Paradiso

NOTA GERAL: 2.6/5

www.paradisorestaurante.com.br
Rua Leopoldina, 347 – Santo Antônio – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3318-6813

Localização e Ambiente: 4/5

Dos mesmos donos do Pellegrino (que já conferimos há algum tempo), a casa tem ambiente quase tão bucólico quanto o de seu irmão. Com uma fachada simplista e apagada, o estabelecimento dá olá para seus clientes através de uma mureta baixa em uma combinação de tons escuros. Se externamente as pessoas podem até passar despercebidas pelo local, é internamente que o Paradiso exalta simpatia e aconchego, fidelizando seus clientes por um ambiente mais que primoroso. Não há nada de luxuoso ou sofisticado, apenas um toque acolhedor nos pequenos detalhes da decoração, tanto no romantismo da parte coberta quanto na descontração de seu jardim interno, excelente para almoços de primavera ou outono. Sua localização é boa, um pouco fora dos focos de gastronomia da cidade, mas ainda assim aceitavelmente próximo de alguns.

Atendimento: 3/5

Os garçons do local conhecem do cardápio e parecem velhos de casa. Uma sensação geralmente boa que poderia ser ainda melhor se estes, entrosados com a cozinha e os pratos desta, vendessem o cardápio e proporcionassem a seus clientes uma excelente estadia. O porém do atendimento da casa no entanto fica justamente pela outra face da moeda desta sensação de garçons “velhos de casa”, aquela que aparenta certo sofrimento por cada minuto de trabalho, sempre atendendo seus clientes com certo desdém e considerável impaciência. Ainda assim sabemos que todos passam por dias ruins e, de qualquer forma, ainda que desgostoso, o atendimento acontecia de maneira minimamente eficiente.

Gastronomia: 2.0/5

O cardápio é bastante variado, contendo opções para todos os gostos. São peixes, carnes vermelhas, frango, massas e risotos, tudo servidos de forma diversificada e com temperos variados. A casa apresenta um acumulado de itens clássicos tanto nas entradas quanto nos pratos principais, porém também mostra criatividade com opções mais exóticas e extravagantes.

Entrada:

Ribs Confit (ao melaço e abacaxi picante): 2/5

Ribs Confit (ao melaço e abacaxi picante)

A entrada que pedimos foi uma das que nos deu água na boca, um confit de costela com melaço que parecia ser justamente o que precisávamos para adentrar num belo almoço. Seu cheiro era de fato inebriante, mais pelo adocicado melaço que pela costela, mas ainda assim, primoroso. A entradinha de tamanho minúsculo era no entanto uma porção de decepções, primeiramente pelo tempo de preparo curtíssimo oferecido à costela – que alvejava qualquer oportunidade da carne se encontrar suculenta e de sabor avantajado – transformando-a num duro e ressecado exemplar. Passamos então para o melaço e seu abacaxi, quase inexistente, que, triturado como um purê e dosado de forma a destacar exclusivamente o açúcar do prato (e não o paladar complexo da fruta), servia mais como um desvio de atenção para a infeliz fatia de carne sem sabor, do que para intensificar as possíveis vantagens do prato. Outra tristeza que funcionava mais como a cereja do bolo de decepção era a ausência do suposto picante, que, se não esquecido pela cozinha da casa, simplesmente se perdia em meio a tanto doce.

Pratos principais:

Risoto malbec com ragu de cordeiro: 1/5

Risoto malbec com ragu de cordeiro

O prato bem servido foi uma esperança quebrada no Paradiso. Seu risoto, apesar de bonito e cheiroso, estava completamente fora do ponto, ficando mole e quebradiço demais, mostrando uma questionável qualidade do arroz e certo descuido em seu preparo. Seus grãos então proporcionavam uma textura que não agregava nada às mordidas, uma vez que seu estilo empapado simplesmente transformava o todo num decepcionante creme com sensação de empelotado. Para completar o prato, uma carne era misturada aos grãos de forma elegante, mas criando um problema ainda maior ao prato, uma vez que aquele suposto ragu certamente não era de cordeiro. A verdade então era dura e cruel, uma vez que a casa acabava de levar à mesa um prato completado com uma carne de panela quase ultrajante, zombando de seus clientes que desfrutariam não apenas de uma carne diferente do proposto sem sequer serem informados, como também provariam de uma opção substancialmente mais barata que a prometida.

Carne de lata (pernil confitado e desfiado com torrone de mandioca e aligot de queijo canastra): 3/5

Carne de lata (pernil confitado e desfiado com torrone de mandioca e aligot de queijo canastra)

A carne servida era boa, confitada como a entrada, porém preparada de forma muito mais elegante que esta, não a deixando ressecada nem enrijecida. Seu purê – e notem que digo purê, uma vez que sua textura era muito diferente da elasticidade de um aligot e seu ingrediente principal distante das batatas – acompanhava bem a carne com gosto forte de banana. O creme era então combinação ideal para o o pernil, que se mesclava bem com o adocicado extra fornecido pela fruta. Para completar e transformar o prato em algo sutilmente enjoativo, a louça era então decorada com uma considerável porção de melaço multicolorido, capaz de fazer qualquer um suspirar de desapontamento. Para finalizar tão mal quanto começamos, seu torrone de mandioca aparentava estar mais perdido do que um cego dentro de um tiroteio. O pobre acompanhamento tentava, sem muito sucesso, neutralizar todo aquele turbilhão de sabores primordialmente doces, agregando uma textura por demais dura que faria as pessoas se questionarem sobre seu correto nome, uma vez que torresmo de mandioca certamente seria um título mais apropriado.

Custo Benefício: 2/5

Os pratos ficam na média dos R$45, enquanto as entradas chegam até os R$40, dependendo de seus ingredientes. Um restaurante caro para sua excessiva normalidade e descuido. O preço padrão de restaurantes de BH – ticket médio de R$60, sem bebidas – vem dominando de tal forma que muitas casas acreditam que seu menu não tem sequer importância, se sustentando apenas num ambiente minimamente convidativo e no mal gosto daqueles que as frequentam.

Dicas:

Vá ao Paradiso se for encontrar com os amigos. O melhor do lugar é o ambiente e os petiscos, portanto vale para um happy hour ou aniversário de alguém. Se for jantar, talvez seja melhor gastar o mesmo valor em um lugar, digamos, diferenciado.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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