A la folie

NOTA GERAL: 3.8/5

Rua Orange, 67 – São Pedro – Belo Horizonte – MG | Tel: (31) 3658-7497

Localização e Ambiente: 5/5

Se lembram da Belo Comidaria? Uma casa grande e bonita próxima ao Pátio Savassi, com um cardápio bem contemporâneo e um espaço para qualquer hora do dia? Bom, é justamente na simpática casa onde outra hora foi a agradável Belo que abriu um novo restaurante, com uma carinha francesa, menu de café da manhã e uma carta bastante interessante. Com a acertada decisão de manter basicamente toda a identidade da Belo, que convenhamos era uma das casas com mais estilo da capital, o A La Folie conseguiu com pouquíssimas modificações deu um ar mais colorido e sutilmente menos rústico, que se manteve entre a loucura hipster mineira e uma incomum informalidade francesa.

Atendimento: 4/5

O atendimento era ótimo. Os garçons eram cordiais, simpáticos e super presentes. Não eram, ao contrário de alguns franceses, frios e antipáticos, e preferiam manter um clima mais descontraído para deixar os clientes à vontade. Uma combinação simples e eficiente perfeitamente capaz de trazer sorrisos a qualquer grupo de clientes.

Gastronomia: 3.1/5

Como já foi dito, a casa é um francês descontraído, com muito do país da gastronomia, mas sem todos aqueles requintes – por vezes até exagerados – que vemos no classicismo de lá. No cardápio, que mistura boulangerie (padaria) e bistrô, as opções são bem enxutas (o que é sempre lindo de se ver), mostrando a cara da França em suas seleções de carnes (com muito pato), pães muito interessantes e doces, como esperado, não tão doces assim.

Entradas:

Rillettes de canard (patê de carne de pato cozida com “Armagnac “, servido com pão feito com fermento natural): 3/5

Rillettes de canard

Composta por quatro torradinhas consideráveis com muito, mas muito patê, essa entrada nos fez salivar só de ler a descrição no cardápio. Nossa infelicidade aqui ficava justamente por conta dessa exagerada porção de patê, fazendo com que os demais sabores se apagassem sobre o pão, ofertando ao maravilhoso creme de alho e a bem posicionada mostarda apenas um papel decorativo, massacrados pelo paladar do pato. O resultado era uma boa entrada que acabava se tornando enjoativa por suas proporções exageradas.

Flammekueche vegetariano (massa fina com azeite, cebola, tomate seco e cogumelo): 5/5

Flammekueche vegetariano

Esse item diferente foi uma sugestão do atendente, que foi muuuito bem recebida. Maravilhosamente bem temperada, a entrada era um tapa na cara de simplicidade, que funcionava super, mas super bem. Feita sobre uma finíssima massa crocante a base de manteiga, o prato era o exemplo vivo de proporções perfeitas, com a quantidade ideal de cebola, legumes e temperos, transformando cada pedacinho num impressionante petisco. E digo ainda mais, como cada parte do prato era preparada separadamente e servida junto, diferentemente de uma focaccia ou pizza, nas quais tudo vai ao forno ao mesmo tempo, o prato demonstrava maestria e controle de vários ingredientes distintos com pontos e preparos diversos, permitindo um combinado único de texturas e paladares.

Pratos principais:

Budião laqué (peixe budião dourado, coberto com especiarias e gergelim, servido com alho poró e gengibre): 2/5

Budião laqué

Começamos leve, com um peixinho e legumes. Composto de um molho excelente, com sabor forte e presença marcante de pimenta do reino, o prato começava bem e só melhorava quando combinado com sua caminha de alho-poró caramelizado, que ia de perfeito encontro (e que encontro!) com a acidez e o toque picante do molho, colocando os coadjuvantes do prato num pedestal. Pena que uma verdadeira infelicidade se encontrava com o pescado que, apesar de bem feito e apresentado num ótimo ponto, tinha uma quantidade quase ridícula de espinhos, capaz de arruinar toda a degustação.

Hambúrguer de canard (hambúrguer de pato, molho de alho assado, queijo mineiro e chips de baroa): 4/5

Hambúrguer de canard

O apetitoso hambúrguer era um item que não esperávamos ver em um cardápio. Com carne de pato, não demorou muito para que pedíssemos essa delícia para a nossa mesa. A carne era ótima, muito bem destroçada, ponto perfeito e com acompanhamentos excelentes. O sanduba em geral não tinha muitas pontas soltas, com um pão macio e gostoso e ótimos ingredientes. Nem os apenas satisfatórios acompanhamentos laterais, compostos de batatas e saladinha, conseguiam apagar o maravilhoso membro principal da peça, especialmente quando ele era soberbamente temperado de cebolas caramelizadas, bacon crocante e um queijo muito bem derretido, com pontas tostadinhas.

Pernil braseado (pernil na brasa acompanhado de farofa de sálvia, picles de cebola tostada e purê de cenoura): 5/5

Pernil braseado

O prato, que era uma sugestão do chef e por isso não figura no cardápio tradicional da casa, foi o que mais nos impressionou naquele despretensioso almoço. A carne era nada menos que excelente, bem feita, desconstruída e montada em bolinhos para daí ser caramelizada. Sua cor, sua textura e seu sabor eram indescritíveis, derretendo na boca e trazendo uma doçura suave, contraposta a uma carne de porco bem temperada. O purê de cenouras que acompanhava também era sensacional, com textura bem firme – mas ainda assim cremosa – e gosto suave. Para completar as texturas e o sabor mais mineiro, uma excelente farofa de sálvia que, sinceramente, não tinha muito gosto de sálvia. Acompanhando essa crocância, os sempre bem vindos picles de cebola tostada pontuavam o prato com uma acidez de conserva maravilhosa. Um prato lindo, bem feito, bem bolado e bem definido que, sinceramente, espero se tornar um item permanente na carta da casa.

Sobremesas:

Ópera (sobremesas francesa com biscoito de amêndoa, creme de café e chocolate): 2/5

Ópera

Frente a tantas descobertas interessantes, nossa expectativa para a sobremesa era alta! Para começar escolhemos o ópera, um doce clássico francês, com toques de café, chocolate e biscoito. Feito a partir de um biscoito de amêndoas bastante decepcionante, meio que com gosto de nada e textura sem graça, o prato de montagem linda se tornava apenas um exercício de se comer com os olhos. Seu creme de café (que vinha ao lado) era um exemplo de zero criatividade, caindo na mesmice bege dos outros ingredientes. Por fim, uma sobremesa boba, mal definida e perdida no meio dessa fusão agradável até então exposta pela casa.

Mille feuilles fraise (mil folhas com creme de fava de baunilha e morango): 1/5

Mille feuilles fraise

O clássico mil folhas francês veio montado de forma, digamos, interessante. Ao invés de ser uma pilha de camadas de massa e creme patissière, ele dispunha esses ingredientes lado a lado, dando abertura tanto para prová-los individualmente quanto para combinarmos diferentes proporções de cada ingrediente numa mesma mordida. Ainda assim, e posso dizer que ficamos bastante decepcionados com o resultado, nada era bom ao ponto de funcionar sozinho. A massa era crocante e ok, não tão delicada como gostaríamos, seu creme tinha sabor forte de ovos, textura por demais gelatinosa e nenhum gosto de baunilha, o que geralmente vai muito bem com o combinado folhado e frutas vermelhas. O melhor dali era a calda de morangos, gostosinha e de boa textura, algo que apesar de aceitável jamais seria o bastante para apagar os demais ingredientes.

Custo Benefício: 4/5

Os pratos são pequenos, como esperado de um francês, porém servem o tanto que deveriam (nada de exageros aqui) e são realmente gostosos. Começam na casa dos R$30 e não passam muito dos R$40, o que é super interessante! As entradinhas ficam na casa dos R$20, assim como as sobremesas, e no final das contas o tícket médio fica R$60, para entradas e sobremesas rateadas. Um custo benefício muito válido para a qualidade dos pratos e estilo do restaurante.

Dicas:

A casa também serve café da manhã, algo raro em BH! Então, a dica é tentar ir mais cedo para conhecer o cardápio desse horário (que infelizmente não fomos). Se for para almoçar, como nós, ou para jantar, recomendamos MUITO o Flammekueche do sabor que você escolher e o incrível pernil que era sugestão daquele dia.

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres
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