Alma Chef – RW 2015, 1ª edição

Desde o começo dessa semana, o Restaurant Week tomou conta da cidade e os belo-horizontinos já podem degustar os melhores estabelecimentos por um preço super justo: R$37,90 no almoço e R$49,90 no jantar! Esse valor é válido para o menu degustação criado especialmente para o festival, composto por uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Curtiu? Pois nós curtimos muito! Então, aproveite para conhecer casas novas e voltar às casas mais tradicionais da cidade para provar esse menu super exclusivo!

Quem nos segue já sabe que há alguns anos o Week se tornou temático, o que, conforme citado pelo simpaticíssimo Fernando Reis, organizador do evento no Brasil, serviu para incentivar a criatividade no desenvolvimento dos cardápios. Ainda assim, não é uma obrigatoriedade aderir ao tema, então os chefs podem ficar a vontade para brincar com os ingredientes que quiserem. Nessa edição, que já é a 10ª, o tema é Gastronomia Saudável, e preza pela priorização de ingredientes frescos e naturais em composições leves, juntando sabor e saúde em um mesmo menu. Interessante, não? E bastante alinhado com a vibe atual dos brasileiros.

Para finalizar, o Week arrecada R$1 por refeição para doar para o Hospital da Baleia, trazendo a esse festival um motivo ainda mais nobre. ❤

Vamos então, aproveite a temporada para curtir o Week em BH, de 16/03 a 05/04! E não se esqueça de conferir o ONDEcomo regularmente para ver nossa cobertura do evento! Faremos, como é de costume, posts mais curtos e mais frequentes para levar aos nossos leitores uma boa noção do que está rolando no festival! Ah, e claro, sugestões são suuuper bem vindas! Comente nos posts, aqui, no Facebook (/ondecomo), Instagram (@ondecomo) ou mesmo nos mande um e-mail no ondecomo@gmail.com! Nos vemos no Week! 🙂

NOTA GERAL: 4.0/5

Menu JANTAR

Sobre o Alma Chef:

O Alma Chef é um restaurante inaugurado em 2014, em um ponto de super movimento no Lourdes. Ele fica ao lado do tradicional Taste Vin, em uma das ruas mais importantes do pólo gastronômico desse bairro. Seu ambiente é dividido em 2 níveis, sendo um subsolo, onde encontramos a maior parte das mesas e onde originalmente deveria ser o restaurante, enquanto em sua parte superior temos uma mistura de espaços com um empório, uma pequena unidade da padaria Cum Panio (que não sabemos se ainda está em funcionamento por nunca a encontramos aberta) e também uma cafeteria da nespresso, aparentemente também desativada. Para completar a parte superior encontramos também uma adega e uma cozinha aberta, espaço onde a casa dá aulas, realiza eventos e monta alguns workshops. É então bem no meio desses espaços diferenciados do segundo andar que o estabelecimento agora também distribui mesas para seus clientes do restaurante, uma vez que aparentemente o plano de negócios acabou se mostrando mais lucrativo em certas áreas do que nas outras. Ainda assim, mesmo que você se assente no meio de uma (falecida?) padaria, o atendimento da casa se mantém super cordial, bem naquele estilo de Lourdes, ou seja, nada de intimidade com o cliente.

Gastronomia:

O cardápio é um belo e enxuto (como gostamos) exemplar de culinária contemporânea. Para o Week, a casa mostrou um pouco de cada coisa, levando saladas clássicas, ceviches peruanos, linguini, uma cotoletta bem austríaca e finalizando com uma deliciosa sobremesa americana, o Cheesecake. O resultado foi… incrível. Confiram!

Entradas:

Salada Caesar clássica: 4/5

Salada Caesar clássica

Um dos clássicos que a casa executou com maestria. A saladinha era montada com alface americana, molho, torradinhas e (muito) parmesão ralado. O molho era excelente e vinha em ótima quantidade, trazendo sabor sem empapar o conjunto. Em alguns momentos apareciam focos de sabor muito intensos de peixe, uma inusitada combinação para uma salada onde a base são folhas relativamente sem sabor. O parmesão, que graças a um Deus bem mineiro veio em demasia, era delicioso, trazendo um salgadinho a mais, enquanto suas torradinhas brilhavam, sendo super crocantes e muito gostosas com seu tempero leve. O resultado era muito eficiente, e funcionava muito para esse tamanho de prato, já que para combinações de sabores fortes, uma quantidade maior poderia se tornar enjoativa.

Ceviche tradicional Lima style: 5/5

Ceviche tradicional Lima style

O ceviche que nos foi servido era delicioso, veio muito bem apresentado com cubos do peixe cru, cebolas, um crocante de baroa e uma pipoquinha deliciosa. Montado a partir de um peixe bom, o prato tinha volume cítrico ideal, oriundo de uma dose extra de limão em seu molho. Sua combinação com a cebola roxa e coentro ressaltavam os sabores e deixavam tudo muito coerente, com picos interessantíssimos de frescor e toques mais picantes da cebola. Para completar, uma pipoca moída e um crocante de baroa traziam uma textura nova, bem diferente da do peixe, e criavam um equilíbrio surpreendente com seu toque crocante. Escondida também no meio de todo o peixe, uma pequena batatinha que, adocicada e macia, agregava em todos em sentidos e arrematava muito bem o prato.

Pratos principais:

Linguini com cogumelos frescos e pecorino: 3/5

Linguini com cogumelos frescos e pecorino

O linguini, que na verdade era um espaguete, estava servido num ponto perfeito, super al dente, com toque firme maravilhoso e oleosidade ideal. Seus cogumelos presentes em fatias bem grandes ajudavam a distanciar da textura da massa, incrementando um toque de maciez estupenda e aquela sensação gelatinosa única dos fungos, se tornando uma verdadeira pena sua quantidade, que não muito superior a meia dúzia e rendia apenas para as primeiras garfadas do avantajado prato. Seu sabor de cogumelos, apesar de presente e gostoso, era linear demais, deixando faltar algo para alterar um pouco o rumo do prato e trazer certa diferenciação em seus sabores. Talvez seu pecorino, descrito no nome do prato, tivesse a intenção de fazer isso, mas a realidade era que ele nunca chegou a dar sua cara por aqui, fazendo dessa massa um conjunto simples de macarrão e cogumelos, nada mais. Graças a isso, o prato acabava enjoando rápido, se tornando cansativo e chegando a satisfazer completamente após apenas algumas garfadas.

Cotoletta alla milanese, rúcula e mostarda: 5/5

Cotoletta alla milanese, rúcula e mostarda

Humm, que prato interessante! A cotoletta é um corte de carne muito servido na Áustria, principalmente em sua forma empanada. A carne que provamos estava maravilhosa, com uma excelente combinação de sabores, e um milanesa criado com farinha panko, nada menos que amor. O limão siciliano era bom, e, juntamente com a flor de sal polvilhada delicadamente sobre a carne, ajudava a quebrar o sabor talvez entediante demais do todo. Para acompanhar (vejam a panelinha ao lado do prato) uma salada de batatas muito gostosa e muito simples, feita apenas de maionese, batatas, rúcula e ovos. A combinação também clássica austríaca era excelente, especialmente quando toda ela era formidavelmente levantada por uma pincelada de mostarda quase que decorativa no prato, criando um gradiente avinagrado maravilhoso que dava toda a diferença. Uma pena ser tão, mas tão pouca.

Sobremesas:

Cheese cake do Paul: 3/5

Cheese cake do Paul

Para fechar com chave de ouro, um cheesecake mais ou menos desconstruído, servido em um copo de whisky. Feito a partir de cream cheese, o doce tinha quase tudo pra dar certo, a começar por seus biscoitos grossamente triturados, que forneciam o sabor neutro necessário para tantos outros concorrentes exagerados. Passamos então para seu creme, com gosto fraco de baunilha e toque salgado alguns pontos além do agradável, e finalmente sua calda com frutas vermelhas, ácida, adocicada e fenomenal. O problema aqui era então em sua composição, já que a sobremesa por sua natureza usa da brincadeira de doce com sal, algo extremamente eficiente. Se por um lado tínhamos o sabor neutro dos biscoitos, o paladar doce e ácido da calda, só nos restava dar ao creme, ingrediente principal, o gosto salgado. O cuidado então, uma vez decidido transformar aquele que é o ingrediente principal do prato em algo salgado, deve ser redobrado, já que este toque deve ser muitíssimo bem dosado para não suprimir o doce existente na sobremesa. O resultado no entanto era um creme salgado demais, que massacrava o doce de qualquer outro ingrediente, transformando essa sobremesa num excelente prato intermediário que deveria ser posicionado entre os pratos principais e os pratos doces da casa.

Dicas:

O que dizer desse restaurante que mal conhecemos e já consideramos pacas? Podemos dizer que o Alma, que na verdade conhecemos somente na inauguração e depois provamos durante o Burger Fest, tem várias facetas interessantes. Seus pratos são bem elaborados, num equilíbrio entre sofisticação e simplicidade, pegando tendências de várias partes do mundo e constituindo um repertório incrível, variado e super bem executado. Com certeza, vale a pena conhecer! 🙂

post and review by Eduardo Boaventura e Path Aun Tôrres

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