Provincia di Salerno

NOTA GERAL: 3.4/5

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Rua Maranhão, 18 – Santa Efigênia – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3241-2205

Localização e Ambiente: 3/5

Fomos visitar um dos italianos mais antigos da cidade, e a primeira impressão que tivemos era exatamente essa: antigo. Fosse pelo ambiente rebuscado, pela arquitetura da casa, pela experiência dos garçons, o fato é que vimos ali um déjà vu de uma BH que nem chegamos a conhecer. Para caracterizar melhor a decoração, imaginem um completo exagero, com mesas e cadeiras encapadas em tecido branco bem naquele estilo de sítio abandonado, onde cada centímetro de sua parede era enfeitado com algum quadro, retrato, prato, pintura ou qualquer outro adorno que não deixasse nenhuma cor ao menos ter vez. Não bastasse a atual poluição visual, o teto da casa também não dava brecha, contendo pinturas que no mínimo recordavam as eras mais remotas. Como um último toque, afinal porque não, flores por todos os cantos, deixando tudo ainda mais colorido. Se sua decoração gera certo incômodo, a localização não, situando-se numa rua movimentada e de fácil acesso. Ainda assim, aos finais de semana, existem múltiplas vagas próximas.

Atendimento: 5/5

Garçons simpáticos, presentes e que entendem da casa como se fossem proprietários. Essa é a impressão que tivemos do atendimento da casa. Os vários atendentes estavam sempre por perto, rodeando os salões da Provincia em busca de acenos ou olhares inquietos. Todos são super bem informados sobre o cardápio e os ingredientes de cada item do menu, sabendo com maestria explicar e indicar um prato baseado no curto briefing das preferências do cliente. Um atendimento verdadeiramente diferenciado que, pessoalmente, acredito faltar em praticamente todos os estabelecimentos da cidade.

Gastronomia: 3.4/5

Como viram, a especialidade da casa é a culinária italiana, servindo massas, risotos e vários tipos de carnes e peixes acompanhados pelos mesmos. Algumas das massas são artesanais, como o fettuccine, portanto são frescas, enquanto outras – ainda que não caseiras – são selecionadas à dedo. Não há nada de muito criativo, e sim de muito tradicional, por isso é preciso contar com a boa execução para sair com ares de satisfação da super adornada casa. Para sobremesa, alguns itens clássicos e algumas emocionantes tentações, das quais falaremos mais tarde.

Couvert (cesta de pães, sardella, berinjelas em conserva e creme de grana padano): 4/5

Couvert (cesta de pães, sardella, berinjelas em conserva e creme de grana padano)

O couvert básico da casa era composto por vários tipos de pães, entre torradinhas com manteiga, mini ciabattas e outros. Para acompanhar, duas pastas e uma conserva, parceiros formidáveis que caíam como luvas para todos os pãezinhos, principalmente as torradas temperadas. A opção mais líquida, de queijo, era das três a “menos ótima”. Com sabor presente de grana padano e paladar meio enjoativo, a pequena pasta de cheiro duvidoso perdia um pouco as características desse queijo fresco. Se o queijo poderia ser melhor, a sardella dificilmente conseguiria qualquer evolução, de textura perfeita e gosto presente de pimentões aflorando a cada mordida, a pasta não era menos que excitante, em especial por sua porção formidável de anchovas que, apesar de fortes, apenas dosavam soberbamente o todo. Para completar, uma sempre bem vinda conserva de berinjela adicionava algo além de um creme, imprimindo um sabor sensível do fruto que casava perfeitamente com qualquer uma das opções aqui previamente descritas.

Risotto al Calabrese (Risoto de arroz arbóreo com carne suína temperada com ervas ao molho de vinho tinto com pimenta e funcho) – região da Calábria: 3/5

Risotto al Calabrese (Risoto de arroz arbóreo com carne suína temperada com ervas ao molho de vinho tinto com pimenta e funcho)

O muito bem apresentado risoto estava com seu arroz no ponto correto (de grão durinho sem grudar nos dentes), era acompanhado por um bom molho com sabor fraquíssimo de vinho (uma real perda de oportunidade de acentuar os temperos do prato) e, é claro, também trazia seus nacos de linguiça temperada. Sua proporção de funcho acrescida em todo o molho era ideal para incrementar o prato e adicionar certo frescor ao toque bem apimentado da carne, criando uma luta de paladares interessante, mas que talvez ultrapassasse a tênue linha entre o bem temperado e o famoso exagero. O resultado era um prato de sabor forte que infelizmente pecava justamente em não dar a seu ator principal, o arroz, o devido e merecido destaque.

Spaguetti alla Sophie Loren (espaguetes ao molho de vinho com iscas de filet e shitake): 3/5

Spagetti alla Sophie Loren (espaguetes ao molho de vinho com iscas de filet e shitake)

A massa era boa, porém admitimos que, por ser a especialidade da casa, esperávamos algo ainda melhor. Queremos dizer que, dos espaguetes que podemos comprar em supermercados (já que essa não era uma das massas artesanais da casa), esse não seria nem de perto o melhor. O ponto estava acertado e o tempero era bom, sem se tornar por demais oleoso. O molho assim como noutro prato era forte, contrapondo bem a massa mais suave sem deixar que esta se tornasse irrelevante. Uma pena mesmo era sua carne, raríssima (de forma que só me lembro de encontrar duas tiras em meio à toda a massa), não conseguir acompanhar todas as garfadas que, quando devidamente compostas de massa, molho e acompanhamentos se tornavam verdadeiros momentos de prazer. Ao final um prato bom, que nos deixava com aquela triste constatação do toque linear e cansativo da massa já sem qualquer carne ou cogumelo.

Ravioli di albibocca con bistecca (ravioles recheados com damascos e queijo catupiry, salteados na manteiga acompanhado de bisteca usina grelhada ao molho de tomate e aipo): 3/5

Ravioli di Albibocca con Bistecca (ravioles recheados com damascos e queijo catupiry, salteados na manteiga acompanhado de bisteca usina grelhada ao molho de tomate e aipo)

Composto de uma massa boa que, inclusive, acreditamos ser uma das caseiras, o prato agradava na mesma proporção que tropeçava em detalhes básicos. Cada uma das bolinhas do ravioli era recheada com um pouco de damasco – que exagerado poderia ser um desastre, mas na forma como foi economizado também não nos satisfez -, e um punhado considerável de catupiry (provavelmente um daqueles exemplares mais baratos e engrossados com maisena), que não ajudava em nada o sabor final do prato. Seu destaque então ficava por conta exclusivamente da bisteca com seu sabor defumado delicioso que, apesar de mal acompanhada, certamente era algo muito próximo da perfeição.

Torta tre leche: 4/5

Torta Tre Leche

 A bonita e clássica sobremesa era composta de um bolo devidamente molhado no terror dos intolerantes a lactose. O resultado era uma fatia elegante, bem feita e doce na medida, que conseguia ter um toque cremoso super especial e um sabor maravilhoso. Como decoração um simples e eficiente chantilly que, também de textura levíssima, não carregava por demais o restante dos membros da sobremesa. Nossa única tristeza era um certo paladar residual de ovos, que tornava este verdadeiro perigo (acreditem quando digo que uma pessoa normal pode comer sem dificuldades um tabuleiro inteiro deste doce) em algo sutilmente enjoativo. Definitivamente um excelente encerramento para um bom almoço ou jantar.

Custo Benefício: 2/5

Os pratos ficavam entre R$45 e R$80, dependendo de sua complexidade e de seus ingredientes. As entradas começam dos R$15, na mesma média das sobremesas. O que percebemos é um ticket médio de R$75 por pessoa, sem bebidas alcoólicas, um valor que certamente não cumpria muito com as expectativas e entregas da casa. O resultado então é aquela sensação de que você está pagando um considerável extra pela história, e apenas história da casa.

Dicas:

O ambiente é propício para um almoço ou jantar em família, mas pode lotar (graças à sua fama) nos almoços de final de semana e nas noites mais movimentadas. A dica é chegar cedo e provar das massas mais simples, que oferecem um melhor custo benefício e vem em quantidade satisfatória.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Tôrres
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