a carne em questão era de fato gostosa, sutilmente apimentada e de textura agradável. Seu invólucro era espesso e presente, escondendo um pouco as minúcias do paladar da carne e, consequentemente, levantando a questão do real paladar atribuído a esta por uma curagem que, sinceramente, se tornava completamente imperceptível dentro do conjunto. Ainda assim um bom prato, especialmente pelo toque artesanal da carne, uma vez que a casa optou por pareá-la com uma versão velha, rígida e de sabor pobre de um pão de queijo.

Tartare de salmão defumado com maçã verde: 2/5

Feito a partir de um digníssimo salmão congelado com defumado praticamente imperceptível, o prato começava mal e terminava ainda pior. Para temperar o peixe incapaz de arrancar suspiros, imperceptíveis cubinhos de maçã, frequentemente confundidos com as igualmente bem cortadas fatias de cebola, adicionavam apenas uma textura extra ao amontoado da carne. O resultado então era simples: todo o tempero desaparecia em meio ao peixe refrigerado, deixando aquela sensação de falta, talvez de um toque cítrico ou apimentado, talvez de algum tempero superior ou até, quem sabe, daquele paladar a mais de um defumado mais presente, qualquer coisa, qualquer coisa para desviar a atenção de um decepcionante peixe congelado.

Pratos principais:

Costelinha confitada ao molho de mexerica com farofinha crock de castanha brasileira: 3/5

Costelinha confitada ao molho de mexerica com farofinha crock de castanha brasileira

Feito a partir de uma ressecada costela, o prato combinava bem sabores mas não tanto texturas. Iniciando por sua carne, que parecia preparada dentro de um curtíssimo período de tempo – algo muito diferente da longa exposição a baixo calor geralmente atribuída ao corte -, deixando seu sabor pobre e sua textura por demais seca. Para acompanhar uma farofa apenas ok, extremamente crocante e meio sem graça, pareada com um fabuloso molho de mexerica que era simplesmente mágico, de sabor cítrico e adocicado perfeito para uma carne mais presente como a da costela.

Filé curado com purê de mostarda e alho-poró: 4/5

Uma combinação simples, feita a partir de uma boa carne, no ponto, acompanhada de um ótimo molho, um formidável purê e um soberbo alho poró. Novamente a casa nos fez perguntar sobre a eficiência e até existência da prometida cura, uma vez que, assim como a linguiça, esta simplesmente não fazia adicionava qualquer vantagem perceptível ao prato, não atribuindo sabor ou suculência à carne. Ainda assim, o integrante principal da peça era primoroso, especialmente quando acompanhado de um soberbo purê de batatas temperado com uma gota de mostarda dijon e um punhado de sementes da iguaria amarela. Uma mistura eficiente e saborosa, que, apesar da simplicidade, combinava soberanamente bem com o molho forte do prato. Para completar o prato, quase como uma cereja para o sundae, um excelente alho poró grelhado que, feito à perfeição, simplesmente arrancava suspiros até daqueles mais carnívoros.

Arroz cremoso com linguiça da casa: 2/5

Arroz cremoso com linguiça da casa

Feito a partir de um arroz apenas gostoso e, de fato, cremoso, o prato falhava primordialmente em seu paladar. Feito a partir de um arroz branco normal, sem qualquer preocupação pelo grão utilizado, a casa optou por se apoiar exclusivamente em seus temperos, deixando de lado este que teoricamente deveria ser o ator principal da peça, o arroz. Era então lógico que, o prato mais bem servido da noite, coroado com uma couve crispy que ultrapassava o exagero, seria um amontoado de sabores não muito bem pensado ou ponderado, o paladar elevado das linguiças, de seu molho e da couve tornavam a combinação uma caótica mistura sem rumo, que após uma bela dúzia de garfadas, já teria se tornado enjoativa.

Sobremesa:

Torta alemã: 2/5

Torta alemã

A sobremesa escolhida pela casa era uma simples, sem graça,  pequena e (infelizmente) feita à base de biscoito maisena, torta holandesa. Feita a partir de uma base digna das tortas de padaria, que não me surpreenderia ser do mesmo fornecedor dos péssimos pães de queijo, o prato começava mal e acabava ainda pior. Seu recheio era ignorável, pouco complexo e sem muito do toque amanteigado geralmente atribuído ao prato, coroado por uma ganache por demais forte para o conjunto digno de esquecimento.

Pastel de maçã e canela com sorvete de creme: 3/5

Para não servir o tradicional strudel em sua versão mais básica, a casa resolveu inserir em seu menu o pastel de maçã, que nada mais era que um strudel de três camadas em formato de pastel. Feito a partir de uma boa ideia o prato tinha como resultado algo não tão impressionante, já que sua versão clássica mantém uma proporção entre massa e recheio que, sinceramente, não estão lá a toa. Para completar, a ausência das inúmeras e volumosas camadas da sobremesa austríaca resultavam num tempo de forno inferior ao desejado, deixando sua massa além do ponto, mas seu recheio ainda cru.

Dicas:

Vá no Haus München com os amigos para uma noite de descontração e degustação de cervejas. Experimente as variadas opções de linguiças/salsichas da casa que, dentro do novo cardápio, são de fato capazes de surpreender.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Tôrres

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