Alma Chef

NOTA GERAL DO JANTAR: 2.8/5

Na segundona, dia 14/09 começou o festival mais democrático da gastronomia aqui na capital mineira! Até o dia 04/10, o Restaurant Week toma conta da cidade e os menus degustação (entrada, prato principal e sobremesa) já estão listados no site! São 60 restaurantes participantes – sendo 16 novos! – que servirão almoço por R$39,90 e jantar R$51,90 no jantar! Partiu week?

Nas últimas edições, o Week sugere um tema para inspirar o menu das casas, fato que o organizador Fernando Reis considerou interessante para estimular a criatividade dos chefs na criação dos cardápios. Aderir ao tema não era obrigatório, mas sempre serve como fonte de ideias. Esse ano, o tema não remete a nenhuma culinária específica, não valoriza nenhum ingrediente especial e é um conceito totalmente abstrato. Chama-se Gastronomia Afetiva. A ideia é criar pratos que tragam uma memória de família, viagens e momentos marcantes. Segundo Fernando: “Nosso objetivo com este tema é buscar estreitar ainda mais a relação que existe entre clientes e restaurantes, enaltecendo as comemorações em torno da mesa, despertando sensações e mostrando temperos que traduzam as características de cada chef”. Ademais, o Week ainda arrecada R$1 por refeição para doar para o Hospital da Baleia, trazendo motivos ainda mais estimulantes para provar alguns dos menus.

Três dicas importantes que aconteceram na última edição e se repetem nessa:

1) Você continua podendo trocar Dotz para degustar o Week! 2.000 dotz = menu week almoço e 2.750 dotz = menu week jantar! Incrível, não é? Confira no site os restaurantes que aderiram a esse benefício clicando aqui.

2) Ainda é possível reservar online através do The Fork, uma empresa do Trip Advisor. Clique e veja onde você pode reservar agora!

3) Vejam que mantivemos o campo em nosso blog para falar do Week! Ele fica logo abaixo do título, onde há uma aba fixa chamada Restaurant Week.

Corra e tente ir no maior número de casas possível! E não se esqueça de conferir o ONDEcomo regularmente para ver nossa cobertura do evento! Serão posts mais curtos e mais frequentes para levar aos nossos leitores uma boa amostragem dos menus! E queremos sugestõooes! 🙂 Comente nos posts, aqui, no Facebook (/ondecomo), Instagram (@ondecomo) ou mesmo nos mande um e-mail no ondecomo@gmail.com!

NOTA GERAL: 2.8/5

Menu JANTAR

Sobre o Alma Chef:

O Alma Chef é um restaurante inaugurado em 2014, em um ponto de super movimento no Lourdes. Ele fica ao lado do tradicional Taste Vin, em uma das ruas mais importantes do pólo gastronômico desse bairro. Seu ambiente é dividido em 2 níveis, sendo um subsolo, onde encontramos a maior parte das mesas e onde originalmente deveria ser o restaurante, enquanto em sua parte superior temos uma mistura de espaços com um empório, uma adega e uma cozinha aberta, onde são ministrados vários cursos e workshops da casa, e onde acontecem eventos mais privados. Seu atendimento é frio como esperávamos (devido ao estilo mais “refinado”), porém o cardápio é interessante e os cursos que a casa oferece são tentadores.

Gastronomia:

O cardápio é um belo e enxuto (como gostamos) exemplar de culinária contemporânea. Na última edição o Alma deu um show no week, montando um menu praticamente flawless, criativo, gostoso e muito, mas muito bem executado. O que vimos no menu dessa edição foi algo bem mais simplório, perdendo a característica ousada e arriscada dos chefs e se igualando a várias casas não tão espetaculares do festival.

Entradas:

Vitello Tonnato: 4/5

Vitello Tonnato

O vitello tonnato, que parecia um carpaccio de lombinho canadense, era um bom começo para uma noite de week. A carne era muito boa, bem temperada, com um corte fino mas não tão fininho, que dava uma textura incrível e um sabor muito bem pontuado. A carne dava as mãos lindamente ao toque de azeite e à excelente finalização com flor de sal, permitindo ao prato certas explosões de sabor maravilhosas. A maionese de atum era ótima, mas infelizmente não era feita com o peixe fresco, e parecia ser emulsionada com o óleo da carne em questão enlatada, o que acabava trazendo uma sensação super oleosa típica da iguaria nesse estado e aquele gosto característico que, apesar de divertido, não esbanjava tanta alegria.

Fish and Chips: 3/5

Fish and Chips

Hummm, uma panelinha de pura simpatia. O exemplar inglês era feito com pequenas tirinhas de peixe e de batatinhas, cortadas de forma tão semelhante que traziam a gostosa surpresa de só saber qual você tinha pegado quando o pedaço tocava a língua. O prato era pequeno mesmo, o que era uma tristezinha à parte, mas nada muito preocupante ao se tratar de uma entrada. Sua maionese artesanal vinha com um toque bem presente de limão, o que não ia tão bem com a batata, mas coroava incrivelmente o peixe. Infelizmente o prato não cumpria com todas nossas – imensas – expectativas, deixando várias pontas soltas em seu processo, como uma maionese questionável e uma completa ausência de tempero que fazia todos os sabores minguarem consideravelmente.

Pratos principais:

Strogonoff do Chez: 2/5

Strogonoff do Chez

Havia, aqui em BH, uma tradição de sabores no antigo restaurante Chez Bastião, que trouxe muitas iguarias incríveis à esquina da rua Alagoas. Inclusive, dizem (não provamos para saber) que o melhor Strogonoff da cidade era o do Chez. Com essa defesa, o Alma começou um story telling que estava nos fisgando muito bem, contando como a receita era a mesma famosa da esquina do funcionários e todo aquele blablabla super pomposo de dar água na boca. A realidade no entanto, era muito mais desagradável que o conto de fadas vendido. O prato que visualmente se igualava àquelas comidinhas de cachorro de sachê era um strogonoff bem aquém. Não que ele fosse exatamente ruim, mas também não era o tipo de prato que se sai para comer, que se pede em algum restaurante ou se aprecia cada garfada; funcionando melhor como aquela comida que sua empregada fazia no sábado com as sobras da carne da sexta. O molho era exageradamente ácido, com sabor sem graça e gosto mais presente do que deveria de salsinha, claramente – até pela foto – exagerado. Para acompanhar, uma panelinha com arroz branco frio e velho (definitivamente oriundo do buffet da casa) totalmente desnecessária e um punhado de batatinhas fritas nada crocantes, deixando a oportunidade de se criar um gradiente de texturas relevante nesse tipo de prato.

Linguine ao Pesto: 3/5

Linguine ao Pesto

O prato, bem mais vistoso que o colega de cima, tinha um molho muito bom, equilibrado e sedoso na medida, tornando a massa bem molhadinha e saborosa de forma bastante uniforme. Seu toque de manjericão não estava pesado, nem de azeite, deixando o conjunto leve e harmonioso. Espalhadas em seu molho algumas batatinhas cozidas adicionavam uma textura diferente ao todom amenizando qualquer tipo de sabor mais forte dentro da massa. Massa, inclusive, que se encontrava um pouco além do ponto e, novamente, sem muito tempero, se tornando rapidamente enjoativa e irrelevante.

Sobremesas:

Torta Bavarese: 3/5

Torta Bavarese

A tortinha (inha mesmo) era uma montagem de pão de ló e um estilo de mousse de morango. A base era deliciosa, com textura incrível, super macia, e um sabor neutro sem aquele gosto clássico de ovos bastante interessante. Sobre ela, um creme/mousse de morangos que definitivamente poderia ser chamado de sem graça, portador de uma textura altamente enjoativa, bastante gelatinosa e não muito aerada, deixando tudo com gosto sutil demais. Para nossa felicidade, sua calda (essas gotinhas ao redor) era de fato agradável, e este pó quase decorativo conseguia elevar de forma charmosa a sobremesa.

Browne Sundae: 2/5

Browne Sundae

O copinho de brownie estava aquém das expectativas, já baixas frente a um menu tão bobo quanto o que foi apresentado. Seu bolo estava seco. É importante que entendam que isso não era um ordinário nível de crocante, não não, ele estava realmente ressecado, como se estivessem esquecido o bolinho no forno por algumas dezenas de minutos a mais que o correto. O estranho é que isso não seria o bastante para deixar o pobrezinho seco daquela forma, portanto aliado a tal “erro” – já que a casa exibe fornos que hoje em dia devem estar batendo a casa dos centenas de milhares de reais (cada), e que certamente lhe informam, param a cocção e se bobear até cortam e embalam os bolinhos individualmente para todos seus clientes – a cozinha deve também ter deixado o pobrezinho envelhecer um pouco, algo próximo de uma semana (ok, exageramos rs) abandonado ali sobre algum balcão, para daí sim serví-los no menu do festival. Aí sim, o famoso bolinho conseguiria chegar no ponto deplorável que encontramos em nosso copinho, que nem mesmo o ótimo sorvete ou a verdadeiramente maravilhosa calda de chocolate seriam capazes de consertar.

Dicas:

Como o Alma Chef esteve no Top 5 da última edição, é triste para nós falarmos da nossa sensação de descaso para com o festival. A casa sempre trouxe algo diferente, ou algo bem tradicional com um punch inovador, e dessa vez ela ficou na linearidade mais tediosa que já provamos. Nossa dica então é ir fora do festival, e quem sabe experimentar os pratos do ano passado, que se encontram no menu tradicional do estabelecimento.

post and review by Eduardo Boaventura e Path Aun Tôrres