Ephigênia Bistrô – RW 2014, 2ª edição

Volta a BH, depois de copa e a tempo para as eleições, o delicioso Restaurant Week, democratizando a gastronomia, como sempre, e trazendo novidades. Nesta edição temos 52 restaurantes, que oferecerão cardápios de R$37,90 no almoço e R$49,90 no jantar, ambos válidos para o menu degustação de três partes: entrada, prato principal e sobremesa. Portanto, de 8 a 28 de setembro (lembrando que a primeira semana é exclusiva para clientes Mastercard Black e Platinum) reserve um tempinho na sua agenda para conhecer algumas das melhores casas da cidade! Ah, claro, devemos ressaltar que para esta edição a temática escolhida pelo festival foi a de Gastronomia Fusion.

Vale lembrar que de acordo com nossa recente entrevista com o adorável Fernando Reis, organizador do Restaurant Week Brasil, não é obrigatório que os restaurantes façam cardápios unicamente dentro do tema escolhido (até mesmo para manter o teor democrático do festival), porém ele serve para incentivar a criatividade dos donos e cozinheiros, mantendo o festival sempre novo e diferente. Para o festival nosso estilo de postagem é sempre mais resumido, para garantir dinamismo na cobertura. E não se esqueçam, sugestões são sempre bem-vindas em nosso Facebook, nos comentários do blog, ou mesmo por e-mail, através do ondecomo@gmail.com. Basta citarem o nome do local e o menu (almoço ou jantar) que você gostaria que avaliássemos.

NOTA GERAL: 3/5

Menu JANTAR

Sobre o Ephigênia:

O simpático bistrô se encontra num ponto menos movimentado que as casas mais clássicas da cidade, se tornando o lugar perfeito para uma conversa descontraída e uma boa refeição diferenciada. Com um espaço versátil, moderninho a ponto de atrair os mais jovens porém ainda com certo tradicionalismo que cativa os clientes de estilo mais familiar, o Ephigênia é um grande achado no bairro, sempre pensando fora da caixa e cativando pelo atendimento e, claro, pelo estômago. Já visitamos a casa fora do festival, e você pode conferir impressões mais completas clicando aqui.

Gastronomia:

A ideia da casa é trazer uma fusão do melhor de cada canto do mundo. Por isso, o tema foi facilmente abraçado no menu da casa. Normalmente encontramos peixes, carnes, massas, tudo com preparos variados, misturas de conceitos e técnicas e ingredientes bem selecionados, sempre dando um toque brasileiro aos tradicionais internacionais. Para o week, o Ephigênia viajou do Peru até a França, voltando para o Brasil e deixando aquele gostinho bom na boca.

Entrada:

Ceviche de peixe branco ao teriaki sobre purê branco gelado: peixe cru marinado com limão sobre purê de batata: 4/5

Ceviche de peixe branco ao teriaki sobre purê branco gelado - peixe cru marinado com limão sobre purê de batata

Uma ideia interessante e com certo toque de desconstrução de seu formato original. Montado a partir de um peixe macerado, que quando misturado ao purê adquiria certa consistência de pasta, o prato era então elegantemente decorado por deliciosas gotas de azeite temperado. O resultado casava super bem tanto entre texturas e sabores, atribuindo ao prato a sutileza do peixe temperado suavizado pelas batatas mais neutras, uma dupla que se tornava o par perfeito para as elegantes torradas e palitos crocantes. Uma entradinha leve, de bom tamanho e que apesar, de não obrigatório, cumpria muito bem o tema do festival.

Escondidinho de ossobuco com abóbora ao mel do engenho: carne bovina desfiada com purê de abóbora agridoce: 3/5

Escondidinho de ossobuco com abóbora ao mel do engenho - carne bovina desfiada com purê de abóbora agridoce

Não se iludam pela foto. Tivemos que chegar bem perto para vocês conseguirem enxergar nossa entrada. O simpático pratinho era, sinceramente, minúsculo, se assemelhando mais a um item servido durante um coquetel. Incapaz de fazer o papel de uma entrada a solução aqui era deixar a imaginação rolar solta para que a frustração não se tornasse por demais avantajada. Uma vez então que você passe a considerar o prato um agrado do chef, ele se torna não apenas simpático, mas também surpreendentemente bom. Sua carne muito bem desfiada se dissolvia em meio ao creme, acrescentando seu toque salgado ao adocicado da abóbora, porém perdendo a oportunidade de variar de maneira relevante sua textura. Para completar o agrado de forma majestosa, o toque do mel, que ressaltava todos os sabores e quebrava toda a monotonia do escondidinho, enganando inclusive a sensação da textura pastosa de comida de hospital e melhorando-o de forma mais que surpreendente.

Prato principal:

Linguado pochê ao molho de carne sobre arroz de grãos: linguado cozido no  molho de carne e arroz de grãos: 2/5

Linguado pochê ao molho de carne sobre arroz de grãos - linguado cozido no  molho de carne e arroz de grãos

O peixe era ótimo, bem feito e suave, preparado no estilo pochê que tornava sua textura a mais leve possível, derretendo na boca. Para acompanhar tamanha sutileza um arroz com grãos muito bem localizado, trazendo o crocante que o preparo da carne não deixava aparecer e criando uma nova dimensão dentro do prato. Se tudo até então caminhava para um prato delicado, cuidadoso e muito bem montado, era justamente seu molho que desandava toda a receita. Para nossa surpresa um forte molho de carne e cogumelos banhava exageradamente o todo, massacrando toda a sutileza até então desenvolvida e linearizando o paladar do prato com fortes toque de manteiga. Uma união de idéias que certamente renderiam dois ótimos pratos, mas que juntas não conseguiam sair do chão.

Filé mignon em crosta de ervas sobre purê de pequi: medalhões de filé em crosta de alecrim sobre purê de batata e óleo de pequi: 3/5

Filé mignon em crosta de ervas sobre purê de pequi - medalhões de filé em crosta de alecrim sobre purê de batata e óleo de pequi

Feito a partir de uma boa carne, o prato, que se exagerado em certos ingredientes poderia acabar com o apetite de qualquer um, surpreendia. Sob a carne tínhamos um bom purê de batata que, apesar de líquido demais, era acompanhado de um ótimo e sutil toque de pequi. Assim como em sua outra opção a casa combinava o prato com uma avantajada porção do mesmo molho robusto de carne, que dessa vez, combinava super bem com os outros elementos da peça, especialmente com a formidável crosta da carne, fornecendo ao todo aquela textura extra e transformando este bom prato numa ótima opção.

Sobremesa:

Banana flambada ao aroma de gengibre e pimenta negra com sorvete de baunilha: fruta fresca flambada com cachaça: 4/5

Banana flambada ao aroma de gengibre e pimenta negra com sorvete de baunilha - fruta fresca flambada com cachaça

Uma sobremesa mais dentro dos padrões, não ousando como normalmente o bistrô faz, porém ainda assim eficiente. Feita de belas bananas não tão caramelizadas, o prato era acompanhado de um estupendo molho, com paladar sensível de cachaça e gengibre, trazendo um frescor e uma lembrança oriental ao prato maravilhosamente combinado. Sobre o todo uma bola de sorvete de creme (não de baunilha) meio perdida, não acrescentando qualquer sabor relevante ao conjunto nem indo de acordo com a temperatura igualmente fria das bananas.

Brûlée de chocolate da Amazônia com flor de sal: leite e ovos, cozidos ao chocolate meio amargo: 2/5

Brûlée de chocolate da Amazônia com flor de sal - leite e ovos, cozidos ao chocolate meio amargo

Feita a partir de um creme de chocolate muito forçado na maisena, parecendo algo que não encorpou e que teve que ser solucionado as pressas, a sobremesa se tornava enjoativa e nada surpreendente. E ainda que o chocolate em si fosse bom, fator que ele realmente era, o resultado de texturas e sabores subjulgados pelo amido de milho não conseguia dar o verdadeiro destaque aquele que merecia, tornando o prato enjoativo, simplista e muito linear, especialmente pela inexistência da prometida flor de sal. Ah, devemos admitir que o nome brûlée nos deu expectativas de algo maçaricado e crocante, o que não aconteceu, deixando a variação de texturas exclusivamente por conta do mesmo biscoito horrível que acompanhava ambas as sobremesas.

Dicas:

A dica fica para provar o Ephigênia fora do Week. Ainda que alguns pratos fossem bons, e que a casa tenha abraçado a causa do tema do festival, detalhe sempre bacana de se ver, o seu menu clássico continua sendo infinitamente superior ao do festival.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Tôrres

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Uma resposta para “Ephigênia Bistrô – RW 2014, 2ª edição

  1. Coincidência! Acabei de voltar de lá do almoço! rsrs

    Léa Araújo

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