Graciete

NOTA GERAL: 4.5/5

Largo Frei Vicente Botelho, 101 – Cidade de Ouro Preto – MG | Tel: (31) 3551-5377

Localização e Ambiente: 5/5

O ambiente do Graciete é muito mais do que um bairro, muito mais do que um espaço e uma decoração, é algo realmente histórico. Isso porque a simpática casinha fica localizada na belíssima cidade de Ouro Preto, em meio a toda a tradição do dourado, das igrejas, da estrada real e da pedra sabão. Com esse contexto incrível, o restaurante ganha pontos em magia e experiência, te convidando a passar um dia, ou quem sabe um fim de semana, em meio a toda aquela aula de Brasil. Para quem não é da região, como é o nosso caso, não é tão fácil de chegar (por não estar próximo aos pontos turísticos mais clássicos), mas nada que um bom Google Maps e algumas voltinhas não resolvam. A casinha bem no meio de toda essa belezura que é a cidade tem uma agradável vista, é super aconchegante e retém seu estilo residencial com dois ambientes compactos, mobiliário elegante e ainda assim simples, janelas imensas e elementos de composição como livros, flores e tudo mais. A sensação é de estar beeeeem longe (bem mais que o percorrido).

Atendimento: 5/5

Para combinar com toda a fofura da casa, o atendimento também é super cordial, presente e nada invasivo, deixando que você viva aquele momento com intensidade, mas ainda assim com leveza. Recebemos várias sugestões, opiniões, e ainda fomos atendidos pelo sommelier convidado e pelos chefs que eram todos pura simpatia.

Gastronomia: 4.0/5

Ah, a satisfação de encontrar um cardápio sucinto e bem resolvido é imensa. O menu da casa era harmônico, dividido em petiscos, entradas, pratos principais e sobremesas. Claro que provamos um pouquinho de cada para opinar sobre tudo e engordar uns bons 20 kilos. Os petiscos são bem ousados, com um toque sempre abrasileirado em um ingrediente ou preparo. Suas entradas são clássicas e saborosas, assim como os pratos, sempre com um traço fora da curva ou uma nuance regional encantadora.

Petiscos:

Chips de batata doce com creme de brie e uvas confitadas: 2/5

O primeiro petisco vinha em uma pequena tora de madeira, muito simpática, e com apresentação formidável. Os chips eram simples e, ainda que elegantes, acabavam sendo finos demais, adicionando um maior sabor de gordura e fritura que o amável gostinho da batata propriamente dita. Sobre eles um queijo enjoativo, que pessoalmente me desagrada (ok, admito, sou daqueles que não são muito fãs de se fazer cremes de queijos com cascas de fungos como Brie ou Camembert, uma vez que quando sua casca é misturada ao seu interior o sabor resultante é completamente diferente do queijo propriamente dito, se tornando meio débil e relembrando, por falta de uma palavra mais adequada, refluxo). Sobre tudo isso um amontoadinho de uvas confitadas, que conseguiam manter seu sabor clássico com um “hue” extra de azeite e acidez.

Tâmaras recheadas com grana padano, envoltas em finas tiras de bacon: 5/5

Tâmaras recheadas com grana padano envoltas em bacon

Esse é um daqueles pratos que podemos estranhar na descrição, mas que, ao chegar à mesa, fica só o arrependimento de não ter pedido somente esse petisco. Delicados, simpáticos e muito bem combinados, os micro espetos eram uma festa no paladar, balançando entre o doce e o salgado de forma magnífica. Ok, para sermos advogados do diabo aqui, certamente um grana um pouco mais envelhecido (cof cof, pelo menos 18 meses) que apresentasse uma cristalização de sal mais proeminente pudesse aguçar ainda mais esses contrastes, chacoalhando seus degustadores a cada mordida, mas ainda assim não se enganem, o conjunto era ótimo, suas texturas maravilhosas e o cheiro de bacon combinado com o adocicado da fruta era nada menos que puro amor.

Entradas:

Brandade de bacalhau (morhua) e alho-poró confit: 5/5

Brandade de bacalhau (morhua) e alho-poró confit

A diferença entre os petiscos e as entradas está realmente no tamanho, já que os dois itens que vocês verão agora são realmente muito bem servidos. A brandade de bacalhau era nada menos que deliciosa, com um toque bem suave do peixe – o que sabemos que não é simples de fazer, já que o bacalhau pode ser matador em alguns pratos -, bastante gosto do alho-poró caramelizado (que incrementava aquele adocicadinho que vinha bastante a calhar) e finalmente aquele toque de limão singelo e muito bem vindo. Ah sim, destaque merecedor para as torradas incríveis, que certamente dão significado à frase “o diabo mora nos detalhes”! Incrível, nada forte e nada pequeno. Um primor!

Caldo de abóbora tostada com camarões VG e palmito pupunha: 4/5

Caldo de abóbora tostada com camarões VG e palmito pupunha

Esse caldo tinha uma descrição tão promissora que acabamos pedindo como prato principal, para não perder a chance de experimentar. A sopinha era ótima, bastante condimentada, cremosa e aveludada, com sabor presente e defumado. Ainda que aqui e ali sentíssemos falta de um óleozinho extra por cima, algo para quebrar a monotonia, o prato no geral era complicado de desgostar. Os camarões eram realmente enormes e estavam em um ponto ótimo, compatibilizando seus sabores e quebrando as texturas até então propostas. Para completar, um palmito que trazia um terceiro toque ao prato, com sabor suave e quê de tostado, trazendo a harmonia nesta adorável batalha entre a abóbora e os camarões.

Pratos principais:

Entrecôte ao molho de mostarda e batatas rasgadas na páprica defumada: 4/5

Entrecôte ao molho de mostarda e batatas rasgadas na páprica defumada

Novamente, um salto em tamanho e um novo rol de sabores nos pratos principais. O entrecôte era bem saboroso, apesar de ser uma peça com bastante desperdício no prato. Seu molho de mostarda era muito bom (e o sommelier gracinha ainda trouxe mais à parte quando viu que gostamos!), ainda que ele vacilasse entre o gosto das mostardas e o intenso sabor de carne, o que é ótimo, mas talvez pudéssemos nos sentir mais realizados caso ele tivesse aquele algo a mais pra arredondá-lo (cof cof, manteiga <3). Para completar a boa carne, batatas nada menos que excepcionais, com o sabor da páprica na medida e aquele famoso crocantinho por fora com textura macia por dentro. Um prato simples com uma execução primorosa, que com certeza agrada a gregos e troianos.

Peixe grelhado com purê de banana da terra, azeite de ora-pro-nóbis, farofa crocante de macadâmia e espuma de gengibre: 5/5

Peixe grelhado com purê de banana, farofa de macadâmia e espuma de gengibre

Mais um prato com visual estonteante e sabores marcantes. O peixe estava nada menos que excelente, no ponto perfeito, com uma espuma com sabor de verdade. Se existia aqui uma infelicidade era da estabilidade da espuma, que muito frágil se desfazia com facilidade. Ainda assim a tristeza era somente por conta de sua textura, uma vez que seu sabor estava ali, com gosto presente e marcante de gengibre. Para completar a dupla de sucesso um purê delicioso, com textura incrível e sabor presente das bananas, talvez apenas um pouquinho oxidado demais, mas isso é porque somos muito, mas muito chatos. Ah sim, e não vamos esquecer do toque de azeite e da crocante farofa que arrematavam lindamente o jogo de toques do prato.

Sobremesas:

Fondant de chocolate belga servido com creme de doce de leite: 3/5

Fondant de chocolate belga servido com creme de doce de leite

Uma sobremesa bem grandinha e bem gostosa. O fondant era super chocolatudo (como podem ver pela cor), cremoso por dentro e crocante por fora. Um super bolo fudge de amor, realmente delicioso. O creme era ótimo para quebrar o chocolate da torta, impedindo que ele ficasse enjoativo ao cortar um pouco da doçura do chocolate belga.

Torta de paçoquinha com sorvete de baunilha fresca: 4/5

Torta de paçoquinha com sorvete de baunilha fresca

Hum, uma torta levemente salgadinha, com gostinho de brasil, perfeita alegria. O sorvetinho de baunilha era delicioso, muito suave, fresco e bem cremoso. As texturas eram super complementares, com o sorvete auxiliando a torta a não ficar muito seca, ao mesmo tempo que quebrava também o leve salgado da paçoca.

Custo Beneficio: 4/5

O preço é bem justo para a qualidade. Os petiscos, assim como as sobremesas, ficavam na casa dos R$20, as entradinhas na casa dos R$30, e os pratos entre R$40 e R$60. Um menu completo não deverá passar dos R$120, com entradas e sobremesas compartilhadas. Vale a experiência! 😀

Dicas:

Se for a Ouro Preto, você tem que ir no Graciete! E se você quer ir no Graciete, vale a pena um pulinho em Ouro Preto, talvez para passar o final de semana, talvez só um sábado ou um domingo. Ah, e por favor, não se esqueçam de provar a Brandade gente, é sério! 😉

post and review by Eduardo Boaventura & Path Aun Tôrres
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2 Respostas para “Graciete

  1. Olá! Sou uma das chefs/proprietárias. Muito obrigada pela postagem. Acabei achando por acaso, jogando nosso nome no Google, e que surpresa boa! Esperamos que voltem mais vezes. Mais uma vez, obrigada 🙂

    • Olá Renata! Tudo bem? Que bom que gostou da crítica! No dia que fomos, conversamos com o Carlos e passamos até nosso cartão para ele, dizendo que iríamos postar algo no blog em breve! Realmente gostamos muito do Graciete e vocês estão de super parabéns! Parada obrigatória em Ouro Preto! 😀
      Abraços,
      Equipe ONDEcomo

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