Bistrô do Divino

NOTA GERAL: 2.0/5

Rua Desembargador Jorge Fontana, 396 – Belvedere – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3286-8431

Localização e Ambiente: 2/5

O Bistrô do Divino é um restaurante localizado no Belvedere, um pouco distante do pequeno polo gastronômico do bairro, mas ainda assim próximo de outros estabelecimento comerciais. Seu ambiente é intimista, porém esbarra no aperto de um cubículo, mesmo que a constrangedora proximidade das mesas pudesse ser relevada, o reduzido espaço oferecido pelas mesmas ainda tornaria complicada a disposição de quatro seres humanos normais em suas propostas dimensões. Para completar, uma decoração sacra era então evidenciada nas paredes, e pequenas velas eram acrescentadas às mesas, deixando o espaço um pouco mais quente e indicando o foco do estabelecimento em atender primordialmente casais. Seu verdadeiro tropeço, no entanto, se dava não pela ambientação da casa, mas sim por sua logística de exaustão, que atribuía a todo este ambiente previamente descrito um presente mau cheiro de gordura há meses acumulada.

Atendimento: 3/5

Com a casa cheia e o pequeno salão abarrotado de clientes, nosso único atendente não conseguia de maneira alguma prover atenção a todas as mesas ávidas por realizar os mais diversos pedidos. O resultado então era uma infeliz pessoa correndo de lado a lado, preparando copos e separando bebidas, pegando pratos e tentando de qualquer maneira não passar a sensação clara de que aquele não era e nem nunca será o trabalho de apenas uma pessoa. Para piorar o sentimento de descaso, um par de teóricos funcionários se escondiam por de trás do balcão quase que se divertindo com a débil cena de um garçom se estripando entre as mesas, tentando e falhando em atender toda a demanda da casa. Se no salão existiam problemas, para a cozinha a realidade se mantinha em um padrão igualmente baixo, entregando pratos que claramente utilizavam ingredientes congelados com uma demora no mínimo impressionante.

Gastronomia: 2.0/5

A carta engloba pratos internacionais com variações de massas, carnes vermelhas, peixes e risotos. São combinações simples e nada criativas que conseguem agradar praticamente a todos com sua variedade de sabores, o que vem se tornando quase um padrão em todos os estabelecimentos belo horizontinos.

Entrada:

Bolinho de risoto (abóbora com carne seca): 2/5

Bolinho de risoto (abóbora com carne seca)

O teórico arancine da casa era recheado de carne seca e cubinhos de abóbora, sendo então empanado e frito à exaustão. Com uma porção até bem servida, os pretos bolinhos, que como eu disse eram fritos à exaustão, eram então pareados de um par de simpáticas colherinhas muito bem preenchidas do mesmo molho de tomates. Se sua cor deveras distante do belo dourado convidativo dos empanados não era o bastante para o desapontamento de qualquer pessoa, as gotas de gordura que o acompanhavam fechariam o caso. Para completar o todo, um paladar simples e cortante de um arroz branco normal, deveras distante do arbóreo ou carnarolli esperado, que era então envolto em uma praticamente inexistente porção de seus ingredientes, a abóbora e a carne seca. O resultado então eram bolinhos de arroz branco empanados e queimados. Uma tristeza.

Pratos principais:

Linguado ao veloutè de camarões (acompanha purê de batatas com queijo brie, Mostarda Dijon e legumes sauté): 1/5

Linguado ao veloutè de camarões (acompanha purê de batatas com queijo brie, Mostarda Dijon e legumes sauté)

Um dos pratos recomendados pelo garçom como “especialidade da casa” iniciava este que chamaremos de 2º round de decepções. Montado a partir de um peixe perfeitamente ignorável, de sabor fraco típico de uma iguaria congelada múltiplas vezes, a carne não conseguia obter qualquer destaque dentro do todo. Para completar o desando, quatro camarões de sabores igualmente ruins aos de seu parceiro linguado, um molho sem qualquer gosto de mostarda, especialmente da tão característica Dijon, e um purê que, apesar de sem qualquer sabor de brie, se tornava o ponto alto do prato. Para completar e dar um ar quase cômico ao todo uma fatia pequena de cenoura e uma parcela de brócolis compunham os nomeados legumes que, distantes de salteados, serviam apenas como uma débil decoração do prato.

Risoto de pomodoro com iscas de filet: 3/5

Risoto de pomodoro com iscas de filet

O mais surpreendente do que provamos, dentro do cenário limitado da casa. O arroz era realmente bom, dessa vez de risoto de verdade, e não daquele famoso irmão de nossas mães em que tropeçamos durante nossa entrada. Cozido sutilmente além do ponto, mas nada que comprometesse tanto o prato, o risotinho era agradável, de sabor simples e eficiente. Seu toque de tomates era devidamente suave, apenas completando corretamente as iscas de filet misturadas ao grão. De fato, ainda existe muito espaço para melhorias, poderíamos ter pedaços mais grosseiros de tomate acompanhando o todo e incrementando certa textura, uma adição de alguma erva atribuindo certo frescor e até mesmo pequenas gotas de óleo aromático que quebrassem o conjunto em pequenas explosões de sabor. No entanto não se enganem, o prato de fato era uma boa surpresa, especialmente pela completa experiência desastrosa apresentada pelo estabelecimento até então. Ah sim, e não nos esqueçamos da cesta de parmesão nada crocante e completamente dispensável que tentava – sem sucesso – atribuir certo estilo ao prato.

Custo Benefício: 1/5

Eis aqui a relação mais frustrante da casa. O Divino se veste de bistrô, título que na capital mineira é imediatamente assimilado a algo chique e caro (distante do original francês pequeno, autoral e econômico), e mantém a precificação de um bistrô belo horizontino, com pratos individuais a partir da meia centena de reais. O problema no entanto está naquilo que deveria justificar tamanho valor agregado, já que a casa apresenta uma decoração, um atendimento e uma criatividade nos pratos igualmente deprimentes àquelas oferecidas por qualquer comida a quilo da região.

Dicas:

Existe muito, muito o que melhorar em praticamente todos os pontos da casa. Nossa dica então fica por conta dos descontos que, frequentemente oferecidos em grupos de compras coletivas, podem transformar uma completa roubada em uma talvez boa experiência.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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