Pletora

NOTA GERAL: 3.6/5

Rua Levindo Lopes, 12 – Savassi – MG | Tel: (31) 2516-0489

Localização e Ambiente: 4/5

O Pletora é um árabe relativamente recente em BH, localizado em um ponto de fácil acesso e rodeado por outros estabelecimentos gastronômicos. Ao seu lado está o tradicional Donna Derna, italiano super antigo na cidade, e do outro lado o Copa, um simpático restaurante com excelentes opções vegetarianas. Com um espaço super bem aproveitado, a casa estende suas mesas ao longo de um esbelto corredor, até um simpático balcão de frios onde muitas das opções da carta se encontram expostas. Para completar seu espaço, o Pletora avança para a calçada deixando a opção de uma ambientação mais descontraída, ideal para uma grande família. Sua decoração é simpática, com elementos que adicionam um toque de armazém ao ambiente, aparentemente uma nova moda de design dos estabelecimentos da capital, atribuindo um visual vintage e tradicional à casa. Suas paredes são decoradas com quadros-negros, um longo espelho (que amplia as dimensões do local) e uma divisória vazada delicadíssima que evita qualquer sensação claustrofóbica no restaurante. Para completar com um toque rústico correntes prendem os lustres baixos, incrementando certo romantismo à cena.

Atendimento: 4/5

O Pletora tem garçons que definitivamente vestem a camisa da casa. São solícitos, indicam quase todos os pratos, conhecem o menu como ninguém e não hesitam em sugerir ou opinar nas escolhas dos clientes, sempre de forma muito delicada e nada invasiva. Nosso atendente vinha sempre com um sorriso no rosto, altamente bem humorado, e expunha as delícias do cardápio com tamanha propriedade que alguém poderia pensar que faz parte da cozinha da casa.

Gastronomia: 3.4/5

Sua especialidade árabe não deixa brechas. Os pratos são todos muito típicos da comida sírio-libanesa, contemplando quibes (assados, fritos, crus), esfihas, tabule, kafta, coalhada, grão de bico e tudo que se poderia esperar de um lugar com esse tema. As combinações são muito bem feitas, distribuídas entre petiscos e pratos principais. No entanto vale ressaltar que seus pratos são pequenos, praticamente obrigando seus clientes a uma das variadas opções de entradas da casa.

Entrada:

Mix do Balcão (babaganoush, homus, coalhada seca, azeitona azapa e kibe cru com 4 pães sírios): 3/5

Mix do Balcão (babaganoush, homus, coalhada seca, azeitona azapa e kibe cru com 4 pães sírios)

Uma sugestão de entrada muito interessante, com pequenas porções de cada um dos acompanhamentos da casa. É como um sampler (uma amostra da especialidade do local), uma maneira ideal para começar um almoço, compor um lanche ou até acompanhar a famosa cervejinha. O simpático mix vinha com 5 potinhos à escolha do freguês e 4 pães sírios para acompanhar, uma verdadeira tentação para os entusiastas das pastas árabes. Dentre as escolhas ficamos com as clássicas, mais conhecidas e provavelmente mais pedidas, para garantir que estaríamos entrando dentro da suposta zona de conforto da casa e, consequentemente, experimentando o melhor dos mundos. Dando o pontapé então pela sua soberba coalhada, de paladar distinto e textura perfeita, a pasta de sabor azedo era perfeita para acompanhar qualquer um dos itens do cardápio, especialmente quando combinadas com as simples porém ainda assim muito bem selecionadas azeitonas azapa. Uma dupla simples e eficiente, que sozinha sustentava toda a simpática entradinha de forma surpreendente, ainda mais quando comparada a um simples e pouco temperado homus, a um kibe cru distante de fresco e a um babaganoush extremamente duvidoso. Esta última, inclusive, além de não exprimir qualquer sabor de berinjela, seu ingrediente principal, tinha sua sensação de defumado atribuída não por um processo real de defumação, mas sim por um tempero terrível e mal misturado que adicionava um pontual e muito forte gosto de carvão em apenas algumas partes da pasta. Para completar, um pão padrão com aparência de velho que sequer parecia artesanal, um acompanhamento nada digno da saborosa coalhada.

Quibe frito de carne bovina (6 unid): 4/5

Quibe frito de carne bovina

Simplesmente sem igual! A pequena porção tinha kibinhos gordinhos e muito bem secos, sem aquela péssima sensação de uma fritura engordurada. Sua carne estava bem feita, melhor, sua carne estava perfeita, conformada de maneira ótima e nada muito prensada, deixando uma textura agradável à mordida que não se desmanchava com muita facilidade. Seu tempero exagerado era a perfeita definição da culinária sírio-libanesa e ideal para combinar com as fatias de limão ou qualquer uma das pastas do balcão, especialmente é claro, da coalhada.

Pratos principais:

Kafta de cordeiro com fatouche (alface americana, rabanete, cebola, pepino, hortelã, salsa, cebolinha, pimentões verde e vermelho e pão árabe tostado): 3/5

Kafta de cordeiro com fatouche

Com um toque muito, muito, muito avinagrado, a salada nomeada de fatouche acaba se tornando um vinagrete, muito comum nas casas de churrasco do brasil, porém aqui com um toque a mais de tempero. Sua combinação funcionava na medida do possível, especialmente pelo rabanete e seu tom picante, que, misturado à hortelã criava uma exótica saladinha ora quente, ora refrescante. Seu porém e verdadeira pena era apenas seu exagerado tom de vinagre, que fazia todos os cubinhos ali muito bem distribuídos um conjunto por demais enjoativo. Para finalizar uma kafta de cordeiro apenas ok, que apesar de seu ótimo sabor, tropeçava num preparo desleixado, servindo uma carne não tão bem limpa e levemente dura, provavelmente devido a uma excessiva pressão aplicada sobre esta. Este, assim como todos os demais pratos principais da casa, tinham uma porção muito pouco volumosa, quase que obrigando seu cliente a pedir uma entrada, ou um segundo prato para finalizar sua refeição.

Quibe assado com coalhada fresca e tabule (hortelã, trigo, tomate, cebola, pepino, salsa e cebolinha): 3/5

Quibe assado com coalhada fresca e tabule

Um belo kibe, feito a partir da mesma (e já bem falada) carne que compõe a iguaria frita, descrita dentro das entradas. Neste caso, no entanto, sua carne era assada e seu toque delicioso, talvez um pouco mais ressecado que a porçãozinha de entrada, porém ainda assim macio e de sabor elegante. Para acompanhar, uma coalhada fresca sem graça e um tabule muitíssimo bem temperado que ajudava a quebrar a linearidade do ator principal do prato, dando uma pitada de frescor clássica da culinária da casa.

Sobremesa:

Brigadeiro de pistache: 4/5

Brigadeiro de pistache

Diferente da expectativa, a sobremesa nomeada de brigadeiro de pistache era, na verdade, uma pasta de pistache soberba. É verdade que o prato provavelmente combinaria muitíssimo bem com um chocolate meio amargo, se transformando de fato num brigadeiro, mas também é verdade que este, servido como foi, não deixava ser ser surpreendente. Sua combinação de leite condensado com pistache proporcionava uma textura soberba, especialmente quando as sementes eram toscamente moídas de maneira irregular, criando níveis de sabor distintos em cada bocada. Uma deliciosa sobremesa, que talvez pela ausência de chocolate se torne doce demais para alguns, mas, ainda assim, uma excelente opção.

Custo Benefício: 3/5

Não se engane pelos preços do cardápio. A verdade é que quando deparamos com os valores da carta ficamos altamente surpreendidos, ainda mais sabendo que a culinária árabe não é servida como uma das mais baratas dentro da capital mineira. Ainda assim, e por mais convidativos que sejam os valores, entendam que o volume geral, e pequeno, dos pratos, acompanha a curva dos preços. Seu ticket médio para uma refeição agradável ficará próximo aos R$70.

Dicas:

Prove o Pletora num dia sem muita fome, de preferência num horário de lanche, para aproveitar os petiscos e o ambiente agradável da casa. O estabelecimento é super aconchegante e os valores, quando rateados, podem ser muito válidos.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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