Benvindo – RW 2016, 1ª edição

NOTA JANTAR: 3.0/5

Sobre o Benvindo:

O Benvindo é um contemporâneo com toques marcantes de francês. Seu ambiente é hiper simpático, especialmente depois da reforma que trocou a casa de ponto, se tornando mais amplo e imponente. Se lembram do Ficus? Pois é, ele infelizmente fechou, e com isso o Benvindo arrumou suas malas e agora ocupa sua bela casa, conhecida pela árvore gigantesca (um ficus, claro) logo na entrada. Além do fato de estar bem maior, o ambiente ganhou muito estilo. Agora a casinha está à meia luz, com sofazinhos vermelhos bem gostosos (sinceramente, você acha que nunca mais vai conseguir levantar de tão confortáveis), mesas com toalhas em padrão xadrez, paredes em pedra, uma agradabilíssima varanda, além de alguns divisores de ambientes num estilo mais descolado como prateleiras de tudo que podemos imaginar.

Ah sim, e vale dizer que durante nossa visita a casa estava relativamente vazia, o que – convenhamos – ajuda a dar uma sensação intimista e possibilita a cada um dos atendentes gastar mais tempo com cada mesa. Ainda assim, o mérito é todo do estabelecimento, que certamente merecia aplausos por seu atendimento encantador.

Gastronomia:

Como dissemos, é um internacional com certas tendências francesas, não se tornando tão restrito quanto outros franceses clássicos e agregando positivamente ao cardápio com algumas intervenções interessantes. Para o Week vale lembrar de seu tema, Clássicos com toque brasileiro, ok?

Entradas:

Terrine com compota de cebola roxa confitada: 4/5

Terrine com compota de cebola roxa confitada

O belo prato vinha com uma porção – MUITO – generosa de terrine. Se o exagero por um lado é bom, por outro fazia com que toda aquela pasta não fosse páreo para a meia duzia de torradinhas que acompanhavam. Seu terrine era agradável, com toque de fígado acentuado e baixíssimo paladar de qualquer outro tempero ou agente unificante, deixando apenas para as cebolas confitadas o trabalho de quebrar a monotonia do prato. Esse detalhe certamente não seria um problema uma vez que a cebola roxa era o verdadeiro trunfo do prato, de sabor adocicado e com textura maravilhosa. Com isso, o confit trazia apenas suspiros agradáveis aos seus degustadores (isso enquanto seu volume, drasticamente inferior ao da pasta, durasse). Finalmente, as torradinhas que, de boa textura e sabor aceitável (ainda que parecessem torradas de supermercado), era perfeitas para incrementar um crocante extra e um salgado ao todo.

Salada de alface americana, lascas de frango com páprica, molho de avocado e tomatinhos: 4/5

Salada de alface americana, lascas de frango com páprica, molho de avocado

A simpática marmitinha de salada era super gostosa, e uma ótima opção light para aqueles mais saudáveis. A alface americana era boa, mas não crocante o suficiente, seu frango era bom, bem temperado e num ponto agradável, talvez um pouco menos suculento que o ideal, mas ainda assim nada duro ou ressecado em demasia, fazendo com que a salada no geral se tornasse agradável. De infelicidade aqui, apenas a inexpressividade (para não dizermos inexistência) da páprica e do abacate, além da falta de algo mais gordinho e crocante, como um queijo ou um punhado de croûtons.

Pratos principais:

Filet ao poivre com pilafes de arroz selvagem e batatas rústicas: 2/5

Filet ao poivre com pilafes de arroz selvagem e batatas rústicas

Hum, que carne. Os filets estavam deliciosos, no ponto perfeito, suculentos e muito bem cortados. Aqui a infelicidade no entanto começava cedo, já que, apesar da boa carne, o molho não fazia jus ao clássico, retendo apenas o paladar pesado da pimenta do reino que, mesmo sendo ok, não era o bastante para se criar um sabor verdadeiramente encantador. Para ajudar o conjunto, um amontoadinho de batatas super agradáveis, muito crocantes por fora e super macias por dentro, e um não tão bem-vindo arroz 7 grãos, completamente negligenciado durante o processo criativo de criação do prato, se tornando completamente dispensável.

Salmão grelhado ao molho de espinafre com batata rosti recheada de creme de castanhas: 3/5

Salmão grelhado ao molho de espinafre com batata rosti recheada de creme de

O belo prato vendia mais do que portava. Montado a partir de uma posta de peixe mínima, a carne se encontrava além do ponto e, portanto, ressecada. Para acompanhar o quase petisco de peixe, uma quantidade igualmente reduzida de um molho agradável, com sabor relevante da folha e toque de frescor agradável. Ao lado, um bolo de batata rosti ok, meio sem graça, e sem qualquer creme de castanhas, apenas uma quantidade elevada de requeijão tipo catupiry. O resultado era um prato simples, daqueles que você fica orgulhoso de preparar em casa, mas não tão feliz de pedir num restaurante.

Sobremesas:

Alfajor liquido: 3/5

Alfajor liquido

Hum. Como adoramos essa sobremesa. É tão leve, tão saborosa, tão interessante, que ficamos felizes que ela retorne a cada Week. Sua combinação incrível de creme, chocolate em lasquinhas e biscoito triturado traz uma sobremesa completa: crocante, docinha, saborosa, geladinha e muito, muito agradável. Ainda que dessa vez seu paladar estivesse um pouco mais tendencioso ao creme de leite que o normal, não era nada muito relevante para estragar a degustação de uma das mais clássicas e amadas sobremesas da cidade.

Bolo de cenoura com calda de chocolate e pé de moleque de bacon: 2/5

Bolo de cenoura com calda de chocolate e pé de moleque de bacon

Gente. Vamos contar uma coisa antes de falar desse prato. Amamos bolo de cenoura. Bolo de cenoura com calda de chocolate é uma daquelas coisas da casa da vó (para mim, casa da sogra, já que não existe bolo no mundo melhor que o dela), que te lembra sua infância, uma época de pura curtição na vida. Então entendam nossa imensa decepção com esse bolo. Não sabemos se era de caixinha, não sabemos se era de padaria, não sabemos se tinha sido feito há uma semana. Só sabemos que isso não pode ser considerado um bolo de cenoura. Era completamente duro e seco, como se fosse realmente velho, mal feito ou comprado em um lugar (que venda bolos velhos e mal feitos). A calda de chocolate era muito líquida, que sabe até para tentar compensar a pedra que o bolo estava (apesar de que preferimos pensar que a cozinha não provou o bolo e não sabia como ele estava ruim). Se existe uma razão para sorrir aqui era apenas o incrível pé de moleque de bacon que, apesar de deslocado no meio desse conjunto de bolo e chocolate, era crocante, salgadinho e muito gostoso! Certamente combinaria mais com a salada da entrada, que pedia aquele crocante.

Dicas:

Quem sabe visitar a casa que está de cara nova e ficar nos pratos clássicos do cardápio? Pode ser uma ótima e deliciosa ideia!!

post and review by Eduardo Boaventura e Path Aun Tôrres

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