Itália

 

Desde o começo dessa semana, o Restaurant Week tomou conta da cidade e os belo-horizontinos já podem degustar os melhores estabelecimentos por um preço super justo: R$37,90 no almoço e R$49,90 no jantar! Esse valor é válido para o menu degustação criado especialmente para o festival, composto por uma entrada, um prato principal e uma sobremesa. Curtiu? Pois nós curtimos muito! Então, aproveite para conhecer casas novas e voltar às casas mais tradicionais da cidade para provar esse menu super exclusivo!

Quem nos segue já sabe que há alguns anos o Week se tornou temático, o que, conforme citado pelo simpaticíssimo Fernando Reis, organizador do evento no Brasil, serviu para incentivar a criatividade no desenvolvimento dos cardápios. Ainda assim, não é uma obrigatoriedade aderir ao tema, então os chefs podem ficar a vontade para brincar com os ingredientes que quiserem. Nessa edição, que já é a 10ª, o tema é Gastronomia Saudável, e preza pela priorização de ingredientes frescos e naturais em composições leves, juntando sabor e saúde em um mesmo menu. Interessante, não? E bastante alinhado com a vibe atual dos brasileiros.

Para finalizar, o Week arrecada R$1 por refeição para doar para o Hospital da Baleia, trazendo a esse festival um motivo ainda mais nobre.

Vamos então, aproveite a temporada para curtir o Week em BH, de 16/03 a 05/04! E não se esqueça de conferir o ONDEcomo regularmente para ver nossa cobertura do evento! Faremos, como é de costume, posts mais curtos e mais frequentes para levar aos nossos leitores uma boa noção do que está rolando no festival! Ah, e claro, sugestões são suuuper bem vindas! Comente nos posts, aqui, noFacebook (/ondecomo), Instagram (@ondecomo) ou mesmo nos mande um e-mail no ondecomo@gmail.com! Nos vemos no Week! 🙂

NOTA GERAL: 2.5/5

Menu JANTAR

Sobre o Itália:

O Itália é o restaurante que tomou o ponto do Chez Fumoir, antes ocupado pelo Chez Bastião, numa esquina super bem posicionada no Funcionários próxima à praça da liberdade. Com seu teto coberto por um rebaixamento decorado por furinhos e pintado em vermelho, a casa dá o pontapé inicial no quesito decoração utilizando basicamente as cores da bandeira italiana, contrastando o teto com a lateral dotada de igual textura num tom de verde bastante elegante. Com um pé-direito super alto, dando uma sensação de amplitude em todo seu salão, o estabelecimento de mesas próximas exibe ao fundo uma enorme adega vertical também com luz avermelhada, enquanto as pilastras são revestidas em madeira clara, quebrando a escuridão do lugar. Entre os adornos, temos um painel em madeira com latas e garrafas num estilo armazém interiorano, enquanto prateleiras com vidros de massa crua e colunas com quadros e máscaras deixam o lugar bem caracterizado.

Gastronomia:

Como é de se esperar pelo nome e pela decoração, a especialidade da casa é a culinária italiana. Seus pratos variavam entre carnes, saladas e massas recheadas, mostrando várias das facetas do Itália em um breve menu.

Entradas:

Tartare de grãos marinados em soja com tomates concassé: 3/5

Tartare de grãos marinados em soja com tomates concassé

O belo tartare era bem montado, feito a partir de variada seleção de grãos que incrementavam, cada um à sua maneira, um ponto e uma textura agradável ao conjunto. Igualmente agradável era seu tempero, talvez um pouco forçado demais no azeite, que também garantia certa harmonia entre os sabores do prato. Para completar o prato, alguns cubos de tomate eram então misturados aos grãos e, quase como uma coroa, um amontoadinho fenomenal de uma bela couve levemente crocante dava aquela distanciada do padrão saudável até então exposto, oferecendo um pouco de um muito bem vindo paladar mais gorduroso.

Cone de carpaccio de filé com salada mesclun ao vinagrete de frutas: 3/5

Cone de carpaccio de filé com salada mesclun ao vinagrete de frutas

O cone, que mais parecia uma meia vazia, era feito de uma boa peça de carne talvez grossa demais. Se a carne tinha seus poréns, sua combinação com a rúcula sempre será bem vinda, principalmente quando completada pelos morangos e pela manga. O azeite – novamente bastante presente – dessa vez tocava o prato de maneira especial, criando uma fina camada de sabor que acompanhava muitíssimo bem todo o lado carnívoro da entrada. Diferente da expectativa do vinagrete de frutas, a verdade era que existiam sim algumas gotas de vinagre espalhadas em todo o prato, ajudando o conjunto com aquele azedo tão bem vindo (e contrastavam bem com o sabor predominantemente doce das frutas escolhidas).

Pratos principais:

Raviolone de ricota e espinafre ao creme de parmigiano: 2/5

Raviolone de ricota e espinafre ao creme de parmigiano

O prato que era, digamos, visualmente pouco apelativo, se tratava apenas de um ravioli gigante (sério, do tamanho do prato) com um molho branco por cima. Feito a partir de uma boa massa, servida num bom ponto, a quase lasanha de apenas um andar tinha um recheio que simplesmente não chegava lá. Sua combinação clássica e geralmente eficiente de ricota com espinafre era justamente o início daquilo que se tornaria um prato aquém das expectativas, especialmente no quesito das texturas. Com um toque nada cremoso e um gosto muito unidimensional, o recheio era granulado e pouco agradável quando em contato com a língua e, para completar, seu pobre molho branco depositado sobre a massa era por demais ralo e sem qualquer sabor de algum queijo mais gorduroso e consequentemente mais enriquecido.

Filé de peixe branco sobre legumes da horta ao aioli: 1/5

Filé de peixe branco sobre legumes da horta ao aioli

O prato que era o mais bonito, infelizmente, não era tão gostoso quanto sua montagem prometia. Os legumes da horta estava simplesmente queimados, com gosto muito forte de carbonização e um paladar amargo que só. Para piorar a situação, seu acompanhante, o peixe branco, estava verdadeiramente duro, adicionando uma textura desagradável e um sabor de gordura completamente dispensável. Sua sensação altamente oleosa dava a entender que este havia sido selado em uma panela com bastante gordura ainda fria, empapando a carne sem fritá-la, fazendo com que esta levasse tempo demais na frigideira e consequentemente perdesse líquido em excesso no processo (que ainda deve ter se alongado por alguns minutos além do correto). Uma verdadeira tristeza perante a um prato que prometia tanto.

Sobremesas:

Maçã ao perfume de canela com quenelles de sorvete: 2/5

Maçã ao perfume de canela com quenelles de sorvete

Composto por uma maçã cortada em formato de flor a sobremesa tinha sua canela na medida. Montado a partir da fruta fria, perdendo a oportunidade daquele sempre bem vindo jogo de temperaturas, o prato tinha uma bola de sorvete agradável que definitivamente não era uma quenelle (quanto menos quenelles, no plural), mas que ainda assim se encontrava em boa temperatura e textura. Uma sobremesa simples e gostosinha, que ainda assim tinha margem para uma melhoria impactante.

Tartelette de frutas tropicais: 4/5

Tartelette de frutas tropicais

O primeiro prato que conseguia esboçar um sorriso em nosso menu. Composto a partir de uma tortilha ótima, de massa agradavelmente agridoce e textura quebradiça, a sobremesa era recheada por um creme maravilhoso de sabor presente de baunilha e textura ótima. Para completar, uma decoração de morangos que definitivamente ajudava a quebrar o adocicado geral e, ao mesmo tempo, adicionar certo frescor ao todo. Só me pergunto o porquê da existência de uma calda a base de leite – ou o que quer que seja aquilo – no prato, que apenas molhava o fundo das tortinhas deixando-as empapadas e menos agradáveis. Ah sim, e questiono, é claro, a razão da casa em optar por este nome, que novamente poderia ser facilmente mal interpretado por qualquer um de seus clientes.

Dicas:

Dos ingredientes propostos pela casa à combinação e preparo de praticamente todos os pratos, o menu do festival não conseguia cumprir com as expectativas. Alguns pratos vieram com montagens diferentes e a verdade era que como um todo o nosso almoço parecia algo amador, aparentando ter sido bolado às pressas, provavelmente pouco pensado e discutido. Quase que como uma infeliz obrigação para que a casa recém inaugurada pudesse participar do festival a tempo. O resultado então era triste, e acabava por mostrar um lado do estabelecimento que não era tão positivo ao ponto de fidelizar novos clientes.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Aun Tôrres