Bistrô Deslandes

NOTA GERAL: 3.6/5

www.bistrodeslandes.com.br

Avenida Francisco Deslandes, 10 – Anchieta – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3287-7191

chefs club

Localização e Ambiente: 4/5

O Bistrô Deslandes é um cantinho aconchegante, que infelizmente em algum momento de sua transformação (já que antes ali existia um outro restaurante) acabou perdendo um pouco dessa magia maravilhosa que outrora existiu. Talvez por conta de suas mesas (praticamente todas externas) não tão convidativas no inverno, ou pela parcial bagunça visual estabelecida entre os novos equipamentos da cozinha, o fato é que algo se perdeu nesse meio tempo, deixando a casa menos acolhedora. De qualquer forma, sua iluminação a meia luz e sua decoração simpática te fazem se sentir bem recebido e acolhido em uma das calçadas mais bem movimentadas do Anchieta. Na mesma casa onde antes existia uma parrilla chamada La Milonga, o simpático restaurante pouco modificou sua antiga estrutura, mantendo seu ambiente interno colorido em um estilo Caminito, com móveis rústicos, uma longa bancada e algumas prateleiras que fazem lembrar um pequeno armazém. Nas paredes, quadros negros (olha a novidade aí, galera) com sugestões de vinhos e de pratos para o dia. A localização é boa, mantendo a proximidade do movimento clássico do bairro mas não se encontrando tão inserido neste, permitindo bom acesso à casa e certa facilidade para se estacionar.

Atendimento: 3/5

O atendimento estava sendo feito por duas senhoritas muito agradáveis. Uma delas, gerente ou proprietária, veio nos apresentar a casa, falar um pouco do cardápio e dar algumas sugestões, tentando estar sempre presente, mesmo que obviamente ocupada demais para conseguir atender a todas as mesas com agilidade. A outra garçonete era pura simpatia e, apesar de não dominar tanto o menu quanto a outra, soube nos receber super bem, nos deixando sempre à vontade e muito bem servidos. O problema ali era a demanda de uma casa cheia (que duas pessoas provavelmente não conseguiriam gerenciar de forma eficiente) e alguns telefones que não paravam de tocar (fossem esses pessoais ou não), um detalhe que acabava muitas vezes reduzindo ainda mais o numero de atendentes já insuficientes da casa. Outro detalhe relativamente desanimador foi certa demora da cozinha em preparar os pratos. Ainda assim, nossos pedidos vieram corretos, mostrando boa comunicação, além é claro de um sempre presente profissionalismo no atendimento.

Gastronomia: 3.5/5

O bistrô tem um cardápio mais voltado para a culinária italiana, oferecendo várias massas artesanais, pães, carnes e petiscos para a mesa. Sua carta de vinhos vinha de encontro à essa defesa, com sugestões bastante interessantes para harmonizar com os itens ali listados. No dia que fomos, no entanto, houve algum problema logístico que nos impediu de provar vários pratos feitos na parrilla, como o Joelho de Porco, a Costela e a Linguiça.

Entrada:

Panhoca com isca de filet ao molho gorgonzola: 4/5


Panhoca com filé ao gorgonzola2

Para começar, uma panhoca é sempre uma boa pedida. Para quem não conhece, esse pãozinho que parece um caldeirão é frequentemente usado como tal, já que sua casca dura e formato redondinho como uma abóbora são ideais para segurar algum molho ou carne em seu interior. O exemplar que recebemos era bem gostoso, não muito grande porém suficiente para uma entrada, com um pão bem dosado e bem recheado. A textura estava ideal, crocante por fora e macia por dentro, amolecida e aquecida graças ao molho quente que ali fora despejado. Falando em molho, o tal creme de queijo era bem gostoso, porém não acentuava tanto o sabor da gorgonzola, perdendo a oportunidade de contrastar com a neutralidade do pão e do creme de leite. Acompanhando o todo uma carne gostosa, servida num bom ponto que se distanciava de forma agradável da carne de panela e da rigidez excessiva.

Pastel de camarão: 3/5

Pastel de camarão

Essa entradinha foi uma das sugestões que recebemos, apresentada como pastel aberto de camarão. Realmente, os conezinhos de pastel recheados com camarão eram visualmente inusitados, porém não tinham todas as características que um pastel fechado carregaria. Sua massa frita estava apenas ok, com gosto de industrializada e textura por demais crocante, evidenciando que esta havia sido preparada separadamente de seu recheio e, consequentemente, cozido numa velocidade mais elevada. Seu creme de camarões e tomates era bem interessante, com um toque forte que se ressaltava frente à neutralidade da massa. O sabor primordial dos tomates era até agradável, mas a infeliz falta de graça do pescado removia parte da personalidade de um prato que tinha boa oportunidade de brilhar. Para acompanhar, uma rodela de limão (sempre bom companheiro dos crustáceos), acabava se tornando apenas um enfeite, perdendo a ótima oportunidade de ser servida em cunha e consequentemente temperar as massas.

Pratos principais:

Filet com nhoque ao gorgonzola: 2/5

Filet com nhoque ao gorgonzola

Como vocês podem ver, os pratos eram simples e buscavam exatamente isso. A ideia do bistrô (em nosso entendimento) não é almejar tanto pela inovação, e sim prezar por uma boa execução e priorizar ingredientes caseiros. O prato que pedimos para iniciar vinha com uma massa que acreditamos estar no rol das artesanais, acompanhada de um filet partido em dois. A carne estava boa, um pouco além do ao ponto que pedimos (na verdade, uma delas se aproximava mais do ponto rosado do que a outra), com exterior beirando o torradinho em algumas partes, e textura (graças ao ponto) um pouco seca. Ainda assim, era super macia e estava com tempero agradável. O nhoque era gostoso e, apesar de bem feito, passava do ponto, dificultando a sensação de sua textura e não mostrando tão bem seus sabores. O creme de gorgonzola, mesmo de nossa entrada, mantinha a infeliz falta do paladar do queijo.

Fettuccine com molho branco trufado e paillard: 3/5

Fettuccine trufado com paiard

Outra das sugestões do dia era o fettuccine, também com massa artesanal, porém com um molho trufado para dar uma variada. Provavelmente resultado da escolha de se preparar uma carne tão fina na parrilha do estabelecimento, o pobre filé se tornava um exemplar carnívoro seco e triste. Porém, se de um lado o paillard não conseguia surpreender muito, a massa artesanal aqui era verdadeiramente deliciosa, se encontrando num ponto não menos que perfeito. Acompanhada de um bom molho branco o toque trufado aqui era muuuuuuuito leve, leve (talvez) até demais, prejudicando sutilmente o equilíbrio de sabores do prato. Ainda assim uma ótima opção, especialmente pelo excepcional fettuccine.

Meio galeto com purê de batatas: 4/5

Galeto com mousseline

Por último, um galeto com purê, para dar uma ambientada mineira e uma variada nos paladares. Composto de uma carne muito boa, com uma casquinha crocante incrível e um sabor bem temperado, o prato tinha tudo para ser o preferido da noite. Acompanhado de um creme certamente mole demais para ser chamado de purê, o prato – apesar de certos tropeços – entregava alegria a qualquer pessoa. Com um sabor equilibrado e bem definido, o destaque aqui ficava por conta de pequena porção de mostarda super gostosa, que coroava o galeto e o creme de forma soberba, dando aquela força avinagrada a mais e quebrando uma possível linearidade que estaria se formando ali. Definitivamente um prato triunfante, que mostra estranhamente um destaque da casa fora de sua expertise.

Sobremesa:

Tiramissú: 5/5

Tiramissú

Para sobremesa, tínhamos petit gateau ou o clássico italiano, e acabamos optando por esse último. Incrível foi a nossa surpresa (apesar da questionável apresentação) ao provar de um excelente tiramissú, com uma textura maravilhosa e seus biscoitos corretamente embebidos. Composto por um creme excepcional, bem firme, o paladar principal deixava de se tornar o clássico sabor do queijo e dava abertura a um gosto bem apreado com o creme de leite. Seus biscoitos quebravam a doçura com o amargor do café e seu cacau deixava tudo mais achocolatado. Se existe aqui algum defeito este era apenas referente ao cacau que, disposto em todos os lugares do prato, se tornava relativamente exagerado.

Custo Benefício: 4/5

Interessante quando temos um desconto. O lugar é simples, um bistrô agradável que se preocupa em servir uma comida confortável, porém pouco sofisticada ou inovadora. Não que isso seja um defeito, é na verdade uma característica. Os pratos ficavam numa média de R$50 (para massa e carne, não está muito fora do esperado), enquanto as entradas iam dos R$15 até o valor dos próprios pratos. Para comer bem, se gasta um ticket médio de R$60, o que atualmente não é nada de se cair para trás. O bom é que o Chefsclub dá até 50% off no local, então dá para comer bem com um valor super razoável.

AQUI TEM CHEFSCLUB, que deixa a conta bem mais gostosa.

chefs club

Dicas:

Chegue cedo e tente um lugar próximo a porta, para não passar frio no lugar. No inverno, a casa oferece uma sequência de mini panhocas, que parece uma delicinha a parte para se comer na rua. Entregue-se a um bom vinho, leve seu cartão de descontos, peça um taxi e voilá! Uma noite romântica ou divertida com os amigos em um ponto super agradável da cidade. 🙂

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres
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