CMYK

NOTA GERAL: 4.3/5

Rua Alvarenga Peixoto, 378 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3245-1745

Localização e Ambiente: 5/5

O CMYK é um novo ambiente lounge bem no coração de Lourdes, justamente onde se encontrava o subsolo do antigo The Art from Mars. Com uma aparência consideravelmente noturna, talvez herança do falecido, o estabelecimento engana ao exibir apenas um funcional restaurante, não dando espaço para o modelo Dining Club que conquistou parte do bairro. Como era de se imaginar pelo seu nome tão característico, sua defesa se baseia na clássica paleta de cores (Ciano, Magenta, Yellow e Black – ou em português, amarelo e preto) tendo tanto sua logo quanto seu cardápio fiéis a essa ideia. Externamente há uma simpática varanda, ideal para petiscar e beber com os amigos, se a intenção for um programa mais casual. Para seu interior a casa apresenta um ar mais sóbrio, com mesas bem distribuídas e  iluminação baixa, além de um longo balcão onde encontramos um bar provavelmente simples demais para a clientela esperada pelo estabelecimento.

Atendimento: 5/5

Fomos num dia de calmaria. Era um almoço de domingo, dia em que as famílias preferem lotar os lugares mais tradicionais da cidade, criando filas absurdas para provar muitas vezes de uma comida apenas ok (e normalmente repetida), ao invés de experimentar algo novo. O resultado desta combinação foi então um atendimento mais que exclusivo, com uma garçonete que só dividiu sua atenção com outro par de mesas, garantindo que ficássemos bem servidos durante toda nossa visita. Ainda assim, e baixo movimento à parte, nosso atendimento se apresentou sem pontas soltas, nos servindo durante toda à tarde de maneira mais que elegante, sempre próxima, simpática e se mostrando conhecedora do recente ambiente de trabalho. Outro destaque fica por conta do proprietário, presente no momento de nossa visita, e do relativamente tímido chef, que esporadicamente visitava as mesas da casa para saber do andamento de suas refeições, ambos, durante todos os momentos, tentando criar a melhor das atmosferas para seus clientes.

Gastronomia: 3.8/5

Um contemporâneo com cardápio enxuto e preços razoáveis, quem diria não? Seu cardápio oferece opções variadas com pratos suficientemente simples e eficientes, onde para aqueles menos confortáveis com as opções carnívoras existem também alguns opcionais vegetarianos.

Entrada:

Tour de filet (finas fatias de filet mignon ao seu molho entremeadas com queijo gruyére): 3/5

Tour de filet (finas fatias de filet mignon ao seu molho entremeadas com queijo gruyére)

A entrada que como diria a garçonete era “bem individual”, tinha volume reduzido, mas mantinha um tamanho correto para sua função, podendo até ser dividida, sem muitos pesares, por um casal. Seu prato, de montagem simples, era um amontoado de carnes e queijos entrelaçados, todos temperados por uma porção avantajada do molho padrão de todas as carnes vermelhas da casa. Começando então pelo filet que, muito fino, perdia líquido por demais durante seu preparo, se enrijecendo levemente e abandonando toda aquela esperada suculência, passando então para seu molho excessivamente amargo e provavelmente queimado e finalizando em seu queijo não completamente derretido, criando um gradiente de texturas dispensáveis. O resultado, apesar de tudo, era um prato bom, que poderia ser melhorado em variados pontos, se tornando talvez até excelente.

Pratos principais:

Lombinho ao aroma de tangerina com purê de taioba: 5/5

Lombinho ao aroma de tangerina com purê de taioba

Perfeito, simplesmente perfeito. O lombo era nada menos que maravilhoso, feito em fogo lento até que sua carne ficasse bastante suculenta e num ponto quase desmanchando, mas não tão exageradamente mole ao ponto de perder a forma. Esta carne, que já era formidável o bastante sozinha, era então decorada por um molho de tangerinas que agregava um adicional adocicado/cítrico perfeito para o porco, e tudo era então apreado por um maravilhoso purê que, meu Deus, poderia se considerado a definição do amor forma de creme. A pasta esverdeada com pouco gosto das folhas tinha um sabor levemente refrescante da taioba, deixando muito mais presente o paladar claro das batatas, além de uma textura digna de lágrimas de felicidade. Um prato verdadeiramente merecedor de aplausos.

Cartoccio de salmão (abobrinha, berinjela, tomate italiano, champignon, alcaparras, azeitona preta, ervas e vinho branco, assado em envelope de alumínio): 4/5

Cartoccio de salmão (abobrinha, berinjela, tomate italiano, champignon, alcaparras, azeitona preta, ervas e vinho branco, assado em envelope de alumínio)

O prato é servido de maneira a gerar curiosidade, levado à mesa ainda dentro de seu invólucro. O exótico pedaço de alumínio muito se assemelhava a um balão. Uma vez à mesa todo um ritual se iniciava, onde a garçonete abria o avantajado travesseiro revelando uma avantajada peça do peixe e um amontoado de legumes para acompanhar. Se de um lado todo aquele teatro ajudava a criar uma atmosfera que certamente estimularia um pedido semelhante para os clientes das mesas adjacentes, uma vez aberto, o prato se tornava feio e visualmente desestimulante, dando abertura a certo questionamento no qual poderia ser uma ideia melhor se o próprio chef, ainda na cozinha, montasse algo mais interessante com os ingredientes retirados do papelote, evitando abandonar todo aquele amontoado de coisas à frente de um cliente que, certamente, se perguntará porque diabos sua comida é tão semelhante a uma fralda suja. Visuais de lado, o prato em questão era montado em torno de uma peça de um digníssimo salmão muito bem acompanhada de excelentes fatias de berinjela, abobrinha, tomates e outros, que uma vez assados juntos do pescado se desfaziam ao menor toque do garfo, liberando todo seu excelente sabor.

Tagliatelle mediterrâneo (massa caseira ao pomodoro, búfala e rúcula com filé grelhado): 4/5

Tagliatelle mediterrâneo (massa caseira ao pomodoro, búfala e rúcula com filé grelhado)

O prato mais bonito da mesa, com uma massa cirurgicamente enrolada na ponta do garfo e duas avantajadas peças de filé para acompanhar. Seu tagliatelli era uma bela definição de perfeição, estando não menos que num correto al dente, onde este se desfazia à boca não sem antes fornecer aquela agradável sensação firme de uma boa pasta. O macarrão de sabor caseiro e frescor incomum da capital das massas congeladas elevava significativamente o prato, tornando aquele um item único, muito bem acompanhado pelo molho de tomates e seus pequenos pedaçinhos de muçarela de búfala (que além de trazerem um geladinho ainda vinham com uma textura super especial). Tudo era então decorado por pequenas folhas de rúcula que, apesar de extremamente bonitas, não conseguiam atingir aquele toque único de um excepcional basílico pareado a um ótimo tomate, e pelo par de filés, que mais macios que a opção da entrada, eram infelizmente acompanhadas pelo mesmo molho queimado.

Sobremesa:

Parfait de chocolate meio amargo com pão de chocolate e creme de baunilha: 3/5

Parfait de chocolate meio amargo com pão de chocolate e creme de baunilha

O pão estava excelente, com textura firme e bem crocante, acrescentando um sabor quase alcoólico típico do panetone, sendo então acompanhado de uma lâmina de parfait não tão amargo e uma bela colherada de um ótimo chantilly de baunilha. Tudo era muito bem montado e bolado, tendo como destaque principal a fatia ainda quente do pão que se contrastava muitíssimo bem com o parfait resfriado, sendo ambos acompanhados por outra iguaria incomum na capital, um creme de leite fresco enriquecido por sementes de baunilha de verdade, um verdadeiro destaque que poderia ser muito mais surpreendente se, talvez numa tentativa de viabilizar um bom preço para os pratos, a casa não economizasse demais na relativamente cara iguaria, deixando seu paladar relativamente ignorável e atribuindo mais ao prato pela adição de uma textura extra do chantilly do que pelo perfume único de suas sementes.

Custo Benefício: 4/5

Um valor super atrativo, na verdade, atrativo até demais, algo que acaba nos fazendo ponderar até quando esta casa se manterá funcionando dentro deste regime de precificação não exagerado, algo que, acreditem, é muitíssimo incomum no bairro de Lourdes. A casa exibe então uma combinação avassaladora de um ambiente fino, um atendimento de primeira e um cardápio com pratos entre R$30 e R$40 que são de fato bons. Para completar o estabelecimento ainda oferece uma opção de menu degustação sazonal por R$58, deixando tudo ainda mais interessante.

Dicas:

Vá ao CMYK para um jantar mais íntimo (em casal ou 2 casais no máximo) e se delicie na finesse de seu ambiente interno ou então aproveite a parte externa com um grupo de amigos maior e certamente mais barulhento. Só não se esqueçam de ir, uma vez que a casa realmente merece uma visita.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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2 Respostas para “CMYK

  1. Sou seguidor do site e o considero uma referência na gastronomia de BH, mas desta vez vou ter que discordar de algumas coisas com relação ao CMYK Restaurant & Bar.

    Coincidentemente, pedi a mestra entrada e pratos principais e minhas impressões foram contrárias. Achei o Tour de filet delicioso, a carne estava suculenta e no ponto certo, o molho estava encorpado e saboroso, sem o amargor que vocês notaram. O queijo se fez presente e um bom complemento.

    Quanto ao Lombinho, achei menos que memorável. O lombo em si estava ótimo, um pouco mal temperado para o meu paladar, mas perfeitamente assado e tenro. O purê que veio no meu prato estava definitivamente num tom muito mais escuro que esse da foto acima, o que talvez explique a textura aparentemente mais encorpada e um certo amargor da folha. Por fim, o molho cítrico também não veio como na foto, servido sobre a carne, bem colorido e atraente; ao contrário, estava ralo, molhando o fundo do prato, e quase imperceptível. Não notei o sabor agridoce que teria combinado tão bem com o porco, apenas o cítrico. Nenhum perfume de tangerina. A sensação final foi de um prato equivocado.

    O cartoccio estava bem executado, com o filé no ponto e uma explosão de aromas ao cortar do papel. O arroz estava perfeitamente temperado.

    Para concluir, recomendo a sobremesa, as frutas assadas ao porto com sorvete de creme, simplesmente perfeita, servida elegantemente numa taça, a perfeita sobremesa de verão que, sozinha, me fez querer retornar.

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