Olga Nur

NOTA GERAL: 3.9/5

www.olganur.com
Rua Curitiba, 2202 – Lourdes – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3566-1851

chefs club

Localização e Ambiente: 5/5

O Olga Nur (pois é, aquele rabisco que você achou que estava escrito embaixo é uma palavra) é a nova grande casa de Lourdes, ocupando o espaço onde antes estava o clássico O Dádiva. Como vocês devem se lembrar, a localização é excelente, bem na esquina de duas ruas hiper movimentadas, onde ficam vários dos mais famosos estabelecimentos da capital mineira. Externamente a casa exibe um espaço da Corona – a cerveja mexicana que vem sendo fortemente divulgada na cidade – com bangalôs em madeira clara, almofadas coloridas e largos ombrellones. Porém apesar de um externo aceitável, é justamente internamente que a magia acontece. A casa não mudou muito dos tempos de Dádiva, porém a alteração que ela fez traz todo um conceito que nos relembra que tudo mudou. O teto é coberto de pequenas “flautas” de madeira de forma disforme, como se fosse um teto fluido e musical, o que deixa o ambiente simplesmente incrível. Ah, lembre-se que, a não ser que você vá nos dias mais vazios, não vai rolar de chegar e estacionar. Então, uma boa para aproveitar os drinks da casa é chamar um táxi, uber ou qualquer meio de transporte no qual você não precise guiar.

Atendimento: 4/5

O atendimento é bom. E só. Os garçons são educados? São. São solícitos? São também. E aí? Hoje em dia, em um mundo de extrema concorrência, um atendimento é aquele pedacinho onde podemos notar a real diferença entre uma casa cheia e uma cozinha movimentada ou uma casa com alguns pingados ali e acolá. Então, ainda que o estabelecimento cumpra aquele clássico “oi, tudo bem, essa é a sua mesa, estou à disposição” de sempre, isso acaba deixando aquela sensação preta e branca que vemos muito por aí. É preciso cordialidade, simpatia, sugestões, ânimo e alma nos atendentes, o que existia em algum deles, mas definitivamente não em todos.

Gastronomia: 3.7/5

Com um cardápio altamente francês (porque será?), o estabelecimento apresenta de forma sucinta e interessante um conjunto de pratos que saíam do clássico steak tartare e chegavam até o famoso petit gateau. É sempre bom ressaltar que existe também uma aba com variadas sugestões do chef (algumas delas vocês poderão conferir abaixo) que acreditamos serem sazonais.

Entrada:

Linguiça de cordeiro ao molho de mostarda e mel: 5/5

Linguiça de cordeiro ao molho de mostarda e mel

Nossa, que bela maneira de começar a degustação da noite! A linguiça era simplesmente formidável, muuuito bem feita, no ponto perfeito, macia e ainda assim com uma textura incrível. Seu baixo teor de gordura muito bem moído e distribuído ao longo da carne fazia desta um verdadeiro exemplar de prazer, ainda mais quando o canudo de carne se encontrava extremamente bem temperado e ponderado. Para acompanhar, um molho digno de dar saudades, com sabor presente de mostarda e apenas um agradável adocicado de mel, evitando assim que o prato se tornasse enjoativo e massante. Completando o pecado um pouco de salsinha dava aquela quebrada no industrializado e fornecia um frescor muito bem vindo. Ah sim, o prato não acompanhava essa boa e quase mandatória cestinha de pães (afinal é sem graça comer uma carne tão boa e um molho tão incrível sem um pãozinho para acompanhar) e, ainda que os pãezinhos fossem apenas ok, deixando um pouco a desejar com aquela sensação murcha, eles de fato completavam a formidável carne.

Pratos principais:

Risoto de polvo: 3/5

Risoto de polvo

Somos suspeitos com polvo (percebam que é difícil não pedir quando ele está ali, te olhando do cardápio), então é lógico que ele teria que fazer parte da nossa degustação no Olga. Com um ponto ok, talvez um pouquinho mole demais, o arroz que deveria se envolver e brilhar nos sabores dos frutos do mar se tornava simplório, sem gosto e ignorável, problema provavelmente oriundo de um brodo aquém das expectativas, que falhava em reforçar os sabores fortes ali presentes. O resultado era uma base de legumes simples e entediante com salsinha e tomates demais, encobrindo ambas as carnes sempre bem vindas. Para completar nossa tristeza, o prometido destaque do prato era feito à parte, e só era unido ao arroz nos finalmentes do preparo, o que deixava de lado a linda oportunidade de adicionar o gosto dos pescados à guarnição, apagando (ainda mais) seu sabor. De qualquer forma, o empanado das ostras era gostoso e crocante e os tentáculos estavam bem feitos. Um prato que ficava no limite do gostoso, sem surpreender.

Bacalhau ao forno: 5/5

Bacalhau ao forno

Opaaa, se o polvo não compareceu esse bacalhau soube nos deixar sem palavras! A pergunta que não quer parar de ser feita é simples, o que diabos era aquilo? O peixe estava simplesmente soberbo, no ponto perfeito, na textura perfeita e com o sabor perfeito! Seu tempero de palmito e alho poró braseado era simplesmente enlouquecedor, deixando o enriquecido molho à base de creme de leite ser quebrado de forma abrupta pelo sabor de queimado das camadas mais externas do vegetal. Um prato de combinações equilibradas que de fato surpreenderia até o mais implicante dos degustadores. Ah sim, é bom relembrar que este prato também era acompanhado de um purê de batatas que, de tanto queijo, quase se tornava um aligot. Um dos pratos listados como sugestões do chef e, como podem ver pelos nossos elogios, um dos pratos que realmente esperamos ver como item permanente da carta.

Sinfonia do mar com purê de banana e curry tailandês: 4/5

Sinfonia do mar com purê de banana e curry tailandês

Composto a partir de um salmão de ponto correto e sabor ótimo, o prato conseguia agradar em todos os seus parâmetros. Ainda que a pele do pescado se tornasse meio desnecessária, e acabasse criando uma textura um pouco equivocada perante ao todo, nada disso denegria a qualidade do prato. Acompanhando, (numa quantidade digna de dar pena) a dupla de camarões exibidas aqui estava muito boa, mas infelizmente contrastava negativamente com o par de ostras e polvo que, apesar de gostosos, pareciam não saber muito bem o que estavam fazendo no prato, ficando meio perdidos na aparente necessidade de existir o máximo possível de frutos do mar sobre a louça. Para completar o prato um purê de banana ótimo, que poderia ser melhor tratado e consequentemente se encontrar numa versão menos oxidada e de sabor mais cristalino, mas ainda assim, um purê ótimo, que combinava soberbamente com o suave molho curry pouco apimentado.

Nhoque de ervas com molho bourguignon e champignons: 3/5

Nhoque de ervas ao molho bourguignon

Digamos que o incrível Bacalhau que citamos tinha levado tudo para outro nível de avaliação, o que infelizmente não foi mantido na sequência das degustações. Aqui, apesar do protagonista ser, em teoria, o nhoque, quem estava em real destaque nas quantidades era a carne. E olha que nem imaginávamos que viria carne nesse prato, apenas o molho da mesma. Composto por uma massa ok, que tinha um pouco de gosto de farinha e pouco sabor das ervas, a combinação do conjunto era confusa. A carne com estilo de panela meio sem graça massacrava a suavidade do suposto protagonista, especialmente quando combinada com o clássico molho. Os ovinhos, super simpáticos, eram visualmente divertidos, mas sua ausência de tempero deixava cada uma das mordidas que estes acompanhavam insossa e sem graça. Para finalizar, cogumelos super sutis, que mais ajudavam o molho a ser tornar completo do que criavam uma nova dimensão ao prato.

Sobremesas:

O verdadeiro Petit Gateau de chocolate meio amargo: 4/5

O verdadeiro petit gateau

Esse petit gateau pode dividir opiniões. O clássico tão famoso do Jacquin (que assina o cardápio da casa), que diz ser um dos primeiros chefs a trazer a receita para o Brasil, era um exemplar perfeito da tradicional sobremesa francesa. A questão é se ele não era francês demais para nós. Quem já deu uma viajada para comer sabe que, quando provamos doces fora do país, vemos que gostamos (em geral, claro) de coisas bem mais adocicadas do que no restante do mundo. Por isso, as vezes acontece uma abstinência de açúcar, pois provamos doces e doces por aí e não conseguimos chegar no nível de doce que o brasileiro gosta. Ainda assim aqui o bolinho conseguia agradar por variadas circunstâncias, primeiro sua textura ideal, durinho por fora, saboroso e bastante macio por dentro. Segundo seu toque amargo do cacau, bastante presente e muito robusto, que ia de encontro maravilhoso ao adocicado sorvete. Terceiro em si o próprio sorvete que, muito melhor que o bolinho, merecia todos os aplausos por simplesmente existir como um exemplar perfeito de textura e sabor. O resultado? Um petit gateau basicamente perfeito, que ouso dizer ser o mais próximo daquele nomeado como “original bolinho Jean-Georges”, mas para quem já provou o verdadeiro sabe que, assim como esse, ele é, na realidade, decepcionante.

Ècolier: 2/5

Écolier

Essa novidade nos deu curiosidade, então decidimos inovar e sair dos franceses conhecidos para provar do ècolier. Novamente, ficamos chocados com o sorvete formidável. A vontade era comer só ele e pedir um refil para sair na rua com seu próprio pote de 2 litros (apesar de acreditarmos que isso não seria financeiramente viável). A casquinha de amêndoas, que também estava presente como decoração do petit gateau, era uma delícia, super crocante e saborosa, salpicada com açúcar de confeiteiro. Porém, como nem tudo são flores, existia ali uma calda de chocolate e, ah, essa sim era uma bela de uma decepção! Frente a todos os quitutes lindamente executados existia também uma calda de sabor débil, textura granulada e pelotas daquilo que imagino ser algum terrível espessante para fazer render. Uma sobremesa simples, sem graça e com um tropeço bastante infeliz.

Custo Beneficio: 3/5

Vocês já imaginam que, com essa assinatura e com essa localização, o lugar não seja nada econômico, certo? Certo. Mas ficamos felizes de ver que não há nada de exorbitante (mas também nada muito acessível) nos preços dos itens que pedimos. Podemos considerar um ticket médio de R$120, para entradas e sobremesas rateadas. Para algumas coisas (como o bacalhau) é muito, mas muito justo. Para outras, é somente aceitável.

Como sempre, com um descontinho, tudo fica bastante válido, porque AQUI TEM CHEFS CLUB (que deixa a conta bem mais gostosa)!

chefs club

Dicas:

Simples: linguiça + bacalhau + sorvete (qualquer coisa que tenha o sorvete vai servir). A dica também é chegar cedo ou reservar, pois como o lugar é recente e virou modinha, estará sempre bastante concorrido. Outra dica importante: não acredite, como um de nós, que o Jacquin estará lá. Infelizmente a agenda do biquinho mais simpático do Brasil é hiper lotada, então suas checadas na cozinha são breves e raras. 😦

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres
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