Inka – RW 2015, 2ª edição

NOTA DO ALMOÇO: 3.0/5

Na segundona, dia 14/09 começou o festival mais democrático da gastronomia aqui na capital mineira! Até o dia 04/10, o Restaurant Week toma conta da cidade e os menus degustação (entrada, prato principal e sobremesa) já estão listados no site! São 60 restaurantes participantes – sendo 16 novos! – que servirão almoço por R$39,90 e jantar R$51,90 no jantar! Partiu week?

Nas últimas edições, o Week sugere um tema para inspirar o menu das casas, fato que o organizador Fernando Reis considerou interessante para estimular a criatividade dos chefs na criação dos cardápios. Aderir ao tema não era obrigatório, mas sempre serve como fonte de ideias. Esse ano, o tema não remete a nenhuma culinária específica, não valoriza nenhum ingrediente especial e é um conceito totalmente abstrato. Chama-se Gastronomia Afetiva. A ideia é criar pratos que tragam uma memória de família, viagens e momentos marcantes. Segundo Fernando: “Nosso objetivo com este tema é buscar estreitar ainda mais a relação que existe entre clientes e restaurantes, enaltecendo as comemorações em torno da mesa, despertando sensações e mostrando temperos que traduzam as características de cada chef”. Ademais, o Week ainda arrecada R$1 por refeição para doar para o Hospital da Baleia, trazendo motivos ainda mais estimulantes para provar alguns dos menus.

Três dicas importantes que aconteceram na última edição e se repetem nessa:

1) Você continua podendo trocar Dotz para degustar o Week! 2.000 dotz = menu week almoço e 2.750 dotz = menu week jantar! Incrível, não é? Confira no site os restaurantes que aderiram a esse benefício clicando aqui.

2) Ainda é possível reservar online através do The Fork, uma empresa do Trip Advisor. Clique e veja onde você pode reservar agora!

3) Vejam que mantivemos o campo em nosso blog para falar do Week! Ele fica logo abaixo do título, onde há uma aba fixa chamada Restaurant Week.

Corra e tente ir no maior número de casas possível! E não se esqueça de conferir o ONDEcomo regularmente para ver nossa cobertura do evento! Serão posts mais curtos e mais frequentes para levar aos nossos leitores uma boa amostragem dos menus! E queremos sugestõooes! 🙂 Comente nos posts, aqui, no Facebook (/ondecomo), Instagram (@ondecomo) ou mesmo nos mande um e-mail no ondecomo@gmail.com!

NOTA GERAL: 3.0/5

Menu JANTAR

Sobre o Inka:

Acreditam que nunca fomos no Inka? :O Pois é. O restaurante que é um dos novos “tradicionais” da cidade é uma fusão muito cheirosa e bem temperada de japonês e peruano. Sua localização em um grande imóvel no bairro Luxemburgo (dividindo o espaço com a também famosa pizzaria Dona Marguerita) é super estratégica, no meio de um potencial novo ponto gastronômico, e com uma estrutura super moderna e imponente. O único problema (e percebam que no verão isso é bem grave) são as enormes janelas da casa, que deixam entrar uma luz natural (maravilhosa) e um calor verdadeiramente incômodo. Poucas mesas ficam longe do sol – e da consequente estufa criada – o que deixa poucos espaços agradáveis na hora do almoço. Ah sim, o atendimento da casa é ótimo, com garçons muito presentes e um gerente simpático e super ágil.

Gastronomia:

Como falamos, a casa é uma mistura das culinárias japonesa e peruana. As duas usam muito de carnes cruas, arroz, temperos bem presentes e sabores avinagrados. A diferença é que na peruana vemos coisas mais próximas da nossa cozinha (só que bem mais apimentadas), como batatas, frutas e carnes assadas. Para o week, o cardápio estava uma fusão dos dois mundos, com uma incrível influência brasileira.

Entradas:

Causa Limeña (causa com salmão selado, abacate e molho acevichado): 4/5

Causa Limeña

O prato (que talvez seja difícil de compreender na descrição) era uma isca de salmão sobre uma quenelle de purê de batatas, temperada com maionese e acompanhada de abacate (que dava um quê bem mexicano à combinação). Sinceramente, é difícil pensar em como ficar melhor que esse prato. Era uma maravilhosa massinha de batata, em textura incrível e sabor suave, sendo uma ótima base pra uma boa parceria entre o abacate e molho. Suas nuances de limão e toque de páprica deixavam todo o conjunto super cheiroso, com uma cremosidade incrível e uma dinâmica de sabores tentadora. O salmão (que aqui não era protagonista) era bom, e combinava com todos os companheiros de prato. O que faltava ali não era nenhum ingredientes específico, mas sim um pouco de cada, já que a entrada era deveras pequenina.

Tiraditos Tricolor (finas fatias de salmão, atum e sarda com leche de tigre, molho de ervas e aji): 3/5

Tiraditos Tricolor

A segunda entrada já era mais oriental, lembrando um amontoado de sashimis. As fatias finas eram de atum, salmão e peixe branco, e estavam muito temperadas no estilo ceviche peruano, abusando do limão e da cebolinha. A textura estava boa, mas poderia ser potencializada com um corte mais elegante e espesso, que manteria um toque mais fibroso da carne em cada mordida. Agora, se a outra entrada era pequena, essa definitivamente compensava! Sua fartura fazia com que o mesmo lembrasse um petisco, ou qualquer outra coisa que pudesse ser até compartilhada. Vale mencionar também a decoração simplória, gritando por uma louça diferente ou por uma disposição mais elegante das fatias.

Pratos Principais:

Braseado (costeleta suína braseada com anticuchea de aji panca acompanhada de arroz com alho e vinagrete): 2/5

Braseado - Costeleta suína braseada com anticuchea de aji panca acompanhada de arroz com alho e vinagrete

O bem servido prato principal vinha com uma carne grande e boa, que estava macia mas não tão macia assim, deixando apenas a expectativa de uma costela que se soltaria facilmente do osso (o que encheria a boca e os olhos de qualquer um). Para acompanhar um amontoado de arroz (por que, Brasil?) que era perfeito para decepcionar qualquer amante de boa comida, nos trazendo de volta a infeliz obrigação de se comer a carne acompanhada do famoso grão. Ainda assim, seus temperos repletos de alho e a vinagrete de cebola agradavam, afastando – um pouco – o prato de uma possível monotonia.

Picante (quinoto de aji amarillo com picante de filé mignon e salmão): 3/5

Picante - Quinoto de aji amarillo com picante de filé mignon e salmão.

Esse prato, já bem menos brasileiro e bem mais picante, era montado sobre um montinho de cuscus, com alguns cubinhos de peixe e filé bem envolvidos em um molho picante incrível. O peixe estava cozido num ponto excelente, ficando com uma textura deliciosa, e sua carne tinha um paladar defumado maravilhoso, que acabava contrastando bem (incrível não?) com a leveza do peixe. A infelicidade aqui ficava por conta do tal do cuscus de quinoa que, bastante sem gracinha, não agregava muito ao(s) ator(es) principal(is).

Sobremesas:

Arroz Zambito (cremoso arroz cozido em calda de rapadura): 2/5

Arroz Zambito

O tal do “arroz doce peruano” era…. bobo. Seu toque pouco cremoso (lembrando o arroz tradicional da mamãe) não era digno de sobremesa, trazendo uma textura bastante frustrante. A calda ficava totalmente no fundo e, com a colher que tínhamos, era difícil alcançá-la para misturar ao restante do item. Seu gosto era doce, mas tão doce, que enjoava em poucas colheradas e fazia com que mesmo um shot tão pequeno, acabasse sendo um exagero de açúcar para encerrar um almoço tão apimentado.

Mousse de Maracujá (mousse de Maracujá com raspas de chocolate): 4/5

Mousse de Maracujá

Se uma das sobremesas não agregou, a outra soube superá-la. A demonstração de que o Inka criou um menu perfeito paralelo a um menu sem graça estava então completa. A mousse de maracujá (servida simpaticamente em sua própria casca) era deliciosa, com textura muito aerada e um sabor cítrico inconfundível. O pouquinho de maracujá (polpa e sementes) que foi depositado sobre a mousse ajudava no crocante e na refrescância, criando um jogo de toques e paladares muito delicado. O chocolate era ralado e depositado sobre um ladinho da fruta, ficando pouco para quantidade do creme, mas criando um gradiente de sabor ao longo da sobremesa bastante bem vindo. Uma combinação soberba, gostosa e fresquinha como a primavera.

Dicas:

Bom, a dica seria saber escolher, não é mesmo? Afinal, se tivéssemos pegado só um item de cada passo teríamos tido uma impressão completamente diferente (uma muito boa, e outra somente ok). Todavia, vimos que o Inka tem sabores muito interessantes, criativos e bem montados. Por isso, fora ou dentro do week, provem, de preferência à noite, e conheçam os sabores desses países tão distantes combinados.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Aun Tôrres

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