Eloi Bistrô

NOTA GERAL: 4.1/5

www.eloimoreira.com
Rua Marquês de Paranaguá, 85 – Santo Antônio – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3243-6820

chefs club

Localização e Ambiente: 4/5

Encontramos esse lugar há um tempão, lendo alguma coisa sobre gastronomia em algum lugar que já não dá mais pra lembrar. Quando ele já estava quase esquecido em nossos corações/estômagos, o bendito aparece no Chefsclub com um incentivo a mais pra irmos provar sua culinária. Ele fica numa rua escondidinha, muito próxima a um Posto-balada da esquina da Avenida Prudente de Morais. Estacionar é super tranquilo, pois de fato o único movimento ali é do restaurante. Sua fachada recuada é super elegante, tanto que ficamos um pouco intimidados e arrependidos por não termos nos arrumado melhor. Do lado de fora não haviam mesas, apenas um espaço amplo e vazio (que descobrimos depois ser utilizado como segundo salão às sextas e sábados). Para decorar a solidão externa, algumas  plantinhas atrás do vidro e um arco que marca a entrada da casa. Havia também uma solitária mesinha alta de espera bem à porta, onde ficamos enquanto arrumavam nossa mesa. Internamente o lugar é compacto, com pouquíssimas mesas, muitos quadros e um ar intimista que aumentou nossa expectativa sobre a cozinha. Os quadros – quase uma mini exposição – davam cor ao espaço romântico e à meia luz, e as paredes escuras eram usadas para emoldurar alguns rabiscos em giz e as sugestões do chef.

Atendimento: 4/5

Nos dias de menor movimento, existe somente uma garçonete. É ela que recepciona, direciona, assenta e serve cada um dos clientes, sempre com muita paciência, atenção e uma impressionante cordialidade. Já para sextas e sábados, com o incremento da varanda, a casa convida um garçom a mais, colocando cada atendente responsável por um ambiente da casa e garantindo que todo o público seja atendido com agilidade e cuidado. A comunicação com a cozinha é excelente (inclusive, parte dela é fechada em vidro, permitindo a nós clientes assistir a equipe de Eloi (e, claro, ele próprio) trabalhando. Falando nele, o chef e proprietário esbanja simpatia, buscando sempre recepcionar os clientes e se apresentar, trazendo toda uma fidelização por conta de seu atendimento personalizado.

Gastronomia: 4.2/5

A carta da casa mostra várias nuances de culinária contemporânea, porém os pratos exalam um ar extra de culinária italiana, tudo com um toque abrasileirado. São tantas massas, tantos risotos (que acompanham quase todas as carnes), que é impossível não provar um quitute da bota durante a sua visita. As entradas e algumas das sugestões mostram um pouco do lado nacionalista, trazendo canjiquinha e até mesmo nossas coxinhas à mesa. Em resumo, o menu não é extenso (graças!) e nem entendiante, trazendo grandes promessas em todas as suas seções.

Entrada:

Coxinha de gorgonzola ao coulis de tangerina: 4/5

Coxinha de gorgonzola ao coulis de tangerina

Começamos com um brasileirinho, o salgadinho favorito das nossas festinhas: a coxinha. Sua apresentação quebrava qualquer trauma que envolvesse uma forminha de papel engordurada, tendo cada um dos quitutes acompanhados de palitinhos para facilitar sua degustação e permitir o complemento do molho. Sua massa era gostosa, muito macia e bem fininha. O queijo gorgonzola que recheava as gotinhas fritas era muito bom e, pareado com a clássica mussarela, a entradinha tinha tanto aquela parcela de estica-estica do queijo amarelo quanto o paladar forte do queijo azul. Sua combinação já funcionava bem, mas o real destaque do prato era para o nomeado coulis que, extremamente saboroso e de boa textura, se encontrava no limiar do doce e do azedo. Nossa única infelicidade se dava por conta de certo sabor industrializado na calda, que provavelmente não era feita a partir de frutas “de verdade”. Ainda assim uma excelente entrada, que poderia ficar ainda mais interessante quando acompanhada de uma nova dimensão mais apimentada, completando o conjunto maravilhoso de sabores.

Pratos principais:

Risoto Caprese: 4/5

Risoto Caprese

O clássico risoto que escolhemos buscava conhecer a execução da casa, partindo de uma combinação tradicional e muito acertada de sabores. O gosto do risoto era delicioso, o pesto combinava (lógico) com os demais ingredientes e era bem interessante, talvez um pouco forte, mas sua quantidade quase decorativa ajudava o poder do elemento a não sobrepor os demais sabores do todo. Composto de um arroz em ponto ideal, o prato era acompanhado de uma quantidade de queijo bastante mineira (ou seja, um tanto bom a mais que o italiano tradicional), deixando o conjunto com toques mais salgados que se contrastavam muito bem com os adocicados tomates. Posso dizer que faltava alguma carne decorativa e igualmente salgada (estamos pensando em você, crocante de parma) para fechar o prato já excelente com chave de ouro, mas ainda assim compreendemos a necessidade de muitos restaurantes em oferecerem opções vegetarianas em sua carta.

Medalhão de filé na manteiga de ervas com risoto de açafrão e tomate cereja: 3/5

Medalhão de filé na manteiga de ervas com risoto de açafrão e tomate cereja

Um prato bem servido e muito bem apresentado. O medalhão era ótimo, em um ponto maravilhoso, super macio e com interior vermelhinho, no perfeito ao ponto que solicitamos. O que sentimos falta foi o prometido gosto da manteiga de ervas, que não compareceu com seu tempero certamente incrível, matando um pouco qualquer fã da culinária francesa e prejudicando o conjunto com uma inesperada ausência de riqueza (cof, cof, gordura). Seu risoto era ótimo, com ponto al dente perfeito e um sabor ótimo de açafrão, tornado essa mais uma combinação simples e muito bem executada.

Costelinha na lata com confit de cebola e risoto de pequi: 4/5

Costelinha na lata com confit de cebola e risoto de pequi

A costelinha era gostosinha, porém um pouco seca. Seu sabor era ótimo, de boa textura e combinação ímpar com o pequi. Para o risoto (de novo?) o ponto era igualmente bom (como o de seus irmãos supracitados), só que aqui a iguaria de gosto muito menos comum era fator principal para o funcionamento do prato, dando aquele toque refrescante extra que combinaria muito bem com uma carne mais gordurosa, coisa que essa infelizmente não cumpria em seu tom ressecado. De qualquer forma, a dosagem do pequi no arroz era ideal, já que essa é uma iguaria que, se exagerada, pode deveras massacrar todo o gosto de um conjunto tão especial como esse, e o prometido confit de cebolas era maravilhoso, incrementando um adocicado e uma textura ótima.

Tornedor ao molho dijon com arroz negro mineiro (ora pro nobis, alho, tomate, manteiga de garrafa): 5/5

Tornedor ao molho dijon com arroz negro mineiro (ora pro nobis, alho, tomate, manteiga de garrafa)

O tornedor era um exemplar quase perfeito, definitivamente alto, bem dourado e super bem feito. A carne, como quase sempre acontece nesse tipo de corte, se encontrava um pouquinho fora do ponto, mantendo seu centro ainda roxo. Ainda assim nada que prejudicasse o todo, não afetando de forma algum seu gosto ou textura maravilhosa. Para acompanhar o bloco carnívoro, um arroz negro simplesmente incrível, num ponto formidavelmente durinho que ia muito bem com o molho aveludado do prato. Um verdadeiro sucesso que sai um pouco daquilo que vínhamos experimentando até agora (risotos!), dando uma nova cara à casa e mostrando que qualquer coisa executada pela cozinha do estabelecimento conseguiria brilhar por si só. A combinação não era menos que excelente, especialmente quando toda a gordura envolvida no arroz e no molho era cortada pela mostarda do prato.

Sobremesa:

Pavê mineiro – pasta de jabuticaba, creme de queijo, pão de ló e calda de goiabada: 5/5

Pavê mineiro - pasta de jabuticaba, creme de queijo, pão de ló e calda de goiabada

Uma sobremesa incrível, que andava na corda bamba entre o doce e o salgado e surpreendia a cada novo elemento apresentado. O creme era delicioso, com textura aveludada incrível, um sabor adocicado leve e muito curioso. A verdade aqui era que ele não parecia levar queijo algum, se portando bem como um creme pâtissière padrão, deixando o membro principal do prato adocicado e com fundo agradável de baunilha. Sobre o casadinho, uma calda de jabuticaba discreta dava um ar frutado ao doce, deixando-o menos enjoativo e mais interessante. Para acompanhar, uma calda de goiabada incrível, bastante cremosa e felizmente quente, dando aquele chute doce que até agora o conjunto não tinha. Uma pena mesmo era sua baixa quantidade, nos fazendo ponderar quão cheia poderia vir aquela simpática panelinha. Para finalizar (e devemos acrescentar) lindamente, uma fatia maçaricada de queijo meia-cura do Serro (com uma textura tão interessante que chegamos a acreditar que era coalho), uma verdadeira fatia de minas no prato, dando aquele paladar extremamente salgado que deixa este que vos escreve (novamente) com água na boca.

Custo Benefício: 4/5

As massas e os risotos ficavam na faixa dos R$40, enquanto os pratos com carne variavam de R$55 a R$70. Todos são bem servidos, com ingredientes super selecionados e muito bem feitos. Um menu com entradas e sobremesas rateadas, que acreditamos ser ideal para 2, fica com ticket médio de R$80 por pessoa, super válido para uma culinária autoral tão cuidadosa e um espaço tão aconchegante.

Ah, e que maravilha:

AQUI TEM CHEFS CLUB, que deixa a conta bem mais gostosa.

chefs club

Dicas:

Os pratos são deliciosos, verdadeiramente deliciosos, e suas combinações igualmente maravilhosas. Nossas dicas são para ligar com antecedência e reservar, porque a casa é realmente pequena! Daí basta aproveitar ao máximo, experimentando de tudo e criando um menu com entradas, pratos principais e é claro, sobremesas. Leve amigos, casais ou mesmo família, e aproveite o jantar em um lugar super aconchegante, acolhedor e incrível.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres
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4 Respostas para “Eloi Bistrô

  1. Estive lá na sexta (26/06) e não saí com as mesmas boas impressões… Embora o mix de coxinhas estivesse fantástico e muito gostoso, não tivemos tanta sorte nos pratos principais. Em primeiro lugar, eles demoraram mais de 1h30 para sair!! Muito tempo de espera. Além disso, a minha noiva pediu uma massa com castanha e molho de mostarda, que já chegou fria na mesa, quebrando todo o clima de espera pelo prato. Eu preferi pedir o tornedor com arroz mineiro. A carne veio bem roxa por dentro, não estava no ponto que pedi. Tive que pedir para voltar para cozinha. Já o arroz, embora estivesse saboroso, veio em pouquíssima quantidade. A proporção acompanhamento / carne estava desregulada… Enquanto a carne era bem generosa, o acompanhamento deixou a desejar. Uma pena… estávamos com grandes expectativas e saímos um pouco frustrados… Obviamente que isso pode ter sido um dia ou um caso isolado, mas foi a nossa experiência…

    • Pedro, boa noite! Ficamos bem tristes de saber das diferentes experiências que obtivemos num mesmo restaurante, especialmente quando esta é uma das casas que realmente gostamos (algo meio raro por aqui). O Eloi tem essa característica de certa demora para servir os pratos, que pessoalmente não nos agrada, mas ainda assim esse é o estilo que o chefe/proprietário gosta de imprimir em seu restaurante, dando bastante tempo para que seus clientes possam conversar e aproveitar o jantar para compartilhar uma bela experiência com familiares, amigos ou pares. De qualquer forma, durante nossa visita o tempo de espera, ainda que alto, não chegou na margem das horas, se mantendo alarmantemente próximo desta.

      Ainda assim esses comentários são ótimos, tanto para futuros clientes que possam passar por aqui (e aprender conosco) como para o próprio estabelecimento, que tem a possibilidade de escutar nossas ideias e melhorar seus serviços!
      Um grande abraço da equipe ONDEcomo, e continue comentando de suas visitas, estamos loucos para saber mais!

      • Com certeza! Não podemos tb tomar como base apenas uma visita. Iremos voltar ao Elói futuramente e esperamos que a visita seja tão boa quanto a de vocês!

  2. Os pratos principais foram uma grande decepção, o tornedor veio cru, não estou exagerando, não tenho nenhum problema em comer uma carne um pouco mal passada, mas a minha carne estava totalmente crua por dentro, estava até gelada! Pedi ao chef para passar mais um pouco a carne, o que nunca faço porque sempre aceito os diversos pontos da carne, mas essa estava incomível. O chef me devolve uma carne muito mais baixa do que a minha, torrada e cheia de nervos, precisaria de uma faca de churrasqueiro para partir aquilo, deixei no prato e fui embora. Depois disso tudo, o chef não se dignou a ir à nossa mesa para se desculpar, uma total falta de respeito com o cliente que paga caríssimo em um prato de péssima qualidade. Existem inúmeros restaurantes em BH muito melhores que o Eloi, eu não volto nunca mais.

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