Armazém Parmeggiano

NOTA GERAL: 3.8/5

Rua Senhora das Graças, 16 – Cruzeiro  Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 9943-1414

Localização e Ambiente: 4/5

O local simpático fica no bairro Cruzeiro, em uma área mais residencial, porém ainda assim com algum movimento de restaurantes e bares. O ambiente ficou com estilo rústico, remetendo bastante à ideia de um simpático e elaborado armazém interiorano. Seus toques antigos como as panelas de ferro penduradas, as torneiras de chopp em tom enferrujado e outros elementos de decoração como um lampião, uma ferradura, uma lata de leite, um velho baleiro, dentre muitos outros, reforçam aquela sensação de que bastava cruzar a enorme porta do estabelecimento para deixarmos uma vida corrida de cidade para traz. O compacto espaço  é preenchido por poucas mesas, um balcão onde se encontra o “caixa” e uma cozinha aberta mais ao fundo, tudo num estilo que preza pela eficiência e simplicidade. Sua localização, como mencionamos, é levemente escondida, não estando no pólo do bairro mas também não muito distante deste. Isso facilita no momento de estacionar, sendo possível até mesmo parar na porta.

Atendimento: 4/5

Em nossa visita, havia somente uma garçonete e o próprio chef proprietário, sendo o suficiente para uma calma e chuvosa noite de domingo. A atendente soube nos explicar bem do cardápio, mesmo sendo um lugar ainda novo, parecendo interessada e alinhada com o estilo do armazém. Como não estava muito cheio, tudo correu de forma bastante fluida e gostosa, nos permitindo comer sem pressa, porém sem ter que esperar horas por nossos pratos. Uma excelente combinação que esperamos se manter igualmente satisfatória em momentos de casa cheia e fila na porta.

Gastronomia: 4.0/5

Não ousaremos citar a especialidade da casa, já que está mais do que estampada em seu nome, porém falaremos da extensão do menu. Existem entradas variadas, entre batatas e outros petiscos para abrir o apetite. Para prato principal, encontramos parmeggiana com carne de boi, lombo, peixe e até mesmo avestruz. Para os vegetarianos que gostarem da ideia, existe uma versão com berinjela. Todas elas podem vir acompanhadas de batatas (aquelas artesanais gordinhas e fritas, como as do Duke), purê de batata ou de moranga e até mesmo, para os menos criativos, arroz. Vale dizer que serve duas pessoas, mas uma entradinha para os menos contidos (cof cof) vai sempre bem! 🙂 Ah, para sobremesa, os maravilhosos rocambole de nutella (assinatura do chef) retornam, acompanhados de outras delícias.

Batatas fritas com tempero do armazém: 3/5

Batatas fritas com tempero do armazém

As batatonas eram as mesmas servidas como acompanhamento dos parmeggiana, fritas, artesanais e bem grandes. Dessa vez, vinham temperadas com o clássico spicy, uma mistura de temperos levemente apimentada e bastante interessante. As batatas estavam boas, super macias, grandes, mega crocantes por fora e super macias por dentro. Vieram bem quentinhas e em uma quantidade significativa, viu? Um bom começo, com um petisco simples e muito bem executado. Mas então, qual o problema? Bom, se em sua versão irmã no Duke o tempero escolhido não era relevantemente borrifado sobre a iguaria, no armazém o famoso sal vinha em quantidades alarmantes. Aqui a demasia do dito cujo deixava seus defeitos claros e nos fazia apenas sentir um nada agradável sabor de glutamato, deixando tudo, tudo mesmo com aquele terrível gostinho de tempero de miojo.

Parmeggiano de filet (empanado em farinha especial do armazém, molho pomodoro, presunto, muçarela e orégano) com purê de batatas: 4/5

Parmeggiano de filet (empanado em farinha especial do armazém, molho pomodoro, presunto, muçarela e orégano) com purê de batatas

Para partir do tradicional, pedimos o parmeggiana clássico, com filé bovino. Muito gostoso, o prato veio bem servido tanto nas batatas quanto na carne. O filet, bem altinho, estava no ponto perfeito, macio, com a parte externa bem feita e o cerne vermelhinho, mantendo a textura tenra e os sabores bem distintos. O empanado era super saboroso e, ainda que ínfimo para a altura da carne (tornando-se pouco sensível), o resultado era na medida do possível agradável. Seu molho não surpreendia, deixando aquela vontade de se parear a bela carne com algo portador de um paladar mais presente de tomates. Sobre tudo isso vinha uma fina e completamente ignorável fatia de presunto e finalmente, sobre o presunto, uma vigorosa e muito bem vinda capa de queijo perfeitamente derretido. Para acompanhar, escolhemos o purê de batatas – quer mais clássico que isto? -, e não nos arrependemos. Sua textura era deliciosa, o sabor presente e suave – com bastante abertura para a carne e o queijo – perfeito para o prato.

Parmeggiano de lombo (empanado em farinha especial do armazém, molho de pimenta biquinho e cebolinha cristal e queijo canastra maçaricado) com purê de batatas: 5/5

Parmeggiano de lombo (empanado em farinha especial do armazém, molho de pimenta biquinho e cebolinha cristal e queijo canastra maçaricado) com purê de batatas

Para variar, pedimos a carne de porco, até porquê era uma das únicas com molho e queijo diferentes daqueles descritos no parmeggiano de filet. O lombo vinha em um corte bem mais fino que seu antecessor, o que corrigia lindamente o erro do empanado previamente citado, criado uma maravilhosa proporção de sabores. Dessa forma, podíamos sentir o mix de texturas entre a massinha empanada e a carne, atingindo um belo equilíbrio de sensações. Se existe aqui algum questionamento este seria em relação a carne que, levemente aquém das expectativas, resultava num filé pouco suculento e relativamente enrijecido. No lugar do molho de tomates, havia uma campanha de pimenta biquinho e cebolinha cristal (que nos trouxe um deja vù de um sanduba que comemos no Duke durante uma edição do Restaurant Week). Uma feliz lembrança de que uma ousadia e fuga do lugar comum não fazem mal a ninguém. A quantidade de molho era boa, sem exagerar nem economizar, sendo passível de acompanhar bem o porco sem ficar apagada, e seu sabor era bem interessante, trazendo um toque suave da biquinho (que se exagerado poderia massacrar todo o restante do prato) e o cheiro inconfundível da cebola quando preparada. O queijo era o golpe de misericórdia do prato, pegando em nosso ponto fraco: o maravilhoso e mineiríssimo queijo canastra. Muuuuuito superior à muçarela, o exemplar evoluía o prato além da conta, contando ainda com o toque maçaricado que deixa o queijo com nuances de sua textura mais firme, perfeita para o contexto. Aqui, o purê era ainda mais importante, uma vez que sem ele a combinação se tornaria forte demais, ajudando o todo a atingir uma sublime harmonização.

Rocambole de chocolate recheado com Nutella com pistache: 4/5

Rocambole de chocolate recheado com Nutella com pistache

Muito parecido com o do Duke (claro, receita do chef) a iguaria é feita em formato de rocambole, com uma parte externa de chocolate e com recheio do maravilhoso creme de avelãs. Para dar um upgrade, aqui as fatias eram servidas com uma calda de chocolate artesanal maravilhosa! Ah, e o pistache (que aqui substitui as nozes ou castanhas outrora usadas no Duke e Der Famous) era, infelizmente, indiferente, tendo seu gosto completamente massacrado pelo forte sabor de avelã da Nutella. E vale uma crítica que nunca imaginei dizer, dessa vez as fatias estavam grossas demais, deixando o todo ainda mais doce, especialmente quando combinados com a calda de chocolate.

Custo Beneficio: 3/5

Claro que não é um lugar baratinho, mas considerando as porções é um preço bastante válido. O parmeggiana ficava entre R$50 e R$70, servindo duas pessoas, e as entradas ficavam na faixa dos R$20, trazendo um ticket médio de R$40 para se comer bem (rateando entrada e prato principal). O rocambole também não saía do preço cobrado nas outras casas, beirando os R$20 e podendo trazer acompanhamentos como sorvete ou frutas.

Dicas:

Vá com amigos (em número par) e prove dos diferentes pratos principais, para elegerem o parmeggiana favorito. É pequeno, então pode encher nos dias mais tradicionais, como sexta e sábado à noite. Para fugir disso, vá em dias de semana (quarta ou quinta) ou mesmo no domingo. Não se esqueça de provar a variável de porco acompanhada de purê, uma boa surpresa da casa, e o rocambole de Nutella, sempre uma alegria.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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Uma resposta para “Armazém Parmeggiano

  1. Excelente Comida! Local pequenez e a porta fica fechada, cozinha aberta, consequentemente, cheiro de cozinha fumegando. Maaaas vale a pena de mais…muito legal o local, chop de primeira e preço bom. Voltarei certeza.
    sucesso e vida longa

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