ONDEcomo no BH Burger Fest 2014 (parte 1)

Fofíssimos leitores,

Como sabem, o BH Burger Fest é um festival já idosinho no Brasil (há 5 anos em SP, primeira cidade adotante da ideia), mas que ainda não tinha dado as caras em BH. Atrasado ou não, a questão é que ele finalmente chegou aqui no dia 14 de novembro e ficou apenas uma semaninha, impossibilitando de conhecermos todos os pratos prometidos pelo evento. Detalhes de sua curta duração de lado, antes de entrarmos no delicioso mundo dos hambúrgueres acreditamos que seja interessante fazermos algumas ressalvas sobre o festival:

Probleminha nº 1: Divulgação. Muito pouco divulgado ou mesmo mal divulgado. Ficamos sabendo do festival dias antes do início e mesmo assim vimos muitas informações inconsistentes sobre a semana do hambúrguer. Quando existente, a divulgação nos jornais se dava por meio de pequenas notas nas colunas de gastronomia, super por alta e somente bem em cima da hora. Na web, ainda que um pouco melhor, a divulgação se mantinha fraca, sem qualquer site, página ou norte oficializado para guiar aqueles que buscavam qualquer informação.

Probleminha nº 2: Informações incoerentes. Certamente decorrente de um baixo nível de organização e da completa inexistência de qualquer meio de comunicação oficial, os poucos que se aventuravam em divulgar o evento em seus sites geralmente o faziam sem poder conferir suas informações, deixando algumas casas participantes de fora da maioria das listas encontradas online. Outro detalhe que funcionava quase como uma cereja do bolo da desorganização era a fajuta faixa de preço do evento, que prometia valores entre R$25 e R$39 que certamente não retratava a realidade, uma vez que encontramos um exemplar de R$59.

Probleminha nº 3: Os menus. Não ouve regra ou critério na hora de criar o hambúrguer participante (já falei da sensação de desorganização?), o que resultou em algumas casas aproveitando itens já existentes da carta enquanto outras criavam algo novo somente para o festival.

Probleminha nº 4: Seleção. Não sabemos como foram escolhidas as casas que participaram, mas vimos muitos lugares sem a menor tradição de hambúrgueres participando (o que foi até bem interessante) enquanto algumas das hamburguerias clássicas da cidade ficaram de fora (o que foi decepcionante).

Enfim, foi a primeira edição então é um ótimo momento para testar e fazer (mais) bonito ano que vem! Ah, vale comentar que as casas que deixamos para, quem sabe, uma outra vez são: Bacon Paradise (que apesar de ter um hambúrguer delicioso, como podem conferir no post, não trouxe nada de novo para o festival) e o Na Mata Café (que apesar de legalzinho cobra um valor exorbitante de entrada. Afinal, não basta já estarmos consumindo, acrescentar R$30 para escutar um cara fazendo uma playlist no seu Macbook nos pareceu um tanto quanto idiota).

Tommy’s Burger

O Tommy’s é uma hamburgueria de bom custo-benefício que geralmente cumpre o que promete. Tem várias opções com carne, frango, porco, e até mesmo uma porção de buffalo wings maravilhosa. Sua localização, próxima ao Diamond, garante um fluxo legal de clientes. Se quiser ver nossa crítica de lá, clique.

Fanáticos por Bacon – pão de batata com gergelim preto, hambúrguer de 200g recheado com queijo cheddar entrelaçado por 9 fatias de bacon, alface, tomate, acompanhado de batatas fritas e geléia de bacon: 2/5

Fanáticos por Bacon

Bom, se você quer bacon, você encontrou. Com um hambúrguer gigante e até mesmo difícil de comer, o sanduíche dos fanáticos pelo porco tinha espírito presente e execução porca (literalmente). Dentro de um bom pão de batata pouco merecedor de muito destaque, a enorme carne começava decepcionando. Composta de uma combinação de cortes e misturas que resultava no gosto padrão dos sanduíches da casa, o destaque aqui era a ideia levemente gorda de se enlaçar todo seu conteúdo em intermináveis tramas de bacon. O problema de tal intenção no entanto era o de se combinar duas carnes distintas, com tempos de preparos diferentes e maneiras de cocção bastante peculiares em uma única peça. O resultado era um hambúrguer muito bem passado, bastante além do ponto, e um bacon praticamente cru, que não se tornava crocante nem adquiria aquele sabor tão maravilhoso da iguaria caramelizada. Para acompanhar, uma geleia que provavelmente deveria ser o melhor do prato, com seu toque cremoso e finalmente crocante dos maravilhosos cubinhos de bacon, e uma considerável porção de batatinhas congeladas.

Uma prova triste de que nem bacon consegue salvar tudo, deixando este que poderia ser um ótimo sanduíche, se corretamente preparado, se tornar um dos menos interessantes do festival.

Deli’s Handmade

A Deli é uma hamburgueria simpática, com hambúrgueres muito parecidos com os do Duke’n’Duke (por que será, né?), num estilo mais pub que lanchonete. Seu ponto vive lotado de casais, bem no meinho de Lourdes. Tem muitas opções de pães e carnes, e uma sobremesa de leite maltado de comer de joelhos. Confira aqui nossa crítica do lugar.

The Boss – pão de brioche, hambúrguer de blend de Wagyu de 200g, queijo gruyère, ovo frito, sauté de alho poró e Maionese trufada: 2/5

The Boss

Uma delícia de brioche, com uma massa super bem feita, muito macia e bastante saborosa. O gigantesco hambúrguer de pretensiosos 60 reais era o perfeito exemplar de como na cozinha geralmente menos se torna mais. Composto de uma carne até boa, já que não pretendo me adentrar muito nas verdadeiras proporções dentre as carnes do aqui nomeado blend de wagyu, o sanduíche começava mal. Em parte porque servir hambúrguer de waygu já é, em vários níveis, errado, fazê-lo então bem passado certamente é mais feio que bater em avó. Se sua nobre carne não conseguia atingir a felicidade de quem experimentava o sanduíche, o ovo, a parte barata do exemplar, se mostrava o suprassumo da perfeição, se encontrando no ponto corretíssimo e se apresentando super bem no conjunto deste que só posso chamar de: um verdadeiro sanduíche de trailer para bilionários excêntricos. Acompanhando o todo, um queijo bem derretido e ignorável, frente à guerra de sabores do sanduíche, e uma maionese, que de paladar exageradamente forte de trufas baratas, sozinha conseguiria arruinar o hambúrguer.

O resultado era um sanduíche somente bom, que misturava elementos caros em uma receita extremamente pobre, transformando este que poderia ser um destaque de sanduíche numa piada de extremo mal gosto.

Mamma Mia – pão ciabatta, hambúrguer de blend de picanha de 200g, muçarela de búfala, telha de parmesão, molho all’arrabiata (picante), coleslaw deli, maionese de horseradish: 3/5

Mamma Mia
Um bom sanduba, esse com um preço mais normal, com uma carne boa (mas novamente de um ingrediente errado para um sanduíche) e um pão gostoso que NUNCA NA VIDA era uma ciabatta. Iniciamos então por aquele que utilizamos para envolver todos ingredientes, que nos dava a sensação de um pão de hambúrguer velho, e passamos para a alegria do prato, uma mistura de molhos que resultavam numa maionese avinagrada com sabor presente de repolho, que me atrevo dizer ser o melhor do prato (sei que pode parecer triste que tudo dependa do molho, mas isso acontece em vários pratos por aí e, sinceramente, não é demérito pra ninguém). Para completar o todo, um considerável punhado de cebola roxa e um molho picante davam aquela dimensão quente a mais ao prato deixando tudo saboroso e, talvez, molhado demais.

Definitivamente o exemplar de sanduíche que melhor representa as intenções da casa. Um sanduba que apesar de manter boa parte dos recorrentes erros do estabelecimento – como a utilização de cortes caros que nem sempre funcionam dentro da temática de um hambúrguer somente para agregar algum tipo besta de “valor” ao estabelecimento -, também mostrava que apesar de confusa e cheia de escolhas erradas, a Deli tem sim criatividade e capacidade gastronômica para criar verdadeiras delícias.

James Burger

O James é uma sanduicheria na Savassi, que serve um clássico hamburgão de trailer (todos com nome de um James) com uma clássica decoração Coca-Cola anos 50. Já comentamos dela, claro, aqui.

James Brown – hambúrguer gourmet de 240g de carne bovina recheada com queijo e bacon, servido no pão com gergelim, alface, cheddar fatiado, molho James a base de picles, e exclusivo creme de cheddar cremoso, bacon e cebola: 2/5

James Brown

Um sanduíche recheado de exageros, e, infelizmente, de decepções. A carne era ruim, o que já tornava 70% do conjunto inexpressivo e negativo, o queijo era pior ainda, estragando o cheddar de uma maneira que, sinceramente, só a casa consegue, e o bacon, que poderia ser o salvador dessa triste história, estava quase tão cremoso quanto o queijo, sem qualquer crocante e com um sabor deveras sem graça. Seu molho James, a base de picles, era uma luz no fim do túnel, mas sua linda suavidade o impossibilitava de brilhar perante a tantos sabores fortes e não tão bem montados. Se existe aqui uma verdadeira vantagem por muitos ignorados era a relativa facilidade para se comer a iguaria sem se sujar por completo.

Uma peça não tão boa que, diferente de seus companheiros de festival, se mantinha num valor extremamente acessível.

James Caviezel – pão de hambúrguer gratinado com muçarela, alface, filé mignon em tiras acompanhado de maionese de alho, cebola, bacon e muçarela: 2/5

James Caviezel

Um sanduba (e não um hambúrguer para se enquadrar no Burger Fest) muito na média, que mostra que a casa perdeu uma grande oportunidade de se destacar em meio a tantos sanduíches normais. O exemplar, que acreditamos já fazer parte do cardápio tradicional, tinha uma carne até boazinha, mas que tornava tudo menos suculento e homogêneo que uma carne moída de hambúrguer. Se no primeiro sanduíche oferecido pela casa nos surpreendemos pela facilidade de se degustar a iguaria, aqui os pequenos filetinhos de filet mignon tornavam a experiência de se comer o sanduíche uma verdadeira aventura, para não se dizer missão impossível. Seu molho de maionese era bem bom, e a elevada quantidade de cebolas mascarava muitos os demais sabores, o que, acreditem, não era necessariamente ruim. Para completar um bacon em mínimos pedaços difíceis de se perceber, que como companheiro inseparável do boi tentava junto das iscas de filé fugir de seu pão a qualquer instante.

Um sanduíche simples, não tão bom e infelizmente muito, muito molhado, ensopando o pão inferior e transformando o prato em praticamente uma iguaria de garfo e faca. Ah, e o tal pão gratinado com muçarela era na verdade pão + muçarela gratinada. Favor não confundir.

Dub

Para quem não conhece, o Dub é um dos deliciosos barzinhos do Maletta, um de nossos recantos favoritos na cidade. O prédio comercial no centro de BH abriga uma gastronomia deliciosa, e uma galera muito descolada. 😉 Clique para ver o que falamos do Dub em nossa primeira experiência.

PimpBurguer – pão com gergelim preto, hambúrguer artesanal de 220g, bacon crocante, requeijão de raspa, jalapeño confit, pickles de cebola roxa e maionese de alho poró: 4/5

PimpBurguer

Uau. Que surpresa agradabilíssima. Já provamos uma opção de burger do Dub em outra ocasião, mas esse sanduba estava muito caprichado. Muito bem servido, o hamburgão vinha com uma carne ótima, super macia, no ponto perfeito (rosada e suculenta), em excelente proporção e com um molho de requeijão de raspa incrível! Sentimos falta de (ainda mais) queijo, admitimos, mas acho que ninguém esperaria diferente de um grupo de mineiros. Suas batatas artesanais (GRAÇAS A DEUS) eram maravilhosas, cortadas fininhas mas ainda assim gordinhas, super bem feitas e com uma maionese de alho poró deliciosa. Sobre a carne um confit de jalapeños sem as semente não exageravam no nível de apimentado do prato, criando apenas aqueles eventuais momentos mais quentes nas mordidas, sem roubar o sabor do conjunto com extrema picância. O bacon (em fatias, yes!) era gostoso e crocante e, para fechar com chave de ouro, pickles de cebola roxa, forte e delicioso, especialmente quando combinado com o confit de pimenta. Um tiro certeiro no festival, fidelizando e deixando a casa com uma áurea triunfal.

O primeiro sanduíche verdadeiramente bom que experimentamos, e provavelmente quando pensamos em uma relação de custo benefício (não considerada em nossas notas), um forte candidato para o melhor do festival. Só nos resta esperar que a casa adote e mantenha essa maravilha em sua carta praticamente exclusiva de drinks.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres

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